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Correio Braziliense

''Anjo laranja'': colega faz homenagem emocionante à bombeira morta em ação

Leia o texto do 2º tenente do Corpo de Bombeiros Cleônio Dourado de Souza em homenagem a Marizelle Santos, que perdeu a vida ao combater incêndio em Taguatinga


postado em 15/09/2019 21:34 / atualizado em 15/09/2019 21:46

(foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)
A morte de Marizelli Armelinda Dias, 31 anos, soldado do Corpo de Bombeiros que morreu enquanto combatia um incêndio em Taguatinga, deixou seus colegas devastados. A emoção tomou conta da corporação e muitos militares se reuniram no Hospital Regional de Ceilândia (HRC), onde ela morreu.

Entre as homenagens, uma das mais emocionantes veio do 2º tenente do Corpo de Bombeiros Cleônio Dourado de Souza, que escreveu um texto no qual chama a colega de vocação de "anjo-laranja" e "guerreira" e lembra que Zelli, como a militar era chamada pelos amigos, escolheu uma profissão na qual a vida do outro vale mais que a própria.

"Algumas vezes, Deus leva o nosso irmão, a nossa irmã e todo um Corpo de Bombeiros sente, toda uma tropa chora. Descanse em paz guerreira Marizelli, seu nome ecoará no livro dos lendários, dos imortais, dos heróis que escrevem a nossa história", escreve. Leia a seguir:  

Um anjo laranja

Nenhum bombeiro sabe quando o brado será o último. Ninguém sabe. A adrenalina sobe e a vibração toma conta do sangue vermelho, a nossa cor.

Nenhum bombeiro sabe que aquele deslocamento na viatura pode ser o último. A equipagem às pressas, amplamente treinada, as conversas no trajeto, improvisadas, as risadas, as estratégias da missão. Ninguém sabe quando serão as últimas.

O som da sirene rasgando o silêncio das ruas e o ronco das viaturas abrindo caminho em direção ao sinistro são músicas em nosso ouvido. A gente imagina que sempre as ouviremos outra vez. Vidas alheias importam mais que as nossas e seguimos em direção ao que o destino escalou para aquele dia. Vamos, não sabemos se voltamos, mas vamos. E vamos vibrando. Avante guarnição. Voamos ligeiros! Para a frente! O que importa a tormenta? 

Naqueles eternos instantes entre o brado e o regresso nossa vida fica nas mãos de Deus. Vidas alheias e riquezas. Salvar é o nosso lema. É a nossa uníssona voz. E como irmãos que somos, estamos na lida, cuidando uns dos outros e cumprindo a missão. Não temem a morte os bombeiros, quando ecoa do alarme o sinal! 

Mas, algumas vezes, sem que a gente entenda o porquê, Deus busca um de nossos anjos laranjas de volta e o transforma em herói, heroína, imortal. Algumas vezes aquele brado, infelizmente, é o último. Algumas vezes aquela viatura transporta os nossos amados heróis pela última vez. Algumas vezes a sirene é um canto celestial anunciando que as portas do céu se abriram para que Deus incorpore mais um anjo em sua tropa de heróis anônimos.

Algumas vezes, Deus leva o nosso irmão, a nossa irmã e todo um Corpo de Bombeiros sente, toda uma tropa chora. Descanse em paz guerreira Marizelli, seu nome ecoará no livro dos lendários, dos imortais, dos heróis que escrevem a nossa história. 

Nosso pesar mais sentido e nossa continência mais honrosa a você.

Que Deus a receba e conforte o coração da família e amigos neste momento de dor tão grande, sempre confiantes na vida eterna prometida e na bondade e misericórdia de Deus.

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