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Correio Braziliense

'Vou esperar ele voltar para casa todo dia', diz avó de entregador morto

Rodrigo Souza, 25 anos, morava com a avó, Maria Vanda, 68, em Águas Claras. Sonho dele era se formar em educação física e dar aulas para crianças com autismo


postado em 18/10/2019 17:48 / atualizado em 21/10/2019 11:58

A mãe, Waneide Maria Rodrigues, (frente) e a tia, Carla Figueiredo. A camisa do Flamengo era a preferida do Rodrigo. Waneide exibe com orgulho o documento de alistamento militar do filho(foto: Alan Rios/CB/D.A Press)
A mãe, Waneide Maria Rodrigues, (frente) e a tia, Carla Figueiredo. A camisa do Flamengo era a preferida do Rodrigo. Waneide exibe com orgulho o documento de alistamento militar do filho (foto: Alan Rios/CB/D.A Press)
Um garoto com sonhos, que sempre trabalhou e sempre ajudou quem pudesse. É assim que a família de Rodrigo Souza, 25 anos, define o jovem assassinado em Águas Claras na noite de quinta-feira (17/10). Ele morava com a avó na cidade e fazia entregas de comida por aplicativo para ajudar a filha, de dois anos. "Ele era muito carinhoso com todo mundo. Com a bebê, ainda mais. Agora eu vou esperar ele voltar para casa todo dia, porque não consigo acreditar. Mas como vou ver o meu neto se ele já se foi?", disse Maria Vanda, 68, avó da vítima. 

 

Estudante de educação física de uma faculdade privada, Rodrigo tinha como sonho dar aulas para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A mãe chorou ao lembrar dos desejos do garoto. "Ele ia se formar no ano que vem, estava super feliz com os estudos porque estava perto de alcançar o que queria. E meu filho trabalhou muito para isso. Serviu o exército, foi atendente em mercado, entregador. E sempre se destacou pelo esforço. É muito triste saber que tudo isso acabou", contou Waneide Maria Rodrigues, 46.

 

Querido por familiares, amigos e conhecidos, Rodrigo ficará marcado também pela alegria. "O hospital estava cheio de gente que conhecia ele ontem (quinta-feira), preocupado com a vida do meu menino. Eu não sabia que tanta gente amava ele", disse a mãe. O sorriso das fotos que a família vê contrasta com a fatalidade do crime. "Sou uma mãe infeliz agora, que vai sempre ficar vendo as imagens daquele assalto e pensando em me jogar na frente da faca. O ladrão levou uns R$ 100 reais da farmácia. A vida do meu filho valia R$ 100 reais?", questionou Waneide.

 

O jovem serviu o exército e foi destaque da turma(foto: Arquivo Pessoal)
O jovem serviu o exército e foi destaque da turma (foto: Arquivo Pessoal)
 

 

Após concluir o ensino médio, ele serviu o exército e se dedicou para ser um dos melhores da turma. "Meu neto ia para a Rodoviária às 5h da manhã para pegar o ônibus e não chegar no quartel atrasado. Tanto que se destacou e saiu de lá com honra ao mérito", relembra Maria. Rodrigo deixa ainda o pai, policial federal, a irmã de 17 anos, avôs, tios e primos. O velório será no sábado (19/10), às 11h, na Capela 6 do Campo da Esperança de Asa Sul. "Dói demais. Eu nunca mais vou ser a mesma pessoa. A dor fica para sempre. Não adianta nada falar que vai passar", lamentou a mãe.

 

Relembre o caso

Um homem assaltou uma farmácia na Avenida Boulevard Norte. Ao sair da loja, foi abordado pelos entregadores de comida e entraram em uma briga corporal. Para fugir, o suspeito esfaqueou Rodrigo e um outro rapaz, que não corre risco de morte. O ladrão foi perseguido e agredido. A Polícia Militar foi acionada e encaminhou o acusado para a 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), onde foi preso. Ele responderá pelo homicídio, pela tentativa de homicídio e pelo roubo.

 

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