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Correio Braziliense

'Ainda não caiu a ficha', diz mãe de entregador assassinado em Águas Claras

Jovem morreu ao tentar conter assaltante em Águas Claras. Sepultamento reuniu familiares, amigos e colegas entregadores


postado em 19/10/2019 17:09 / atualizado em 19/10/2019 18:21

Sepultamento do jovem ocorreu neste sábado (18/10) no Cemitério Campo da Esperança na Asa Sul(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Sepultamento do jovem ocorreu neste sábado (18/10) no Cemitério Campo da Esperança na Asa Sul (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
A despedida do entregador Rodrigo Souza Borges, 25 anos, foi marcada por comoção, descrença e um desejo de mais segurança. O sepultamento do jovem ocorreu neste sábado (18/10) no Cemitério Campo da Esperança na Asa Sul. Familiares e amigos ainda não acreditavam na partida repentina do rapaz, que morreu em ação heroica ao tentar conter um assaltante em Águas Claras.

"Ainda não caiu a ficha. Era meu único filho", disse a mãe do entregador, Waneide Maria de Souza, 46 anos. De acordo com ela, a família planeja fazer uma passeata reivindicando mais segurança para os entregadores de aplicativo. “É para ver se essa violência diminui mais”, explicou. Para a mãe do estudante de educação física, a cidade de Águas Claras está cada vez mais perigosa.

Entregadores de aplicativo, amigos de trabalho de Rodrigo, compareceram ao enterro de bicicletas e com os trajes de trabalho. Na mochila de um deles, estava escrito a palavra "luto" com fitas pretas.

"Queremos mais segurança, mas não podemos parar. Não tem outro jeito, tem que trabalhar", disse um deles que preferiu não se identificar.
 
Entregadores compareceram caracterizados com o objetivo de chamar atenção para a segurança da categoria(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Entregadores compareceram caracterizados com o objetivo de chamar atenção para a segurança da categoria (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 

Lembrança 


“Era um menino muito bom e muito alegre. Sempre me chamava de tia”, lembrou Fátima Galian, 66, vizinha de Rodrigo. O estudante de educação física sonhava em se formar e trabalhar com crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A moradora de Águas Claras ressaltou ainda a disposição em ajudar os outros que Rodrigo sempre apresentava. “Por isso ele tentou ajudar no dia (do ocorrido). Ele era assim”, acrescentou.

Durante o cortejo, a alegria de Rodrigo foi lembrada. No caminho, a avó, com quem Rodrigo morava, e amigos contaras histórias da infância que arrancaram risos de quem acompanhava o trajeto.

“Não sabia que você era tão querido. Você ensinou todos esses jovens a serfelizes e ser alegres”, disse a avó Maria Wanda, 68, no momento do enterro. Guerreiro, herói e companheiro foram algumas das palavras de força ditas por quem esteve presente no sepultamento. 

O adeus final foi marcado por músicas religiosas, Gostava tanto de você, de Tim Maia, e palmas em homenagem ao jovem que será lembrado como exemplo de força. 

Ato de herói 


Rodrigo era uma pessoa trabalhadora e dedicada, segundo a família. Na última quarta-feira (16/10), ele e um outro entregador tentaram impedir que um homem escapasse após assaltar uma farmácia em Águas Claras. Os jovens entraram em luta corporal com o assaltante. Na fuga, ele atingiu Rodrigo com uma faca.

O estudante chegou a ser levado para o Hospital de Base, mas não resistiu aos ferimentos. O outro entregador também foi atingido, mas não corre riscos. O ladrão foi perseguido e agredido por quem estava perto do local. A Polícia Militar foi acionada e realizou a prisão em flagrante. Por conta dos ferimentos, o assaltante chegou ir para o Hospital de Base,, mas depois foi encaminhado para a 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), onde foi preso. Ele responderá pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio e roubo.

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