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Correio Braziliense

PCDF cumpre mandados em investigação de esquema de 'rachadinha' na CLDF

Ação ocorreu na manhã desta segunda-feira (2/12). É a segunda etapa da investigação policial, que começou em 20 de setembro, com a prisão temporária de um funcionário da ex-deputada Telma Rufino (Pros),


postado em 02/12/2019 10:46 / atualizado em 02/12/2019 15:57

Na primeira etapa da operação, em 20 de setembro, um funcionário do gabinete da deputada Telma Rufino (PROS) foi preso preventivamente. A deputada não é investigada(foto: Divulgação/PCDF)
Na primeira etapa da operação, em 20 de setembro, um funcionário do gabinete da deputada Telma Rufino (PROS) foi preso preventivamente. A deputada não é investigada (foto: Divulgação/PCDF)
A Polícia Civil cumpriu quatro mandados de busca e apreensão durante uma operação que investiga nove pessoas envolvidas em esquemas de "rachadinha", prática em que funcionários de gabinetes devolvem parte do salário para o contratante, na Câmara Legislativa do Distrito Federal. 

A ação policial ocorreu na manhã desta segunda-feira (2/12) no Plano Piloto e no Gama, por meio da Coordenação Especial de Combate a Corrupção e ao Crime Organizado (Cecor/Draco).
 
A Operação Escalada é  desdobramento da primeira fase da ação policial ocorrida em 20 de setembro, com o cumprimento de uma prisão temporária e dois de busca e apreensão, expedidos em desfavor de um funcionário lotado no gabinete da ex-deputada distrital Telma Rufino (Pros). 

Na época, o funcionário foi preso provisoriamente suspeito da prática de tráfico de influência e de delitos de falsidade ideológica, entre outros crimes, ainda em apuração. De acordo com a Polícia Civil, Deivid Lopes Ferreira se valia do cargo que ocupava e abusava da confiança que lhe foi depositada. A corporação esclareceu que não havia indícios de participação da deputada nas condutas investigadas.
 
Cinco dias após a prisão, o suspeito foi liberado, exonerado do cargo e agora responde em liberdade, pelos crimes de peculato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e concussão. Na operação desta segunda-feira (2/12), foram recolhidas malas com documentos, boletos e anotações de valores altos na casa de pessoas ligadas ao suspeito. 

De acordo com o delegado com o coordenador da Cecor, delegado Leonardo de Castro, Deivid usava a influência que tinha com os parlamentares para contratar pessoas para cargos comissionados nos gabinetes. Até o momento, foram confirmados os crimes no gabinete da ex-deputada distrital e do deputado Hermeto (MDB). "Ele tem influência política. Trabalhou para alguns deles durante a campanha e conseguia fazer esse esquema nesses gabinetes. Ainda estamos investigando a participação de outros", afirmou.

O diretor da Draco, Adriano Valente, explicou que o grupo pegava quase o salário todo dos funcionários que aceitavam o esquema. "O cartão bancário das vítimas ficavam sob posse do Deivid. Pegamos mensagens de uma funcionária pedindo R$ 200 para comprar remédio. Outra, que tinha tido filho há pouco tempo, pedia o mesmo valor para comprar comida. Ao que tudo indica, o grupo pegava boa parte do salário", ressaltou o delegado.

A suspeita é que o funcionário tenha começado as atividades por indicação do deputado distrital Fernando Fernandes (Pros). A polícia investiga. Por meio de nota a assessoria do parlamentar nega que ele  tenha indicado Deivid para o cargo e afirma que não tinha conhecimento da ''rachadinha'' e que nunca pediu ou exigiu valores dos vencimentos de qualquer servidor comissionado. 

Também em nota, o deputado Hermeto (MDB) informou que no gabinete dele não existe rachadinhas. ''Repudio qualquer prática ilegal e espero que as investigações esclareçam os fatos'', diz o texto.

Já a ex-deputada Telma Rufino, suplente de Fernando Fernandes, disse que não se manifestará sobre o caso, tendo em vista que o ex-servidor não figurava entre suas indicações no período em que ocupou a titularidade do mandato, entre janeiro e novembro deste ano.

Entre os investigados estão o Deivid, líder do esquema; três servires da Câmara Legislativa e três pessoas que atuavam fora fora da casa. Nenhum deles está preso. Leonardo de Castro explicou que por se tratar de um crime sem uso de violência, a Justiça considera que não há motivos para prisão, por enquanto. Os sete responderão em liberdade.

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