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Correio Braziliense

PM que matou médico pode responder por legítima defesa ou homicídio doloso

Investigadores da 1ª DP (Asa Sul) aguardam a conclusão de dois laudos para definir a dinâmica do crime, que completa uma semana nesta quinta-feira (5/12)


postado em 04/12/2019 19:07 / atualizado em 05/12/2019 19:24

O endocrinologista Luiz Augusto Rodrigues levou um tiro depois de sair de um bar na 314/315 Sul(foto: Arquivo pessoal)
O endocrinologista Luiz Augusto Rodrigues levou um tiro depois de sair de um bar na 314/315 Sul (foto: Arquivo pessoal)
A Polícia Civil trabalha com duas hipóteses na apuração do caso do médico Luiz Augusto Rodrigues, 45 anos, morto na 314/315 Sul, na última quinta-feira (27/11). O inquérito, apurado pela 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), trata o assassinato como homicídio doloso — intencional — contra a vida. Contudo, a investigação pode ser concluída como um caso de legítima defesa com erro de execução (leia abaixo).

Até agora, os investigadores ouviram sete pessoas. As versões dos três policiais militares que patrulhavam a região — cujos nomes não foram divulgados — e a do amigo da vítima, o PM da reserva Ringre Pires Alves, 51apresentam incongruências.

O assassinato aconteceu por volta da meia-noite, quando Luiz Augusto e Ringre deixavam um bar após assistirem a um jogo de futebol. Eles estavam no estacionamento e se preparavam para entrar na caminhonete do médico, uma Ford Ranger branca. A equipe de policiais militares decidiu abordar os dois amigos por desconfiar de atividades suspeitas no local.

Ao se aproximar, no carro da corporação, um dos PMs teria visto Ringre com uma arma supostamente apontada para o grupo e atirou. Os militares saíram do veículo e o autor do primeiro disparo atirou pela segunda vez. Os policiais, que estão na corporação há seis anos, estavam com uma carabina 5,56. Ringre portava um revólver calibre .38, registrado no nome dele.

Delegado-adjunto da 1ª DP, João de Ataliba aguarda conclusão de laudos periciais(foto: PCDF/Divulgação)
Delegado-adjunto da 1ª DP, João de Ataliba aguarda conclusão de laudos periciais (foto: PCDF/Divulgação)
A Polícia Civil chegou ao local cerca de 20 minutos após o fato e levou os quatro envolvidos para a 1ª DP. Delegado-adjunto na unidade policial, João de Ataliba afirmou que havia uma câmera de segurança em frente ao local do crime, mas ela estava desligada. Outro equipamento, em um prédio da região, também não registrou o fato, pois havia uma pilastra cobrindo as imagens.

“Não conseguimos ver o que aconteceu. A pilastra fecha o ângulo em que estava a caminhonete do médico. Vimos o que aconteceu ao redor, mas o carro, o momento em que (Luiz Augusto) foi alvejado e como estava a posição deles, não conseguimos ver”, disse Ataliba.

Laudos

Ainda de acordo com o delegado-adjunto, Ringre apresentava sinais de embriaguez. Em depoimento, o militar da reserva alegou que, em momento algum, apontou a arma aos policiais, e disse que estava com o revólver nas mãos por ter visto um carro suspeito na região e pelo fato de o local estar deserto.  

“Estamos esperando se a perícia consegue dizer, pela posição (das balas), se o tiro (que atingiu Luiz Augusto) foi mais próximo ou mais de trás. Conseguiremos definir isso, acredito eu, mas precisaremos do laudo pericial. Nenhum deles (envolvidos) soube precisar se o tiro (que matou Luiz) foi o primeiro ou o segundo”, afirmou Ataliba. Ainda não há previsão de liberação dos laudos cadavérico e pericial, produzidos pelo Instituto de Medicina Legal (IML) e pelo Instituto de Criminalística (IC), respectivamente.

A hipótese de legítima defesa não está descartada, mas classificada por erro de execução — quando o autor do disparo tinha a intenção de acertar uma pessoa, mas atingiu outra. “É um caso muito técnico. O autor responde como se tivesse acertado quem queria. Se ficar comprovada a legítima defesa, ele (policial militar) não responderá pelo homicídio do médico, porque estava em legítima defesa contra o PM da reserva”, detalhou Ataliba.

Além de Ringre e dos PMs, a polícia ouviu a ex-mulher de Luiz Augusto, a viúva do médico e uma testemunha. “Temos de tentar entender por que o policial atirou. Estamos trabalhando para descobrir isso”, ressaltou Ataliba.

Nesta quinta-feira (5/12), a PMDF informou ao Correio que a equipe era formada por três soldados do 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM), todos do sexo masculino. Em nota, a corporação afirmou que o armamento usado pelos policiais é "compatível com o tipo de policiamento realizado diariamente em todo o DF", pois os "policiais devem estar adequadamente equipados para garantir a efetiva resposta para os mais diversos tipos de ocorrência", segundo o texto.


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