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Correio Braziliense

Laudo aponta que tigres brancos do Zoo de Brasília morreram de estresse

De acordo com laudo técnico, ''idade avançada'' dos animais Maya e Dandy, que tinham 10 anos, contribuiu para que os tigres não resistissem a uma série de tratamentos de saúde


postado em 09/12/2019 12:56 / atualizado em 09/12/2019 14:11

 
Relatório sobre morte da tigresa Maya aponta ainda que ''complicações pós-operatórias'' resultaram na retirada de parte do intestino'' e, como consequência, ''o animal desenvolveu a síndrome do intestino curto, sendo esta uma das causas do óbito''(foto: Zoológico de Brasília/Divulgação)
Relatório sobre morte da tigresa Maya aponta ainda que ''complicações pós-operatórias'' resultaram na retirada de parte do intestino'' e, como consequência, ''o animal desenvolveu a síndrome do intestino curto, sendo esta uma das causas do óbito'' (foto: Zoológico de Brasília/Divulgação)
O laudo técnico sobre as mortes dos tigres-brancos-de-bengala Maya e Dandy, que viviam no Zoológico de Brasília desde 2011, aponta perda de sangue e estresse agudo como prováveis causas do óbito dos animais. Maya e Dandy eram irmãos gêmeos e morreram no intervalo de uma semana, entre o fim de setembro e outubro deste ano, após serem submetidos a procedimentos veterinários

De acordo com o laudo, a “idade avançada” dos tigres, que tinham 10 anos, contribuiu para que os animais não resistissem a uma sucessão de tratamentos.
 
Segundo o Zoológico de Brasília, Maya passou por uma série de exames e teve uma infecção no útero diagnosticada. Com isso, ela foi submetida a cirurgias para reversão do quadro e, no dia 6 de outubro, durante o último procedimento, morreu.

O relatório sobre a morte da tigresa aponta ainda que “complicações pós-operatórias desde a primeira cirurgia culminaram na retirada de parte do intestino” e, como consequência, “o animal desenvolveu a síndrome do intestino curto, sendo esta uma das causas do óbito”. 
  
No caso do tigre Dandy, técnicos do Laboratório de Diagnóstico Patológico Veterinário do Hospital Veterinário de Grandes Animais, da Universidade de Brasília (UnB) analisaram fragmentos de vários órgãos do animal.
 
Dandy morreu uma semana antes de Maya. Profissionais do Zoológico realizaram uma inspeção clínica no animal, para verificar se ele poderia fazer uma transfusão para sua irmã, que já havia sido operada em função das infecções que sofria. Os exames mostraram alterações e o tigre começou a ser tratado. No entanto, na manhã de domingo (29/9), Dandy terai acordado apático e sem reagir aos estímulos. 
 
De acordo com o laudo, “alterações significativas foram encontradas nos pulmões, fígado e na musculatura” de Dandy. Segundo o documento, as alterações são compatíveis com “insuficiência respiratória”, que teria sido causada por “estresse agudo”.  “Considerando que se trata de um animal selvagem, esta parece ser a causa mais provável do óbito”, diz o laudo.
Necropsia aponta que Dandy participava de ''atividades constantes de condicionamento para administrar o seu temperamento mais agressivo''(foto: Zoológico de Brasília/Divulgação)
Necropsia aponta que Dandy participava de ''atividades constantes de condicionamento para administrar o seu temperamento mais agressivo'' (foto: Zoológico de Brasília/Divulgação)

A necrópsia aponta que Dandy participava de “atividades constantes de condicionamento para administrar o seu “temperamento mais agressivo”. Segundo o laudo, durante as atividades - que não são descritas no documento -, profissionais tentavam coletar sangue do animal sem a necessidade de contenção. 

No entanto, Dandy sempre teria precisado de contenção física e ou da aplicação de sedativos para a realização de procedimentos veterinários. Segundo o laudo, as alterações encontradas nos órgãos de Dandy são compatíveis com lesões nas fibras musculares, que “podem ser encontradas em qualquer espécie, principalmente em animais selvagens”.
 
Os técnicos que realizaram a análise consideram que as idades avançadas de Dandy e Maya podem ter sido fatores agravantes nos quadros clínicos dos animais.
 
Os laudos foram encaminhados ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), para auxiliarem nas investigações das mortes dos trigres.

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