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Correio Braziliense

Índice de Desempenho Econômico do DF sobe ao longo de três trimestres

Resultado do Idecon-DF variou 1,8% entre julho e setembro, em relação ao mesmo período do ano passado. Crescimento também foi 0,4% maior em comparação com meses de abril a junho


postado em 11/12/2019 18:48 / atualizado em 14/12/2019 10:43

Índice registrado no DF cresce mais que o produto interno bruto (PIB) do Brasil há quatro trimestres(foto: Codeplan/Divulgação)
Índice registrado no DF cresce mais que o produto interno bruto (PIB) do Brasil há quatro trimestres (foto: Codeplan/Divulgação)
O desempenho econômico do Distrito Federal segue em ascensão pelo terceiro trimestre consecutivo. O Idecon-DF, índice que avalia esse cenário, apontou um aumento de 1,8% de julho a setembro, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados, divulgados pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) nesta quarta-feira (11/12), levam em conta os resultados obtidos nos setores de serviços, agropecuária e indústria.

O resultado do Idecon-DF também foi 0,4 ponto percentual maior em relação ao registrado no trimestre passado. Além dele, a Codeplan apresentou um balanço da conjuntura econômica distrital de julho a setembro de 2019 em relação ao mesmo intervalo de 2018. Os índices mostraram melhora no consumo das famílias e queda na inflação. No entanto, o cenário permanece frágil, devido a fatores como desempenho tímido e mercado de trabalho com desemprego em alta.

André Clemente, secretário de Economia do DF(foto: Vinicius Cardoso/Esp. CB/D.A Press - 31/10/2019)
André Clemente, secretário de Economia do DF (foto: Vinicius Cardoso/Esp. CB/D.A Press - 31/10/2019)
Presente à cerimônia de apresentação dos resultados, o secretário de Economia, André Clemente, afirmou que os números mostraram que as ações tomadas pelo Governo do Distrito Federal estão no “caminho certo”. “(Na fase de transição do governo,) ninguém entendia que a redução de impostos ia virar aumento da confiança e segurança jurídica, gastos no mercado e no comércio. Estamos com várias empresas vindo para o Distrito Federal; o comércio aquecido; acabamos com taxas que eram predatórias, cancerígenas; (...) fizemos muito, mas é só o começo.” 

Em relação ao caixa, Clemente afirmou que o governo fechará o ano em dia com as contas, salários, gratificações, décimos-terceiros e pagamentos a fornecedores. “(Há) alguns pequenos atrasos, mas porque essa era a cultura que vínhamos vivendo, R$ 8 bilhões em débito é o que recebemos. Estamos conseguindo colocar as contas em dia, pagar o atrasado e olhar para o futuro”, declarou o secretário.

Inflação

As taxas de inflação calculadas pelos índices nacional de preços ao consumidor (INPC) e de preços ao consumidor amplo (IPCA) ficaram em 0,25% e 0,26%, respectivamente. Como o INPC considera a variação nos gastos da população que recebe entre um e cinco salários mínimos, alguns subitens podem ter peso maior nos resultados verificados. Para 2020, a inflação calculada pelo IPCA (acumulada em 2,11% nos últimos 12 meses) tende a ficar em 2,74% — 0,32 pontos percentuais a menos que no fim de 2018.

De modo geral, os principais responsáveis por puxar os índices para cima foram as áreas de habitação e despesas pessoais. Ao mesmo tempo, o preço de produtos relacionados a transportes, além de alimentação e bebidas, caiu. A queda nos valores de passagens aéreas puxou o primeiro grupo para baixo, enquanto a diminuição no valor do tomate — cuja cultura se favoreceu pelo período da seca — influenciou para a queda do segundo.

Entre julho e setembro, os brasilienses sentiram no bolso o peso dos gastos com energia elétrica — que teve elevação da bandeira tarifária para amarela e vermelha devido à seca — e com aluguel residencial. A expectativa do mercado imobiliário com a troca de governos pode ter refletido nessa alta e no consequente reaquecimento do setor.

Resultados da inflação no DF, segundo IPCA e INPC(foto: Codeplan/Divulgação)
Resultados da inflação no DF, segundo IPCA e INPC (foto: Codeplan/Divulgação)

Mercado de trabalho

Apesar da queda na taxa de desemprego de 13,7% para 13,2% entre o segundo e o terceiro trimestres, respectivamente, o aumento da contratação resultou do número de pessoas entrando na informalidade. O índice foi 0,6 ponto percentual maior que o registrado no terceiro trimestre de 2018. Ao contrário de boletins anteriores, o levantamento mais recente levou em conta dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), não da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED)

Entre julho e setembro deste ano, houve a criação de cerca de 6 mil postos formais, com destaque para saúde, construção e comércio. A conjuntura mostra um cenário positivo para o consumo no Distrito Federal, impulsionado pela atividade econômica das famílias. 

Fatores como a liberação de saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS/Pasep; a expansão da concessão de créditos devido à queda dos juros como resultado da redução da taxa Selic (em 4,5% ao ano); e a estabilização da massa salarial, ainda que reduzida em 1,8% (R$ 3.887), devem influenciar nesse processo.

Jean Lima, presidente da Codeplan(foto: Viola Junior/Esp. CB/D.A Press - 15/4/2013)
Jean Lima, presidente da Codeplan (foto: Viola Junior/Esp. CB/D.A Press - 15/4/2013)
Presidente da Codeplan, Jean Lima acredita que, no ano que vem, o índice de desemprego deve diminuir no DF. “Pode ser que aconteça no país algum problema político ou econômico de ordem maior que impacte isso? Pode. Mas a tendência, no cenário atual, é de queda do desemprego. No ano que vem, com a retomada da PED conseguiremos monitorar isso com melhor precisão”, comentou. A PED está suspensa até janeiro, quando passará a incluir a Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal (Ride).

Setor produtivo

O avanço de 1,8% decorreu do desempenho de grandes setores de atividade: agropecuária (1,4% de variação) — puxado pelo aumento na produção de milho —; serviços (1,8%) e indústria (1,4%), cujo resultado foi impulsionado pela construção civil. Esse ramo registrou o melhor índice desde junho de 2013.

O setor de atividades financeiras teve protagonismo para o resultado do setor de serviços por representar 15% do produto interno bruto (PIB) do DF. O ramo registrou expansão de 2,5% em comparação com o terceiro trimestre de 2018.

O Idecon-DF aponta trajetória de recuperação e, pelo quarto trimestre consecutivo, apresentou índice positivo e superior à variação do PIB do Brasil. Mesmo assim, houve retração das exportações do DF, especialmente na indústria de baixa tecnologia e da cultura de soja.

Clarissa Jahns Schlabitz, gerente de contas e estudos sociais da Codeplan(foto: Fabiano Neves/Secretaria de Economia do DF)
Clarissa Jahns Schlabitz, gerente de contas e estudos sociais da Codeplan (foto: Fabiano Neves/Secretaria de Economia do DF)
Para o ano que vem, as perspectivas ainda são de crescimento. As projeções da Codeplan apontam que a economia deve fechar o ano com variação de 1,7%. Segundo a gerente de contas e estudos sociais da Codeplan, Clarissa Jahns Schlabitz, os resultados da construção civil devem começar a aparecer no ano que vem e há tendência de que mais pessoas procurem empréstimos, devido às projeções de queda dos juros. 

“Em 2020, se as bases continuarem como se encontram hoje, com inflação e taxa de juros baixas e economia entrando em trajetória positiva, a expectativa é de que tenhamos uma aceleração um pouco maior do que a vista neste ano”, avaliou Clarissa.


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