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King snake, cascavel, jiboia: conheça as cobras levadas ao Zoo de Brasília

Depois de um estudante ser picado por uma naja no DF, o Batalhão de Polícia Ambiental, da PMDF, descobriu um criadouro de serpentes clandestino. Animais estão no Zoo de Brasília

As 16 cobras encontradas no criadouro clandestino de Planaltina passaram, nesta sexta-feira (10/7), por exames veterinários no Zoológico de Brasília, que já começou a identificar a origem dos animais.

A insituição não havia divulgado, até a última atualização desta matéria, as espécies de todas as serpentes, mas já se sabe que há no grupo 10 indivíduos de espécies exóticas (originárias de outros países) e seis encontradas no Brasil, incluindo filhotes de jiboia.

Entre as que mais chamam a atenção, há uma king snake (cobra-real) albina e outras king snakes, comuns nos Estados Unidos e no México, e que não são peçonhentas. Também estão entre as apreensões um espécime de cobra-papagaio e de cascavel, a única venenosa. 

De acordo com os profissionais que recepcionaram os répteis, os animais estão magros e com lesões nas escamas, o que indica que não viviam em condições adequadas. As investigações da Polícia Civil apontam que Pedro Henrique Santos Krambeck Lehm, 22 anos, picado por uma naja asiática, é o dono dos animais. O jovem está internado em um hospital particular do Gama e deve ter alta da UTI no sábado (11/7).

Conheça algumas das cobras resgatadas e que estão no Zoo de Brasília:

Jiboia

A jiboia é a segunda maior espécie do território nacional, ficando atrás apenas da sucuri. Essa espécie tem sido vítima de caça e tráfico devido ao valor comercial de sua pele e carne, além da sua comercialização como animal de estimação. "As pessoas se interessam pela jiboia por ser uma espécie bonita e não conter veneno. Além disso, como ela se alimenta apenas de animais de pequeno porte, em tese, ela é considerada dócil e não oferece risco a seres humanos", explica o biólogo Jair Neto Vieira. 

A jiboia possui a habilidade de matar a presa pela constrição de seu corpo. Elas são classificadas em 11 subespécies, sendo que apenas duas estão presentes no território brasileiro.

Cascavel

Uma cascavel também estava entre as serpentes encontradas no criadouro. Ela é peçonhenta e possui um guizo no final do corpo, que é o principal motivo de ser uma cobra procurada no mercado ilegal de comercialização de animais. "A alimentação da cascavel é baseada em pequenos roedores, pequenas aves e pequenos mamíferos, mas, por causa do veneno, elas podem fazer vítimas maiores, inclusive seres humanos", destaca Vieira. 

A serpente está presente desde a Argentina até o México. No Brasil, cinco subespécies de cascavéis podem ser encontradas em áreas do Cerrado, nas regiões áridas e semi-áridas do Nordeste e em áreas abertas do Sul, Sudeste e Nordeste.

Periquitamboia 

É uma serpente de hábitos noturnos e que costuma ficar em cima de árvores. Ela pode ser encontrada na América Central e do Sul, e no Brasil é bastante presente na floresta Amazônica. "Uma curiosidade sobre essa cobra é que elas não botam ovos, os filhotes se desenvolvem na fêmea e elas parem os filhotes já formados", explica o biólogo Rubens Neto. 

A também é conhecida como cobra-papagaio, jiboia-verde e araboia. Embora não seja venenosa, essa serpente possui força na mandíbula e sua mordida costuma ser dolorosa. "Elas são vítimas do tráfico animal por causa da cor exuberante que possuem", completa Neto.

King Snake (cobra-real)

A king snake pode chegar a 1,5m  de comprimento e possui esse nome devido ao hábito de comer outras serpentes, como cascavéis, por exemplo. Ela não é uma espécie nativa do Brasil, e podem ser encontradas desde o sul do Canadá até o Equador. "O comércio dessa cobra acabou sendo atrativo no Brasil por ela não ser venenosa e não chegar a um tamanho tão grande", destaca Rubens Neto. 

Tráfico de animais

Tráfico de animais exóticos é uma das linhas de investigação seguidas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na investigação do caso da cobra naja que picou um estudante de medicina veterinária na terça-feira (7/7), no Gama. A suspeita é que a naja tenha saído do mesmo local onde foram encontradas as 16 serpentes, em um aras de Planaltina.

A polícia ainda investiga se o estudante importou as serpentes, sem autorização, ou se ele a adquiriu por meio de um mercado interno clandestino de tráfico de animais exóticos.

O caso apurado no Distrito Federal, explica o coordenador-geral da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), Dener Giovanini, não é isolado e expõe um problema crescente no país. 

"O Brasil já foi considerado um país exportador de animais exóticos, mas hoje se tornou um país importador de serpentes. É preocupante por que é moda entre os jovens e está se tornando um gravíssimo problema de ameaça à saúde pública", alerta. 

O mercado negro de comercialização de animais silvestres gira em torno dos bilhões, segundo Dener. No Brasil, o volume de transações feitas por esse tipo de crime movimenta aproximadamente US$ 2 bilhões de dólares por ano, mais de R$ 10 bilhões de reais, segundo estimativa da Renctas. Uma cobra naja africana ou asiática, por exemplo, pode custar até R$ 15 mil no mercado ilegal.

O que diz a lei

legislação brasileira permite a criação de serpentes como animais de estimação, contanto que não sejam peçonhentas. Cobras do tipo só podem ser criadas para fins comerciais, no caso de instituições farmacêuticas, ou com intuito de conservação, ou seja, quando o animal não pode voltar à natureza.  

Para isso, o interessado deve solicitar autorização ao órgão ambiental estadual (no Distrito Federal, o Instituto Brasília Ambiental) e seguir regras para a criação, como mantê-la em local apropriado. Também é proibido criar, manter e alojar animais selvagens da fauna exótica (não natural do cerrado) no DF, salvo exceções previstas. A venda de animais silvestres é proibida pelo Código de Fauna (Lei 5.197/67). 

BPMA/Divulgação -
Zoo de Brasília/Divulgação -
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