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Covid-19: DF está no pico da pandemia e deve entrar em platô, diz Codeplan

Em coletiva, representantes da Codeplan, da Secretaria de Saúde e da Casa Civil afirmam que DF vai apresentar estabilidade na curva de contaminação nos próximos dias

Jéssica Eufrásio
postado em 14/07/2020 17:01
 (foto: Minervino J?nior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino J?nior/CB/D.A Press)
Sol Nascente está entre as regiões mais atingidas pela pandemia e é uma das mais vulneráveisO Executivo local convocou uma coletiva, na tarde desta terça-feira (14/7), para comentar a situação da pandemia no Distrito Federal. A equipe, composta por representantes da Secretaria de Saúde (SES-DF), da Casa Civil e da Companhia de Planejamento (Codeplan), informou que o DF vive um momento de platô ; quando há estabilização do número de casos ; e que, nas próximas semanas, a quantidade de pacientes contaminados e de mortes provocadas pela covid-19 deve cair.

;Segundo as estimativas que temos feito, estamos vivendo o pico. A ideia é que estamos em uma espécie de platô. Não dá para estimar exatamente quando vai iniciar a queda. Mas, até o dia 25 (de julho), a gente mantém esse padrão de crescimento diário que viemos tendo nos últimos dias;, afirmou Jean Lima, presidente da Codeplan.

Lima acrescentou que, em termos percentuais, houve diminuição do número de infectados apesar do aumento nos registros absolutos de casos. Ele disse que a demanda por leitos em unidade de terapia intensiva (UTI) para pacientes com covid-19 manteve estabilidade.

[SAIBAMAIS]Nos últimos 14 dias, segundo a companhia, houve demanda de 37% por leitos. Na última semana, essa taxa caiu para 13%. ;Trabalhamos com a estimativa de, até o dia 25, estar no cenário de estabilidade. Mas não dá para certificar que a partir daí (o número de casos) vai cair. É preciso monitorar semana por semana;, completou Jean.

O presidente da Codeplan destacou que a flexibilização de comércio e serviços não significa a volta às ;condições normais;. ;Estamos retomando atividades econômicas em condições controladas. É uma situação diferenciada. Não esperamos que haja impacto (no aumento dos casos). Pode haver, sim. Mas não é o que foi observado em outras áreas, (com a abertura de) clubes, parques;, comentou Jean.

Sobre o fechamento de atividades não essenciais em Ceilândia, Pôr do Sol e Sol Nascente, o dirigente da companhia afirmou que, pelas condições sócio-econômicas históricas, a população está ;mais vulnerável;. ;É preciso ter atenção especial naquela área. Iniciamos a pandemia com o pico no Plano (Piloto), no Lago Sul, e não tinha tanta demanda por hospital público. Então, essas duas regiões (Ceilândia e Por do Sol) demandam muito leito. Por condições de moradia, condições inadequadas, as pessoas ficam mais vulneráveis e precisam de atenção especial;, explicou.

Hospitais e testes


Um dos pontos que o Executivo local usou como justificativa para adotar protocolos de abertura tem a ver com o desrespeito às medidas de isolamento. A taxa, em 25 de maio, estava em 45%. Nas últimas semanas, caiu para perto dos 38%.

O governo alegou que, apesar das liberações, as medidas de fiscalização serão intensificadas. Com a reabertura de bares e restaurantes nesta quarta-feira (15/7), o Executivo local "vai agir com austeridade", segundo o secretário de Saúde, Francisco Araújo Filho. "Entramos em uma nova fase. Vamos intervir para que as pessoas respeitem a parte delas. A partir de agora, será aplicada multa e as providências serão tomadas, independentemente de que as pessoas gostem ou não", reforçou.

Em relação aos hospitais de campanha, o próximo a ser inaugurado, segundo o secretário, será o da Polícia Militar. A unidade terá capacidade para 86 leitos. Francisco Araújo mencionou que, no Complexo Penitenciário da Papuda, toda a parte estrutural está pronta. A expectativa é de que haja entrega de leitos na próxima semana.

Quanto ao fim das testagens em sistema de drive-thru, o subsecretário de Vigilância à Saúde, Eduardo Hage, disse que não houve interrupção dos exames e que 443 mil pessoas fizeram exames no DF. Ele também descartou a relação de os testes ocorrerem apenas nas unidades básicas de saúde (UBSs) com a desaceleração no ritmo de crescimento dos casos. "(Ela) se dá porque chegamos ao platô e, agora, começa a se observar a diminuição na ocorrência de casos e mortes. Os casos graves, que precisam de UTI, vão ter diminuição mais adiante", pontuou.


Lockdown e conscientização


Subsecretário de Inovação da Casa Civil, Paulo Medeiro ratificou que o governo local não descarta a possibilidade de fechar estabelecimentos caso as confirmações de covid-19 aumentem. "Temos feito monitoramento diariamente. Acompanhamos casos de minuto a minuto no DF e Entorno. Se necessário lockdown ou pré-lockdown, tenho certeza de que o governador tomará a decisão que for melhor à população", disse Medeiro.

O subsecretário enfatizou que a população precisa colaborar com o trabalho e disse ser necessário "aprender a conviver com a pandemia". "Se continuarmos com distanciamento, uso das máscaras, a cidade poderá voltar a ter rotina. O vírus, mesmo que diminua (a transmissão) com o platô, vai viver em nosso meio por um tempo. Temos de nos adaptar a isso. As regras de conviência são extremamente importantes. Vamos lançar campanhas no sentido de alcançar a população que não recebeu essa mensagem", assegurou.


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