Cidades

Caso naja: de universitário a tenente-coronel, o que falta esclarecer?

Pedro Henrique Lemkuhl e outros amigos são suspeitos de integrarem um esquema de tráfico de animais. Outra hipótese é de que eles estariam promovendo pesquisas clandestinas com animais exóticos

Darcianne Diogo
postado em 17/07/2020 19:55
Padrasto e mãe de Pedro saíram da DP sem falar com a imprensaA polícia segue com mais dúvidas do que com certezas a respeito do caso do jovem picado por uma naja kaouthia. O mistério, que envolve estudantes de medicina veterinária e até um tenente-coronel da Polícia Militar, perdurará, pelo menos, até agosto. Isso porque, Pedro Henrique Lemkuhl, de 22 anos, não deve prestar depoimento pelos próximos 15 dias. Fontes policiais informaram ao Correio, nesta sexta-feira (17/7), que a equipe médica do rapaz recomendou que ele permanecesse em casa durante o período.
O jovem é suspeito de participar de um esquema de tráfico de animais. Outra hipótese é de que eles estariam promovendo pesquisas clandestinas com animais exóticos. Nesta quinta-feira (16/7), a mãe dele, Rose, e o padrasto, o tenente-coronel Eduardo Conde, estiveram na delegacia e permaneceram lá por mais de quatro horas. Os depoimentos são cruciais para o andamento das investigações.
Contudo, muitas questões ainda precisam ser respondidas, como a origem da naja e das outras 16 serpentes encontradas em uma chácara no Núcleo Rural de Planaltina, além da relação entre os tubarões encontrados na Colônia Agrícola Samambaia, em Vicente Pires.
Nesta sexta-feira (17/7), o Ibama informou que abriu processo administrativo para apurar suposto envolvimento de servidor do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas) no caso.

Apuração

As investigações, no entanto, seguem em sigilo, na 14; Delegacia de Polícia. O delegado Willian Ricardo afirmou que só se manifestará após a conclusão das diligências.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) multou Pedro Henrique em R$ 61 mil por maus-tratos e por manter serpentes nativas e exóticas em cativeiro sem autorização. A mãe e o padrasto terão de pagar R$ 8,5 mil, cada um, por terem dificultado a ação de resgate. O advogado da família também esteve na 14; DP e saiu sem falar com a imprensa e sem dizer o nome.
Outro ponto a ser investigado pela polícia é se o caso dos tubarões tem relação com Pedro Henrique. O proprietário do imóvel no qual foram encontrados três tubarões, da espécie bambu, oriunda de países da Oceania, em uma chácara na Colônia Agrícola Samambaia, em Vicente Pires, afirmou à polícia que comprou o ovo de um dos peixes em uma loja de animais exóticos.
A casa abrigava, ainda, seis serpentes (duas jiboias arco-íris; duas pítons, da Ásia; e duas jiboias de Madagascar, da África), um lagarto teiú e um peixe moreia. O rapaz foi multado em R$ 39 mil.


Risco no tráfico de animais

Relatório Mundial sobre Crimes da Vida Selvagem, lançado em 10 de julho pela Organização das Nações Unidas (ONU), enfatiza a ameaça que o tráfico de animais silvestres representa para a natureza e a biodiversidade do planeta. Entre as consequências, está o aumento do potencial para a transmissão de doenças zoonóticas (causadas por patógenos que se espalham de animais para humanos). Essas doenças representam até 75% de todas as doenças infecciosas emergentes, incluindo a Sars-Cov-2, que causou a pandemia do novo coronavírus.
Entre janeiro e julho deste ano, o Batalhão da Polícia Militar Ambiental (BPMA) apreendeu 1.402 animais silvestres no DF.

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