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Seca favorece apreciação do céu de Brasília; apps podem ajudar

Em meio À seca e menor formação de nuvens pela noite, brasilienses aproveitam para observar o céu estrelado da capital por meio de telescópios ou por aplicativos de celular

Thais Umbelino
postado em 30/07/2020 06:00
ilustração do céuOs brasilienses se orgulham do céu da cidade. E, à noite, fica mais bonito com estrelas que brilham mais nessa época do ano. Muitos, por curiosidade, gostam de identificar os corpos celestes e constelações. Um hobby que, durante o período de seca, em que há menos nuvens no céu da capital, a contemplação aumenta, seja a olho nu, por meio de aplicativos de celular, ou seja com o uso de telescópios. Com a pandemia, as pessoas relatam que a observação se intensificou, como uma atividade para tranquilizar os ânimos e desestressar.

O professor de ciência naturais, com especialização em astronomia e mestrado em ensino de ciência, Adriano Leonês, explica que a facilidade em visualizar os astros neste período do ano está relacionada a altitude elevada de Brasília e pouca formação de nuvens. ;A altitude do DF é de 800 a 1.200 metros acima do nível do mar e isso faz com que as massas de ar sejam desviadas, o que gera menor incidência solar, menos formação de vapor d;água e, consequentemente, menor formação de nuvens na região;, explica o professor.

De acordo com o especialista, durante essa época do ano é possível visualizar melhor as constelações de Escorpião, de Sagitário (próximas aos planetas Júpiter e Saturno), de Virgem (com a estrela Espiga na formação). Outros destaques são a constelação do Cruzeiro do Sul (bem visível) e a Centauro. ;Para a visualização perfeita dos astros o ideal é que a pessoa utilize um equipamento adequado (veja em Sugestões). A olho nu, principalmente dentro da cidade, onde há muita incidência de luminosidade, é mais difícil de enxergar (os detalhes);, apontou Adriano.

Raphael Steigleder, 28 anos, é formado em geografia e disse que intensificou a observação do céu durante a fase de isolamento social, como uma maneira de lazer. ;É um hobby para mim, me tira da rotina. A observação acalma e é uma válvula de escape;, define. Mas destacou que é paixão antiga. ;Desde criança, dos 10 anos, tive contato com a área e passei a observar as estrelas pelo telescópio;, contou. O interesse foi aprimorado na faculdade, por meio de algumas disciplinas específicas. ;A partir daí, fui desenvolvendo esse interesse e estudando por conta própria;, explicou.

O que mais lhe chama atenção é grande dimensão do Universo comparado ao Planeta Terra. ;Nós fazemos parte de um algo muito bonito e muito grande, e que funciona independentemente da gente e, até por isso, a raridade da nossa existência ser tão bonita. Precisamos ser muito gratos por estar vivendo e podendo observar tudo isso;, definiu Raphael. Com o período da seca, ele acredita que há mais facilidade em visualizar o céu. ;Como não tem tanta formação de nuvem é possível ver melhor, apesar de haver algumas modificações ao longo dos dias;, observou.

Paixão


A militar da reserva da Aeronáutica Ana Maria Paes, 57, é aficionada por astronomia. O hábito de olhar para o céu começou desde criança. ;A princípio observava as nuvens e os seus formatos. As nuvens têm formas interessantes. Rostos, bichos, árvores... Depois sempre observava a primeira estrela da noite. Acho que o que me despertou desde sempre é a beleza do céu;, relatou. A localização onde mora na capital também a ajuda a manter o hobby. ;A maior parte da minha vida morei em Sobradinho, que tem um céu que ainda é possível identificar algumas estrelas;, contou.

O interesse por astronomia, porém, veio mais tarde, na fase adulta. ;Tenho instalados em meu celular alguns aplicativos de observação estelar, em que aprendo os nomes e identifico as constelações. Observo a olho nu todos os dias, quase sempre nas madrugadas, às 3h ou 4h. Percebi que é através da astronomia que se tem o entendimento das distâncias que vivemos de outras estrelas; comentou.

A maneira que o astrofotógrafo Leonardo Caldas, 44, encontrou para estar em contato com os astros foi por meio da câmera fotográfica. Professor da Secretaria de Educação, a atividade é uma ocupação importante na vida dele. ;É gratificante conseguir fotografar algo que está muito distante da gente;, comentou. Por meio de rede social, ele costuma compartilhar fotografias que registram imagens de corpos celestes e grandes áreas do céu noturno. ;A captura precisa de muita técnica e é possível mostrar as galáxias. Só que ela é invisível a olho nu. A técnica consiste em um empilhamento de imagens registradas várias vezes. Feito isso, é possível melhorar a iluminação delas no computador. Também é necessário um tripé que possibilite acompanhar a rotação do céu;, explicou.

Leonardo Caldas:


Sugestões


; Professor de física da Universidade de Brasília, Paulo Brito explica que a invenção do telescópio por Galileu Galilei, em 1609, foi um divisor de águas para a ciência como um todo. ;Quanto maior a abertura do telescópio, mais luz entra e consequentemente melhor a imagem observada. Um telescópio de 150mm é um bom telescópio para observar a Lua, os planetas e diversos aglomerados estelares;, explica.

; Para os mais interessados, ainda é possível adquirir telescópios computadorizados, que acompanham o movimento aparente das estrelas e planetas no céu. Existem uma diversidade de telescópios e suas montagens. Aos iniciantes, podemos recomendar três tipos de entrada:

1) Binóculo, um bom binóculo, com aumento de até 10 a 20 vezes, nos permite ter um olhar para os céus muito interessante. Como o aumento não é muito grande, permite olhar para alguns aglomerados estelares e a Lua.

2) Telescópio refrator (luneta), feito com duas lentes, proporciona aumentos variados de acordo com a
combinação das lentes.

3) Telescópio refletor (telescópio newtoniano), feito com um espelho e uma lente. Mais comum para os astrônomos amadores.

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