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Correio Braziliense

Motivação de feminicídio de enfermeira em Águas Claras ainda não está clara

Investigação reforça hipótese de que o cirurgião dentista Fabrício David Jorge assassinou a facadas a mulher, a enfermeira Pollyanna Pereira de Moura, e, depois, se matou. Agora, os agentes tentam descobrir o motivo do crime, cometido em Águas Claras


postado em 01/08/2020 07:00

A enfermeira Pollyanna tinha 34 anos e deixou uma filha de 15: vítima e Fabrício namoravam há um ano (foto: Arquivo Pessoal)
A enfermeira Pollyanna tinha 34 anos e deixou uma filha de 15: vítima e Fabrício namoravam há um ano (foto: Arquivo Pessoal)
A Polícia Civil investiga o que motivou a discussão entre o cirurgião dentista Fabrício David Jorge, 41 anos, acusado pelo feminicídio da enfermeira Pollyanna Pereira de Moura, 34. O suspeito esfaqueou a namorada e se matou, no apartamento onde moravam, no primeiro andar do edifício My Life Style, em Águas Claras. O crime ocorreu entre a madrugada e a manhã de quinta-feira. A capital federal contabilizou dois homicídios por discriminação de gênero em julho.

No início da apuração, agentes da 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) trabalhavam com duas teses para as mortes: duplo homicídio ou feminicídio seguido de suicídio. Ontem, investigadores confirmaram a segunda hipótese, conforme apurado pelo Correio. Pollyanna levou, pelo menos, 10 facadas, nos ombros, nos braços e no abdômen. O dentista, servidor da Secretaria de Saúde, teve ferimentos no pescoço, na nuca e na jugular.

Os profissionais da saúde namoravam há cerca de um ano e, nos últimos meses, passaram a morar juntos. Ficaram isolados em julho, após serem diagnosticados com a covid-19. Eles tinham se curado na doença nas últimas semanas, e a vítima chegou a publicar um texto relatando a superação da doença em perfil no Instagram.

Fabrício foi enterrado ontem, no Cemitério Parque Jardim das Palmeiras, em Goiânia. Ele tinha dois filhos, uma adolescente de 15 anos e um menino, de 10. Até o fechamento desta edição, não havia informações sobre o sepultamento de Pollyana. Ela deixou uma filha, de 15 anos.

Para traçar um perfil do relacionamento, agentes da 21ªDP seguem coletando depoimentos de familiares e amigos. Eles também analisam imagens do circuito interno de segurança do prédio, que mostram o que seria a última vez que a enfermeira foi vista com vida. Segundo apuração do Correio, na noite de quarta-feira, a profissional da saúde foi vista deixando o apartamento para encontrar um familiar, que a aguardava próximo à portaria, em um carro. Ela conversou e entregou uma sacola ao homem, e aparentava estar feliz. Após o encontro, a mulher retornou para casa.

Por volta das 4h de quinta-feira, vizinhos escutaram uma briga do casal, além de objetos quebrando no apartamento. Apesar disso, ninguém ligou para a polícia. Também segundo fonte da polícia, Pollyana teria levado pelo menos 10 facadas nos braços e nos ombros.

Após o feminicídio, o dentista enviou uma mensagem para um amigo, por volta das 7h, afirmando ter assassinado a enfermeira. Ele, então, teria se matado em seguida. Os corpos passaram por exames no Instituto de Medicina Legal (IML), e os laudos indicarão as causas das mortes. Os celulares da vítima e do suspeito serão periciados pelo Instituto de Criminalística.

Santa Maria


O Distrito Federal confirmou ontem o décimo caso de feminicídio do ano. A vítima é uma mulher de 25 anos, moradora de Santa Maria. Ela foi morta por estrangulamento pelo marido, de 23 anos. O crime ocorreu em 25 de julho. Inicialmente, o acusado apresentou-se à 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria), alegando que a companheira havia sido enfocada durante um ataque, como explicou o delegado adjunto Paulo Fortini. “Ele alegou que tentou intervir, mas foi esfaqueado na axila e na perna. Encaminhamos o suspeito para o atendimento médico e para exames no IML. Mas, durante a investigação, não encontramos nenhuma testemunha que confirmasse a briga, na rua”, contou.

O acusado tornou-se o principal suspeito ao fugir do hospital, antes da alta médica. “Depois de alguns dias, ele apresentou-se acompanhado de um advogado e mudou a versão. Afirmou que teve envolvimento direto na morte da companheira, durante uma briga, motivada por ciúmes. Alegou que a mulher o teria atacado com uma faca; por isso, aplicou o golpe mata-leão na vítima, em legítima defesa”, disse o delegado.

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