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Correio Braziliense

Metas globais para eliminação da aids até 2030 podem não ser cumpridas

Número de novas infecções por HIV aumentou em cerca de 50 países, diz relatório do Unaids


postado em 26/07/2018 16:15 / atualizado em 26/07/2018 16:43

A Unaids afirma que o combate ao HIV encontra-se em um ponto delicado e o ritmo do progresso não está em linha com a ambição global(foto: STR / AFP)
A Unaids afirma que o combate ao HIV encontra-se em um ponto delicado e o ritmo do progresso não está em linha com a ambição global (foto: STR / AFP)

Relatório divulgado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) indica, pela primeira vez, que as metas globais para eliminação da aids até 2030 correm o risco de não ser cumpridas. O documento veio à tona às vésperas da 22ª Conferência Internacional de Aids, que vai até amanhã (27/7) em Amsterdã, na Holanda. O encontro é considerado o maior do mundo sobre o tema.

De acordo com o relatório, intitulado Um Longo Caminho a Percorrer – Fechando Lacunas, Quebrando Barreiras, Corrigindo Injustiças, a resposta global ao HIV encontra-se em um ponto delicado e o ritmo do progresso não está em linha com a ambição global. 

O número de novas infecções por HIV, por exemplo, está aumentando em cerca de 50 países, e as novas infecções globais pelo vírus caíram apenas 18% nos últimos sete anos – de 2,2 milhões em 2010 para 1,8 milhão, no ano passado.

Embora represente quase a metade do total registrado durante o pico da doença, em 1996 (3,4 milhões), o declínio, segundo o Unaids, não é rápido o suficiente para alcançar a meta de menos de 500 mil pessoas até 2020.

África Ocidental e Central ficando para trás


Ainda de acordo com o documento, apenas 26% das crianças e 41% dos adultos que vivem com HIV na África Ocidental e Central tiveram acesso ao tratamento, em comparação com 59% das crianças e 66% dos adultos na África Oriental e Austral.

Desde 2010, as mortes relacionadas à aids diminuíram 24% na África Ocidental e Central, contra um declínio de 42% na África Oriental e Austral.

Progresso entre crianças diminuiu


O relatório também mostra que as novas infecções entre crianças diminuíram apenas 8% nos últimos dois anos. Só metade (52%) de todas as crianças que vivem com HIV está recebendo tratamento, enquanto 110 mil morreram por doenças relacionadas à aids em 2017.

Embora 80% das mulheres grávidas vivendo com HIV tenham acesso a medicamentos antirretrovirais para prevenir a transmissão do HIV, no ano passado, 180 mil crianças foram infectadas pelo vírus durante o parto ou a amamentação — longe da meta de menos de 40 mil até o final de 2018.

Populações-chave representam quase metade das novas infecções


Populações-chave e seus parceiros sexuais, segundo o documento, respondem por 47% das novas infecções por HIV no mundo e por 97% das novas infecções na Europa Oriental e Ásia Central, onde um terço delas se concentra entre pessoas que usam drogas injetáveis.

Além disso, metade de todas as trabalhadoras do sexo em Suazilândia, Lesoto, Malawi, África do Sul e Zimbábue vivem com HIV. O risco de contrair o vírus é 13 vezes maior entre elas, 27 vezes maior entre homens que fazem sexo com homens, 23 vezes maior entre as pessoas que usam drogas injetáveis e 12 vezes maiores entre mulheres transexuais.

Posição realista


Por meio de nota, a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) avaliou que o órgão das Nações Unidas acertou ao assumir uma posição mais realista sobre a epidemia da doença no mundo. “Desde 2015, ao lado de outras organizações no Brasil e no mundo, a Abia alerta para os números alarmantes da epidemia em expansão e para as barreiras estruturais que impedem o acesso ao tratamento e à prevenção de milhões de pessoas no mundo.”

Para a Abia, o cenário traçado pelo relatório é resultado da inércia dos países e de seus governantes no desenvolvimento de políticas e ações em saúde pública. Entre os fatores que mais têm influenciado negativamente na resposta à epidemia, segundo a entidade, estão o contexto social conservador, que alimenta a violência estrutural e dificulta a prevenção nas populações mais vulneráveis; e falhas no abastecimento, que têm colocado em risco a sustentabilidade do acesso à antirretrovirais e favorecido o abandono e interrupções no tratamento.

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