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Correio Braziliense

Maior parte do país verá nesta sexta-feira eclipse lunar total

Quem quiser contemplar o mais longo eclipse lunar do século 21 precisará prestar atenção aos horários


postado em 27/07/2018 08:20 / atualizado em 27/07/2018 11:16

O eclipse total - quando a Lua cheia está completamente encoberta pela sombra da Terra e aparece avermelhada - terá duração de 1h43(foto: Kazuhiro Nogi/AFP)
O eclipse total - quando a Lua cheia está completamente encoberta pela sombra da Terra e aparece avermelhada - terá duração de 1h43 (foto: Kazuhiro Nogi/AFP)

 

O mais longo eclipse lunar do século 21 poderá ser observado, nesta sexta-feira (27/7), na maior parte do Brasil. Mas quem quiser contemplar o fenômeno precisará prestar atenção aos horários, porque o eclipse total já terá passado da metade da duração quando a Lua cheia surgir no céu brasileiro. 

O eclipse total - quando a Lua cheia está completamente encoberta pela sombra da Terra e aparece avermelhada - terá duração de 1h43, mas não será possível observá-lo por todo esse tempo no País. A parte mais impressionante do fenômeno ocorrerá das 16h30, quando a Lua ainda estará abaixo da linha do horizonte, até as 18h13. No Distrito Federal, no entanto, ele poderá ser observado por um período pouco menor, entre 17h50 e 18h30.
 
"Por causa do horário, a Lua eclipsada não terá tanto contraste com o fundo do céu, por causa da claridade do crepúsculo", afirma Paulo Bretones, professor do Departamento de Metodologia de Ensino da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Os eclipses lunares, diz, só acontecem na fase cheia da Lua, quando ela penetra na sombra em forma de cone que a Terra projeta no espaço. 

"Imagine que o Sol está no centro de uma mesa, com a Terra girando em torno dele nesse mesmo plano. A Lua também está girando em torno da Terra, mas o plano de sua órbita é inclinado um pouco mais de 5 graus em relação à face da mesa. Embora a Terra projete sempre a sua sombra não a percebemos porque geralmente a Lua passa acima ou abaixo dela", explica Bretones. "Assim, quando a Lua cruza o plano da órbita da Terra e, além disso, o Sol, a Lua e a Terra ficam alinhados, ocorre um eclipse lunar."
 
(foto: Sophie Ramis, Marimé Brunengo, Maria-Cecília Rezende, Jonathan Walter/AFP)
(foto: Sophie Ramis, Marimé Brunengo, Maria-Cecília Rezende, Jonathan Walter/AFP)
 

Ao passar entre o Sol e a Lua, a Terra produz uma sombra escura sobre o disco lunar - a umbra - e a penumbra, que é uma região cinzenta. Só quando a Lua está completamente mergulhada na umbra se considera que há um eclipse total em curso. O eclipse parcial ocorre quando só uma parte da Lua está na umbra. E o eclipse penumbral acontece quando só se vê a Lua coberta pela penumbra.

"É a umbra que dá o efeito de beleza ao fenômeno, pois a penumbra na maioria das vezes é imperceptível", diz o professor da UFSCar. O eclipse total será visto na parte leste do Brasil, enquanto a parte oeste só verá o eclipse parcial ou penumbral. 

'Lua de sangue'


Quando estiver totalmente imersa na umbra, a Lua não ficará invisível, mas deverá ganhará uma cor de cobre, avermelhada, "de sangue". Isso ocorre porque, embora a sombra da Terra não deixe que os raios de Sol cheguem diretamente à Lua, ela é atingida por raios que são refratados pela atmosfera terrestre. 

"Os componentes da luz branca que produzem as cores vermelha e laranja se espalham mais pela atmosfera, cobrindo o céu com essas cores semelhantes às que vemos no alvorecer e no crepúsculo. A refração transforma as cores em sombra, por isso a Lua fica avermelhada".

Horários

A lua nascerá em horários diferentes nas cidades brasileiras, começando no litoral. Segundo a Sociedade Astronômica Brasileira, entre as capitais a primeira deve ser Recife (17h15), seguida por Vitória (17h18), Natal (17h19), Salvador (17h22), Rio de Janeiro (17h26) e Belo Horizonte (17h34). A visibilidade total se dará em apenas parte do país, nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. 
 
Segundo o professor do Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB), Paulo Eduardo de Brito, o efeito laranja avermelhado não será visível em todos os pontos do Brasil, mas apenas para as cidades mais próximas do litoral.

“Quando já estiver bem escuro, a lua vai estar escondida e vai ter um tom mais avermelhado. Assim que a lua nascer, por volta de 18h, vai ser possível conferir a lua escondida. Assim que o sol sumir, as pessoas vão conseguir ver a lua avermelhada”, explica Brito. Em regiões mais no centro do país, como em Brasília, esse aspecto não deve ficar tão perceptível.
 
 

Atividades

Variados grupos se mobilizam para acompanhar o espetáculo. Em Brasília, o clube de astronomia da cidade vai reunir interessados na Praça dos Três Poderes, com instrumentos de observação disponíveis aos interessados. “Vamos ter telescópios e pessoas que possam explicar o fenômeno. Aqui em Brasília, vamos pegar só o final do eclipse, mas até 19h20 a lua vai estar saindo da sombra da terra”, conta o presidente do clube, Augusto Ornellas.

Diversas universidades vão abrir seus observatórios para que curiosos possam acompanhar o espetáculo. Será o caso da Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de São Carlos e da Universidade Federal do Ceará. Em Campinas, o observatório municipal, o primeiro do país, vai também disponibilizar telescópios em uma sessão guiada para observar a lua e o planeta Marte. As inscrições foram encerradas devido à grande procura.

Em São Paulo, o Centro Cultural Butantã (CCB) vai promover um evento em seu terraço para os observadores. Em Niterói, a prefeitura vai abrir o Parque Municipal para que moradores possam acompanhar o eclipse do local. Os portões ficarão abertos até as 20h.

Como fotografar o eclipse lunar

O coordenador de fotografia da Agência Brasil, Marcello Casal Jr., dá algumas dicas de como fotografar o eclipse lunar: 

- Usar um tripé e disparador remoto. A recomendação vale para câmeras ou smartphone

- Evitar movimentos bruscos para que a câmera ou o celular não vibrem

- No caso de câmeras profissionais, usar o ISO corretamente. O ISO mede a sensibilidade do sensor à luz. Quanto maior o ISO, mais sensível ele está e, com isso, amplia a claridade e captação de luz. Quanto menor o ISO, menos informações serão captadas

- No caso de smartphones, que têm sensor pequeno e lente de dimensões reduzidas, é importante um bom enquadramento. A captação de nuvens podem ajudar a compor uma boa foto. "Timelapses” podem render boas e lindas misturas de fotografia e vídeo que captam a mudança de luz. 
 
Com informações da Agência Estado e da Agência Brasil 

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