Ciência e Saúde

Estudo sugere filtro de aspirador de pó em máscaras: até 83% de eficácia

A pesquisa, realizada nos EUA, também apontou a seda e fronhas antibacterianas como outros materiais com bom grau de proteção contra o coronavírus

Thays Martins
postado em 10/07/2020 17:47
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A pesquisa, realizada nos EUA, também apontou a seda e fronhas antibacterianas como outros materiais com bom grau de proteção contra o coronavírusEstudo publicado no Journal of Hospital Infection avaliou a capacidade de proteção contra o novo coronavírus oferecida por cada tipo de máscara. Além de confirmar que o uso da proteção não elimina completamente, mas reduz bastante as chances de contágio, a pesquisa, feita pela Universidade do Arizona (EUA), apontou quais são os materias mais eficazes, com destaque para os filtros de aspirador de pó.

Em um ambiente controlado, os pesquisadores compararam a capacidade de cada material bloquear o vírus por um curto período de tempo (30 segundos) e num intervalo maior (20 minutos). Alguns materiais reduziram em até 94% as chances de contágio, caso das máscaras N99. Essas máscaras se mostraram um pouco mais eficazes que as N95, mais comuns em hospitais, e cirúrgicas.

Como tais proteções são difíceis de serem encontradas ; e há um debate ético sobre seu uso por pessoas que não sejam profissionais de saúde, já que a produção delas é limitada ;, os cientistas decidiram investigar materiais que podem ser utilizados em máscaras caseiras.

Foi aí que os filtros de aspiradores de pó se destacaram. Segundo as análises, esse material se mostrou capaz de reduzir em 83% os riscos de se contrair covid-19 em exposições de 30 segundos e 58% quando a exposição durou 20 minutos. De acordo com os autores do estudo, o filtro pode ser colocado por dentro das máscaras de pano.


Seda e materiais com muitas fibras

Outros produtos, como panos de prato, tecidos de algodão e fronhas antimicrobianas, também tiveram um bom desempenho. E quanto mais fibras, maior a eficácia. Outro tecido que o estudo indica como uma boa opção para fazer máscaras é a seda, que devido às propriedades eletrostáticas atraem partículas menores.

Já proteções feitas com cachecóis e camisetas de algodão só foram capazes de reduzir o risco em até 44% após 30 segundos de exposição, desempenho só um pouco melhor do que não usar nada.

Use máscara e evite se expor

Em entrevista ao jornal da Universidade do Arizona, Amanda Wilson, uma das responsáveis pelo estudo, destacou que o uso da máscara é importante, mas que não é garantia de proteção total. "Uma máscara não pode reduzir seu risco a zero. Não vá a um bar por quatro horas e pense que está sem riscos só porque você está usando uma máscara. Fique em casa o máximo possível, lave as mãos com frequência, use uma máscara quando estiver fora e não toque no rosto", recomendou.

A fala da pesquisadora vai ao encotro do que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS), que indica o uso de máscaras com três camadas de tecido. Um estudo norte-americano anterior apontou que o uso das máscaras evitou que mais de 66 mil infecções fossem evitadas em pouco mais de um mês na cidade de Nova York.

Para além do material

[SAIBAMAIS]Além das máscaras de proteção, os cientistas da Universidade do Arizona também avaliaram outros aspectos que influenciam o risco de infecção.

Além de constatar que o tempo de exposição maior reduz a eficácia da máscara, notaram que a quantidade de pessoas no ambiente e a distância em que elas estão uma das outras são pontos importantes.

De acordo com a pesquisa, o tamanho das gotículas expelidas pelas pessoas, ao falar, tossir ou espirrar, aumenta o risco de infecção. Dessa forma, se as pessoas estão distantes uma das outras, até a gotícula chegar na outra pessoa, ela estará menor.

E até o clima tem interferência, já que, se o ar estiver mais seco, os aerossóis se tornarão menores mais rapidamente. Se a umidade for maior, os aerossóis permanecerão maiores por um longo período de tempo e poderão cair por superfícies, que ficarão contaminadas.

A pesquisa também destaca a necessidade de se usar corretamente a máscara. Ela precisa vedar bem e as pessoas não devem usá-la abaixo do nariz ou dobrá-la sob o queixo quando não estiver em uso.

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