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Correio Braziliense

'Toda mulher deveria ser assediada', afirma colunista Danuza Leão

Escritora criticou os protestos feitos no Globo de Ouro e definiu a cerimônia como "um grande funeral". Na internet, texto dividiu opiniões, mas foi criticado pelos próprios netos de Danuza: "minha vó tá maluca"


postado em 10/01/2018 15:55 / atualizado em 10/01/2018 17:12

(foto: Eugenio Gurgel/EM)
(foto: Eugenio Gurgel/EM)

 
"Toda mulher deveria ser assediada pelo menos três vezes por semana". Com essa frase — e uma porção de outras com teor semelhante —, a escritora Danuza Leão se tornou assunto nacional. Em um texto publicado no jornal O Globo, Danuza critica os protestos feitos na cerimônia do Globo de Ouro contra as denúncias de assédio que eclodiram em Hollywood.
 
 
"O que não está claro para mim é o conceito de assédio. É uma paquera? Avanços sexuais entre homens e mulheres começam sempre de um lado. Às vezes, o outro lado não quer, e isso é normal. Como definir? Espero que essa moda de denúncia contra assédio sexual não chegue ao Brasil. O que aconteceu no Globo de Ouro me pareceu um grande funeral", escreveu a escritora.
 

Leia o texto na íntegra:

"O que não está claro para mim é o conceito de assédio. É uma paquera? Avanços sexuais entre homens e mulheres começam sempre de um lado. Às vezes, o outro lado não quer, e isso é normal. Como definir?
 
Espero que essa moda de denúncia contra assédio sexual não chegue ao Brasil. O que aconteceu no Globo de Ouro me pareceu um grande funeral. Apesar dos vestidos lindíssimos, acho que aquelas mulheres (que foram à cerimônia de preto) foram muito pouco paqueradas e voltaram sozinhas para casa.
 
Não acho que as denúncias de assédio possam gerar uma ‘caça às bruxas’ porque são uma coisa ridícula, para começo de história. É doloroso saber que uma mulher pode fazer uma acusação e tirar o emprego de um homem. É algo pecaminoso. Mas isso é coisa de americano. Lá eles não têm noção de sexo. É ótimo passar em frente a uma obra e receber um elogio. Sou desse tempo. Acho que toda mulher deveria ser assediada pelo menos três vezes por semana para ser feliz. Viva os homens." 

 

Horas antes, o tema já estava em voga por conta de uma carta publicada no jornal francês Le Monde e assinada por cem mulheres. Entre elas, a atriz Catherine Deneuve. No texto, elas argumentam que "os homens deveriam ser livres para fletar com as mulheres" e que a onda de denúncias contra assédios se trata de um novo "puritanismo".

Os dois textos, é claro, repercutiram nas redes sociais. Tanto que os nomes de Danuza e Deneuve chegaram a figurar na lista dos assuntos mais comentados do Brasil no Twitter. 

Os internautas mostraram-se divididos sobre o tema. Alguns elogiaram a postura e a coragem das duas mulheres: "O não e os 'fora' existem pra isso. Vamos parar de hipocrisia e de mimimi", escreveu um. Outros usuários da rede social, porém, repudiaram a postura de Danuza e Deneuve: "Danuza Leão, querida, apenas pare. De escrever. De dar opinião", rebateu outro.
 
 
 

Nenhuma publicação, no entanto, foi tão simbólica quanto as dos netos de Danuza. No Instagram, o jornalista e cineasta João Wainer e a artista Rita Wainer publicaram a imagem de um muro pichado com a frase "minha vó tá maluca", em referência a um funk. Nos comentários da postagem, Rita respondeu aqueles que questionaram a publicação: "Nao é uma piada galera, é sobre não aceitar de forma nenhuma e de nenhuma pessoa a apologia à cultura do machismo/estupro/assedio. Publicamente ou não".
 

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Uma publicação compartilhada por Joao Wainer (@joaowainer) em

%uD83E%uDD26%uD83C%uDFFB%u200D%u2640%uFE0Fnão, não pode.

Uma publicação compartilhada por rita wainer (@ritawainer) em

 

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