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Correio Braziliense

Arte na rua: coletivo Transverso lança primeiro livro

Publicação marca sete anos de intervenções artísticas na capital com lançamento de 'Atenção: isto pode ser um poema'


postado em 14/06/2018 16:13 / atualizado em 14/06/2018 16:14

Da esquerda para a direita: Patricia Del Rey, Patrícia Bagniewski, Cauê Maia e Rebeca Damian formam o grupo Transverso(foto: Tranverso/Divulgação)
Da esquerda para a direita: Patricia Del Rey, Patrícia Bagniewski, Cauê Maia e Rebeca Damian formam o grupo Transverso (foto: Tranverso/Divulgação)

 
Desde frases embaixo das tesourinhas, até mudança do nome de ponte, o trabalho do coletivo Transverso ultrapassou as paredes dos museus e as molduras dos quadros e chegou até o olhar rápido do cotidiano do brasiliense. Para marcar sete anos de intervenções artísticas nas paredes de Brasília, Cauê Maia, Patrícia Del Rey, Patrícia Bagniewski e Rebeca Damian, decidiram lançar um livro com os registros dos maiores feitos do grupo. Chega ao público a obra Atenção: isto pode ser um poema, com lançamento nesta quinta-feira (14), às 19h, no Espaço Cena (205 Norte).
 
O Correio bateu um papo com alguns integrantes do coletivo para entender um pouco mais sobre o trabalho do grupo que, aos poucos, mudam o significado comum de arte. “A gente começou de maneira bem informal, éramos amigos da UnB, e, um dia, fizemos uma oficina com a proposta de levar poesia para rua, depois, a gente ficou com mais vontade de continuar e acabamos formando um coletivo”, explica Maia sobre os primeiros passos do grupo, ainda em 2011, na época de graduação.
 
O tempo passou e o trabalho do Transverso ganhou mais solidificação e, especialmente, repercussão, como comenta Patricia Del Rey: "O desejo era se apropriar de Brasília, de usar essa cidade, que é um lugar que tem muito espaço em branco com os quais a gente pode interagir. A gente sentia que o espaço tinha a chance de gerir outras artes, de ser muito mais do que política". 

Nova ponte

As intervenções artísticas com estêncil, lambe-lambe, projeções e outros, provaram o poder das artes nas ruas, e o coletivo Transverso acabou ganhando o noticiário por um trabalho que não deveria ter tido tanta repercussão, mas que acabou mudando o curso de um dos monumentos da cidade. 
 
A mudança do nome da ponte Costa e Silva para Honestino Guimarães veio após uma intervenção do grupo na placa do local, que como o próprio Maia explica não tinha a pretensão de causar tanto eco: “A gente tinha a proposta de fazer uma intervenção discreta na placa, sem danificá-la, deixar uma coisa para poucos perceberem, mas isso levantou um debate sobre o nome da ponte, as referências históricas que o nome carregava, e em duas semanas, mudaram o nome da ponte, que hoje é Honestino Guimarães”. Um claro exemplo da arte interferindo diretamente na política.

7 anos em 1 livro

O grande objetivo do lançamento de Atenção: isto pode ser um poema é, essencialmente, guardas as memórias de quase uma década de intervenções, assim como permitir o público o acesso a uma gama de produções na palma da mão. "A arte urbana é mais efêmera mesmo, você coloca na parede e ela pode ficar lá quatro dias, ou quatro anos. Isso que é tão mágico na arte de rua: está muito vulnerável às ações dos outros. O livro vem para a gente registrar essas obras, deixar vivo esse patrimônio que é a arte urbana”, assegura Patricia.
 
E não se preocupe, o trabalho do grupo segue firme e forte até onde as intervenções consigam alcançar, como acredita Maia: "A gente tem vários planos de oficinas com projetos em andamento, vamos trabalhar também um projetor analógico, que é uma forma barata de realizar intervenções e fora isso a gente quer circular com o livro, em lugares que são importantes em nossa trajetória, e muitos planos de intervenções em várias cidades, ampliar nossas parcerias, nossa rede de colaboradores, nosso repertorio de técnicas".
A percepção de um futuro duradouro ao Transverso também é corroborado por Patricia: "Enquanto tiver muro e a gente tiver fôlego, nós vamos estar mandando nosso recado, acho que nosso futuro é escrever mais dentro das paredes da cidade. O livro é importante para nosso trabalho, mas cada página foi escrita todo dia nas paredes".
 
*Estagiário sob supervisão de Igor Silveira

Serviço:

Lançamento de Atenção: isto pode ser um poema, do coletivo Transverso
Espaço Cena (205 Norte)
Nesta quinta-feira (14), às 19h. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

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