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Correio Braziliense

Cinebiografia: 12 filmes baseados em histórias reais que estão nos cinemas

Com cinebiografias, a leva de títulos aliados à realidade obtém enorme sucesso na temporada dos principais prêmios


postado em 16/01/2019 06:15

Vencedor do Globo de Ouro de melhor filme na categoria drama, Bohemian rhapsody rendeu prêmio para o ator Rami Malek(foto: New Regency Films/Divulgação)
Vencedor do Globo de Ouro de melhor filme na categoria drama, Bohemian rhapsody rendeu prêmio para o ator Rami Malek (foto: New Regency Films/Divulgação)

É uma constante: seja para qual das listas de premiações recentes reservadas ao cinema, o espectador pode ter a certeza de que estará ante alguns candidatos que emulam personagens ou situações extraídas da vida real. No caso do Bafta (ápice da premiação da sétima arte no Reino Unido), três dos filmes centrais tiveram origem na realidade, mas talhada em ficção na telona: Infiltrado na Klan disputa com longas como A favorita e Green book: O guia. Na categoria dos longas britânicos, novamente, filmes com base na vida real estão bem destacados, caso de McQueen e Stan & Ollie.

Por diversas vezes premiados no começo de 2019, os atores — especialmente os coadjuvantes — ganham projeção com filmes em que interpretam pessoas que existiram: no Bafta, dos 10 indicados, oito estão neste caso. No Globo de Ouro, entregue há 10 dias, intérpretes como Olivia Colman, Rami Malek, Mahershala Ali e Christian Bale faturaram prêmios, ao representar personagens que protagonizaram episódios verídicos.

Diretores destacados, como Spike Lee e Yorgus Lánthimos, também despertaram interesse, ao explorar temas baseados na realidade. A onda de relativo compromisso com episódios históricos tomou conta até mesmo da carreira de diretores nunca levados a sério, como é o caso de Peter Farrelly, eternamente associado a comédias como Eu, eu mesmo e Irene e Os três patetas, e que investe em aporte dramático em Green book, filme sobre uma amizade inter-racial que contrariava padrões dos anos de 1960. Interessante que, ainda no recorte pelos indicados ao Bafta, os roteiros tenham sido valorizados, ao cercar a realidade. Quatro dos cinco títulos indicados a roteiro original são amparados na vida real, enquanto dos cinco candidatos a roteiro adaptado, três têm respaldo em fatos passados, caso de O primeiro homem, Infiltrado na Klan e Poderia me perdoar?.

Títulos que privilegiam eventos reais


A favorita
• São 12 indicações ao Bafta e fortes indícios de que o filme estará em categorias robustas do Oscar. Quem já ganhou até a Taça Volpi (reservada aos atores, no Festival de Veneza) foi a protagonista Olivia Colman, num elenco que traz Rachel Weisz e Emma Stone em papéis coadjuvantes. No século 18, a rainha Anne (Colman) fica dividida entre os excessos de mimos.



Stan & Ollie
• Jon S. Baird dirige o longa em que, na temporada de premiações, os atores John C. Reilly e Steve Coogan (Philomena) praticamente se revezaram nas listas de finalistas. Eles dão vida, respectivamente, a O Gordo e O Magro. Uma temporada teatral do pós-Segunda Guerra pode vir a reabilitar a carreira dos comediantes, meio fora de moda no período.



No portal da eternidade
• Na trajetória do diretor Julian Schnabel cabe muito de cinebiografia. Vencedor como melhor ator no Festival de Veneza, Willem Dafoe imprime na tela as tragédias e as pequenas felicidades do pintor holandês Vincent van Gogh, estando cotado para disputar o Oscar. A trama se concentra em fins do século 19, e o longa tem estreia confirmada para 7 de fevereiro.



Infiltrado na Klan
• Segundo filme mais rentável na trajetória de Spike Lee, o longa que mostra um policial negro em contato próximo com representantes da infame Ku Klux Klan, entidade disseminadora de racismo. O filme retrata, a partir das memórias de Ron Stallworth, o bizarro contato dele, aos fins dos anos de 1970, com o ex-líder da Klan, David Duke.



Green Book: O guia
• Com estreia marcada para a próxima semana, o filme deu guinada na carreira do diretor Peter Farrelly. Ao Sul dos Estados Unidos, uma turnê musical improvável une um pianista negro (Don Shirley, feito por Mahershala Ali, que ganhou um Globo de Ouro) e um eterno boa vida de origem italiana chamado Tony Lip (Viggo Mortensen).



Bohemian rhapsody
• Já são US$ 775 milhões arrecadados no mundo, a partir do investimento de US$ 53 milhões, para este filme que teve o próprio diretor deserdado do sucesso — Bryan Singer foi afastado da produção, e responde à investigação em torno de conduta sexual imprópria. Esperneando ou não, contra o que chama de registro deturpado, os fãs mais ardorosos da atribulada vida de Freddie Mercury (que criou espaço para uma elogiada atuação de Rami Malek) tiveram que se consolar.



Vice
• Tem um elenco dos sonhos — Amy Adams, Christian Bale, Steve Carell e Sam Rockwell — a serviço do sempre engenhoso diretor e roteirista Adam McKay (A grande aposta). Indicado em 12 categorias, levados em conta Globo de Ouro e Bafta, o filme, em tom cômico, evidencia conchavos e politicagens que levaram ao poder Dick Cheney, o ex-vice-presidente de George W. Bush.



O primeiro homem
• À frente do personagem Neil Armstrong, astronauta que fez o passeio inaugural na lua, o ator Ryan Gosling não obteve grande valorização na temporada de prêmios, ao contrário da atriz coadjuvante Claire Foy, na pele da decidida esposa. Dramas pessoais do casal e impasses na missão dão a carga dramática no longa muito premiado na categoria de trilha sonora.



A pé ele não vai longe
• Depois de exibido no Festival de Berlim, este longa — já mostrado em Brasília — é uma das apostas para as beiradas, no anúncio dos indicados ao Oscar, dado o prestígio de Gus van Sant (Milk e Gênio indomável). Na fita é contada parte da história de John Callahan, cartunista que, tetraplégico, usou a história de vida para mordazes criações. Joaquin Phoenix estrela.



A private war 
• A cantora Annie Lennox e a atriz Rosamund Pike obtiveram indicações ao Globo de Ouro, na adaptação que revela feitos heróicos da correspondente de guerra Marie Colvin, morta em 2012, numa zona de conflito da Síria. No elenco, Jamie Dornan, de 50 tons de cinza.



McQueen
• Morto em 2010, o talentoso estilista Lee Alexander McQueen, que foi diretor na empresa Givenchy, é a figura central neste documentário assinado pelos codiretores Ian Bonhôte e Peter Ettedgui. Depois de exibido em festivais de Nova York (Tribeca), Dublin e Hamburgo, o longa caiu nas graças do Bafta, com duas indicações: melhor filme britânico e melhor documentário.



Poderia me perdoar? 
• No filme, o grande destaque está nas interpretações de Melissa McCarthy e de Richard E. Grant, que defendem personagens de caráter muito duvidoso. Lee Israel foi uma falsária que recriou memórias inventadas e forjou cartas de personalidades da literatura, tendo sido presa pelas artimanhas. A protagonista dos feitos da vida real morreu em 2014.


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