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Correio Braziliense

Como ganhar o Oscar? Os caminhos que os filmes percorrem na premiação

A 91ª edição do Oscar será em 24 de fevereiro


postado em 29/01/2019 18:27 / atualizado em 29/01/2019 18:27

A briga pela estatueta de melhor filme já começou(foto: Reproducao da Internet - Reprodução/Internet - Universal Pictures/Divulgação - Reproducao da Internet)
A briga pela estatueta de melhor filme já começou (foto: Reproducao da Internet - Reprodução/Internet - Universal Pictures/Divulgação - Reproducao da Internet)


Com mais de 90 anos de existência, o Oscar se tornou uma importante instituição na indústria do cinema norte-americano — e em certo ponto, até mundial. Ganhar a estatueta de melhor filme confere a uma produção grande prestígio (e uma propaganda e tanto).

Entretanto, com algo tão importante, a academia não se limita a “apenas” apontar o aspecto qualitativo. Existem alguns passos a mais que os estúdios podem percorrer para que a briga pela estatueta de melhor filme possa ser alcançada de forma mais “efetiva”. 

Grande parte da imprensa especializada aponta que esses “caminhos extras” tem várias formas — e nenhuma delas carregam 100% de certeza —, entretanto, o Correio selecionou as que fizeram a diferença nas últimas edições da premiação e que possa indicar algo no 91º ano da premiação, que ocorre em 2019.

Conheça os cinco passos para um filme seguir e ganhar um Oscar:

1) Festivais

Equipe de 'Spotlight - Segredos revelados' no Festival de Venice, em 2015(foto: AFP PHOTO / TIZIANA FABI)
Equipe de 'Spotlight - Segredos revelados' no Festival de Venice, em 2015 (foto: AFP PHOTO / TIZIANA FABI)
 

 

Essa tendência é relativamente nova, mas uma coisa é certa: entre 2007 e 2017, todos os filmes que ganharam o Oscar de melhor filme foram exibidos em festivais. Ou melhor: em cinco festivais que são chaves. Os eventos de cinema no Sundance festival, Cannes, Venice, TIFF e Teluride estrearam Onde os fracos não tem vez, Quem quer ser um milionário, O discurso do Rei, Guerra ao terror, O artista, Argo, 12 anos de escravidão, Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância), Spotlight – Segredos revelados e Moonlight – Sob a luz do luar, os grandes vencedores da última década.

De acordo com a revista Vanity Fair, o sucesso desses festivais se deve ao fato de receberam grandes estreias, escolhido pelos estúdios como um ambiente de “medida”, em que é possível perceber como os críticos receberão as novidades.

2) Mensagem

Com protagonismo feminino, 'Mad Max - Estrada da fúria' mudou o panorama da presença de blockbuster no Oscar(foto: Jasin Boland/Divulgação)
Com protagonismo feminino, 'Mad Max - Estrada da fúria' mudou o panorama da presença de blockbuster no Oscar (foto: Jasin Boland/Divulgação)
 
 
Esta regra é poderosa. Para os votantes do Oscar é importante que os filmes que serão indicados -- em qualquer categoria -- tenham uma "mensagem", se for contemporânea melhor ainda.

Os exemplos neste sentido são variados. Ano passado, o filme Corra! conseguiu entrar na lista retratando o racismo nas telonas (de acordo com o jornal The Guardian, foi o filme que “se atreveu a revelar o horror do racismo liberal na América”).

Em 2015, o blockbuster Mad Max – Estrada da fúria também conseguiu o feito representando “um filme de ação feminista”, de acordo com a revista Time, fato louvável, já que os votantes nem sempre têm grande apreciação pelos blockbuster de ação.

Além do contexto contemporâneo, outras mensagens também valem neste caminho. Vertentes históricas, grandes perfis, feitos de guerras, ou uma grande história de amor também fazem parte do “perfil” que frequentemente bate ponto na indicação de melhor filme.

3) Timing

'Nasce uma estrela' foi adiado três vezes para estrear em um momento apropriado para lutar pelo Oscar, e a estratégia parece ter dado certo(foto: Reprodução/Internet)
'Nasce uma estrela' foi adiado três vezes para estrear em um momento apropriado para lutar pelo Oscar, e a estratégia parece ter dado certo (foto: Reprodução/Internet)
 

Pode até parecer brincadeira, mas o momento em que um filme é lançado comercialmente (e não só nos festivais) é chave para suas indicações. A maioria das produções que marcam presença no Oscar foram lançados no fim do ano (inclusive, foi uma das razões que levaram o filme Nasce uma estrela ter sido adiado diversas vezes pela Warner Bros. no último anos).

Um levantamento feito pela revista Superinteressante mostrou que entre as vitórias na categoria de melhor filme entre 1998 e 2012, 40% dos vencedores tinha estreado em dezembro, 26,7% em novembro e 33,3% em outros meses. O portal britânico BBC ofereceu uma explicação simples para isso: a falha memória humana. Isso porque os votantes assistem muito coisa ao longo do ano e têm chances de lembrar — e em consequência votar — nos últimos que estiverem nas cabeças.

4) Marketing

Manter os filmes na cabeça dos votantes é uma regra de ouro do marketing do Oscar(foto: Reprodução/YouTube)
Manter os filmes na cabeça dos votantes é uma regra de ouro do marketing do Oscar (foto: Reprodução/YouTube)
 

Tal como uma grande eleição existem campanhas reais promovidas pelos estúdios para manter um filme na mente dos votantes e conseguir as nomeações (com marqueteiros e tudo). As estratégias de marketing são as mais variadas possíveis, e vão desde colocar os atores em quase todos os programas de auditório da televisão norte-americana, até criar bordões para os filmes (o da película O discurso do rei, por exemplo, foi “Find your voice”, ou “Ache sua voz”, em tradução literal), passando por coisas mais inusitadas, como oferecer sessões com a presença das netas de Charlie Chaplin (assim fez o filme O artista), como informou a revista Vanity Fair.

5) Fãs no sistema

O processo para desfilar no tapete vermelho do Dolby Theatre é mais complexo do que parece(foto: AFP PHOTO/JOE KLAMAR)
O processo para desfilar no tapete vermelho do Dolby Theatre é mais complexo do que parece (foto: AFP PHOTO/JOE KLAMAR)
 

No fundo de tudo, para ganhar uma nomeação de melhor filme, uma produção precisa ter fãs entre os votantes — e fãs fiéis. São cerca de oito mil votantes que estão divididos em 17 categorias (como músicos, editores, atores, diretores, relações-públicas) com uma prerrogativa de produções anteriores (por exemplo, na categoria de votantes diretores, os participantes precisam ter estado à frente de dois filmes na última década). Cada votante trabalha indicando os filmes nas respectivas áreas de especialidade, com exceção da categoria de melhor filme, em que todos podem votar.

Então depois de todo o trabalho, um filme precisa de, no mínimo, 5% dos votantes para poder entrar na categoria de melhor filme. E após isso, as coisas ficam ainda mais complicadas. Isso porque – diferentemente das eleições no segundo turno — o mais votado para melhor filme não ganha. O filme precisa ter mais de 50% dos votantes para receber a estatueta, momento em que muitas fitas caem. 

Muitas vezes, o filme tem a popularidade, mas não consegue passar da “apuração preferencial”. A votação final é assim: cada votante indica os 10 filmes que apostam para a premiação, se nenhum conseguir os 50%, o que tem a menor “indicação” cai, e os “pontos” daquele votante somam-se ao próximo na lista. Isso continua rodando até que um dos filmes ultrapasse os 50%.

Logo, não basta que um filme tenha muitos votos dos membros, é necessário que eles tenha a preferência da grande maioria. Um trabalho e tanto. 
 
* Estagiário sob supervisão de Adriana Izel

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