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Correio Braziliense

Regional Segura elas: choro feito por mulheres

Grupo é formado por seis instrumentistas, todas egressas da Escola de Música


postado em 19/09/2019 06:30 / atualizado em 19/09/2019 15:28

O grupo Segura Elas se apresenta no dia 23 de outubro no Prata da Casa(foto: Arquivo Pessoal)
O grupo Segura Elas se apresenta no dia 23 de outubro no Prata da Casa (foto: Arquivo Pessoal)

 
Popularmente conhecido como chorinho, o gênero musical surgiu no Rio de Janeiro em meados do século 19 e, hoje, é um dos estilos mais prestigiados e sofisticados da música popular brasileira. Nesse embalo, o grupo Regional Segura Elas apareceu com um novo enfoque: trazer a perspectiva feminina para o mundo do choro. “Há uma forte predominância masculina ao longo da história do choro, temos importantes compositoras e instrumentistas que também fazem parte dessa história, mas seguiram sendo invisibilizadas. Nossa ideia foi fazer um regional feminino que bata de frente com essa invisibilidade”, explica a flautista e integrante do grupo, Any Lopes, de 20 anos.
 
Com as instrumentistas Ana Rodrigues (violão 6 cordas),  Iza do Cavaco (cavaco centro), Karol Cass (violoncelo), Any Lopes (flauta transversal), Nathália Marques (pandeiro) e Pati Barcellos (cavaco solo), o grupo se formou na Escola de Música de Brasília (EMB). “Estamos juntas desde 2017. Nos encontramos em uma prática de conjunto da EMB, ministrada pelo professor Lucas de Campos, que teve a ideia de formar um grupo de choro só de mulheres”, conta a flautista.
 
O grupo revela que, mesmo com a profissionalização e apresentações em grandes festivais como o Sofar Sounds Brasília, plataforma que surgiu na Inglaterra, e abrange a cena musical do mundo inteiro, ainda sofre com situações desconfortáveis. “O preconceito ainda existe, há quem nos subestime quando subimos no palco por uma questão de gênero. Um músico já  invadiu nossa apresentação e começou a nos acompanhar. Não temos certeza do que ele pretendia, mas nos questionamos se caso fosse um regional composto por homens se ele teria feito isso”.
 
Apesar do questionamento, o regional segue conquistando seu espaço e representando muitas meninas e mulheres da cidade que têm o mesmo sonho. “Para nós, é muito gratificante, e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade sermos referência para outras instrumentistas. Temos um ótimo retorno de meninas que também querem tocar chorinho, depois de nossos shows”.
 
Neste ano, o grupo gravou o primeiro vídeo de choro e criou o jingle para uma campanha institucional da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANTP) e do Ministério Público do Trabalho. Além disso, trabalham em um projeto, uma homenagem à inspiração e maestrina do choro: Chiquinha Gonzaga. O show ainda está em fase de estruturação, mas, segundo o regional, a previsão é de que comece no início do ano vem. A próxima apresentação do Segura Elas ocorre no projeto Prata da Casa (CLN 116 bloco A), dia 23 de outubro. Para mais informações siga @regionalseguraelas, no Instagram.
 
*Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco 

Serviço
Regional Segura Elas
 
Prata da Casa (CLN 116 bloco A). 23 de outubro (quarta-feira), às 19h30. Ingressos a R$ 20 (meia-entrada) e R$ 40 (inteira), disponíveis no Prata da Casa, no site Paypal e no dia do evento.

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