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Correio Braziliense

Novos e promissores, talentos invadem os palcos da cidade em festival

Festival de teatro mobiliza estudantes de artes cênicas da cidade para mostrar os talentos nos palcos


postado em 22/10/2019 06:55 / atualizado em 22/10/2019 16:52

Peça do repertório do CCI de Samambaia(foto: CCI de Samambaia/ Divulgação)
Peça do repertório do CCI de Samambaia (foto: CCI de Samambaia/ Divulgação)

 

Entre tragédias e comédias, dramas e fábulas, espetáculos infantis e adultos, o 6º Festival Estudantil de Teatro Amador vai encantar e agitar Brasília até 31 de outubro, no palco da Escola Parque da 308 Sul. Ao todo, foram selecionados 15 trabalhos, com participação de mais 160 alunos de colégios públicos e privados do Distrito Federal. Organizado pelo Grupo Nada de Teatro, a proposta é fomentar as artes cênicas no coração do público e do ambiente escolar.

 

“Quero levar nossa voz e mostrar que somos pessoas que saem de casa às 7h e voltam às 22h para ter um futuro digno”, conta Guilherme Oliveira, aluno do 2º do ensino médio. O jovem de 17 anos participa da peça A última estação, que utiliza a ficção para tratar de temas atuais, como intolerância, machismo e preconceitos em geral.

 

“Muitas pessoas veem Ceilândia como marginalizada e não é assim. A gente quer levar o lado positivo”, continua. A peça marca a estreia do Centro de Juventude de Ceilândia no festival. “Estamos muito ansiosos para participar. É uma oportunidade única e a gente não pode perder”, avalia o rapaz, orgulhoso. No grupo, o estudante está há cerca de 10 meses, mas começou a fazer aulas de teatro ainda na infância, aos 9 anos, na igreja.

 

O colégio Cecan estará no festival com a peça A garota de vermelho, dirigida por Marcelo Frei. O espetáculo é apresentado anualmente com algumas adaptações. “Todos os anos, eu faço essa montagem e ela é colaborativa. Primeiro, eu escuto muito os alunos, pois o próprio texto é uma iniciativa do Johan Behr, um ex-aluno do Cecan. E, daí, esse texto chegou até a gente, mas a montagem passou por um processo de adaptação do texto”, conta o diretor.

 

Veteranos no festival, a peça é interpretada por alunos do oitavo ao terceiro ano do ensino médio. Além disso, conta com a presença de ex-alunos. “Mesmo fora do colégio, na faculdade, eles quiseram manter esse vínculo”, pontua Frei. “Eu acho que o teatro proporciona aos alunos um espaço de reflexão muito grande, de poder mudar o olhar e a perspectiva sobre o cenário que nós temos atual”, destaca um dos idealizadores do festival, Adilson Diaz, que acrescenta, ainda, o senso de coletividade e de laços de amizade.

 

O projeto nasceu no Colégio Militar de Brasília, na Asa Norte, há seis anos. O formato atual, com diversas escolas, surgiu em 2015. “A gente percebeu que tinha uma carência na cidade para os estudantes e para os trabalhos das escolas de teatro”, revela Luanna Rocha, outra idealizadora. “O que nos alarmou foi que muitas escolas nem desenvolviam teatro”, corrobora o organizador, que sentiu dificuldade para começar a mudar a situação.


Adaptação

 

Localizado na Samambaia, o colégio CCI também é um dos competidores da mostra, com dois espetáculos, Maria no sertão das maravilhas e A megera domada. Maria no sertão das maravilhas é inspirado em Alice no país das maravilhas, mas o texto é adaptado para o sertão nordestino.

 

“O tema central da peça é o povo sofrido do nordeste. Teremos muito teatro, dança e música”, conta a diretora Aline Cacau. A montagem será apresentada por 20 alunos. “Foi uma troca de energia muito bacana e dias de muitos ensaios puxados. Estamos ansiosos para o resultado e para estreia”, diz Cacau.

 

Os critérios de avaliação foram texto, qual é a produção e linha de trabalho dos professores. Independente e plural, o festival é angariado por apoiadores e parceiros — das escolas, por exemplo, é cobrado um valor de participação — e não recebe sem incentivos públicos. Apesar disso, não são delimitadas fronteiras para o projeto. A equipe é composta por voluntários, como ex-universitários que participaram anteriormente.

 

“Embora o formato seja de mostra competitiva, o foco do Festa não é a competição. O mais gratificante é ver o vínculo que é criado entre os alunos e que, no dia do encerramento, isso se mostra numa comemoração e numa alegria mútua, independente de quem seja o colégio, de quem seja o premiado”, destaca a também atriz.

 

“A gente acaba prestigiando o trabalho de todo mundo no festival, pois não importa quem vença melhor isso ou melhor aquilo. O importante é você sair satisfeito em ver que o trabalho que você fez foi totalmente satisfatório. E aplaudir os outros que estão em cima do palco, pois fazer teatro não é fácil”, afirma Frei.

 

Somadas, as cinco edições anteriores reuniram 50 espetáculos e mais de 590 estudantes. A organização planeja que o festival que faça parte do circuito nacional e seja reconhecido em todo o Brasil, tornando Brasília referência em teatro amador. “O festival consegue agir nesse lugar de formar novas pessoas sedentas por cultura e por teatro e conseguindo avaliar por outra perspectiva”, defende Adilson.

 

Para o produtor, é papel da escola proporcionar o interesse e o ensino do teatro, além da reflexão e do senso crítico dos estudantes. “No começo, a ideia era que os alunos pudessem ter esse espaço para levar os trabalhos para além das paredes da escola e também promover um lugar de troca entre os estudantes. A gente não consegue nem mensurar a vivência que eles têm e o quão agregador isso é”, finaliza Luanna.


Serviço

Festival Estudantil de Teatro Amador (Festa) — 6ª edição. 

No Teatro da Escola Parque da 308 Sul, em duas temporadas: até 24 de outubro e de 28 a 31 de outubro. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

 

 

Arte na veia:

“Sempre fui apaixonado pela arte, e, desde pequeno, ia a apresentações teatrais, fazia algumas aulas de dança e canto coral. Porém, somente no ensino médio tive uma experiência com o teatro. Demorei um pouco porque morava em Taguatinga e o acesso a esse tipo de curso era bem complicado, a maioria era no Plano e bem caros. A diretoria do setor de arte da minha escola me deu uma oportunidade de fazer uma oficina e nunca mais sair. O teatro me ensinou muitas coisas: amor, cumplicidade e trabalho em grupo foram algumas que me marcaram. O teatro é vida e sem ele acho que seria muito difícil viver.”  

Gabriel Ferreira, 24, publicitário

 

“Meu primeiro contato com o teatro foi aos 5 anos, quando entrei na Cia. Néia e Nando por iniciativa da minha mãe, e eu fiz a peça Chapeuzinho Vermelho. Eu era uma criança com muitas dificuldades de habilidades sociais e o teatro me ajudou muito, principalmente com as questões da timidez, de me expor e falar direito, e, até hoje, eu faço teatro.”

João Guilherme Casalecchi, 20, estudante de psicologia

 

“Eu cresci indo para o teatro com a minha família. Desde cedo, eu ia assistir à Orquestra Sinfônica no Teatro Nacional. Meu primeiro contato com o teatro foi na escola, mas sempre foi uma coisa muito informal e sem continuidade. Aí, em 2017, eu conheci a No Ato Produções e fiz um documentário sobre o processo deles, e, em vez de participar, eu observei a oficina. No semestre seguinte eu ingressei no grupo. A experiência da oficina e de estar no palco foi transformadora. Eu não sabia que meu corpo tinha capacidade de transmitir pensamentos. O teatro me desafia a sair da zona de conforto, e isso é incrível e importante para todo mundo, ele faz a gente se transformar, se reinventar e se descobrir.”

César Ferreira, 27 anos, professor e fotógrafo

 

 

Onde fazer

Os estudantes que participam do festival têm aulas de teatro nos colégios onde estudam. Além deles, o Distrito Federal tem diversos locais oferecem oficinas ou cursos de teatro — de forma livre ou continuada — para artistas amadores. O Correio preparou uma lista:

 

No Ato Produções

(716 Norte, Bl. B, lj. 55; 99311-4525- SER Espaço Integrativo)

Realizada por semestre, a oficina de iniciação teatral da No Ato produções é comandada pela atriz e diretora Lucélia Freire. Com aulas terças e quintas pela noite, e aos sábados pela manhã ou tarde. No fim do módulo, os alunos apresentam um espetáculo. Para participar é necessário ter mais de 16 anos. Valores: R$ 1700 (à vista ou a prazo). O preço pode ser alterado para o próximo ano.

 

Oficina do Ribondi

Casa dos Quatro (708 Norte, Bl. F, lj. 42; 3263-2167)

Realizada a cada semestre, a oficina dura três meses, com aulas às terças e quintas, das 19h30 às 22h. Ao final, os alunos apresentam um espetáculo. Para participar, é necessário ter mais de 16 anos. Valores: R$ 700 (à vista) e R$ 780 (parcelado). O preço pode ser alterado para o próximo ano. “Muitas pessoas buscam a oficina para se soltar mais, perder timidez, aumentar a autoestima, aprender técnicas para decorar texto e melhorar expressão e consciência corporal”, conta o produtor Rui Miranda.

 

Sesc

(Unidades na Asa Sul, Ceilândia, Gama, Guará, Samambaia, SIA e Taguatinga. Confira no site sescdf.com.br)

O Sesc realiza oficinas de teatro durante eventos, como Palco Giratório, Sesc Festclown e Mostra Sesc de Artes Cênicas. De forma continuada, há aulas gratuitas para idosos com o Grupo dos Mais Vividos (GMV). São três horas de atividade, uma vez por semana, de março a outubro, nas unidades de Ceilândia, Gama, Taguatinga e 913 Sul. Ao final, cerca de 80 alunos apresentam espetáculo: desta vez, inspirados por William Shakespeare, será Sonhos de uma noite de verão, no Teatro Sesc Garagem (913 Sul), nesta sexta-feira, (25/10), às 15h, e sábado (26/10), às 20h.

 

Teatro dos Ventos

(R. 19 Norte, Ed. Duo Mall, térreo, Águas Claras; 98161-3618)

O Teatro dos Ventos oferece oficinas de teatro para crianças, adolescentes e adultos. Realizadas semestralmente, a casa oferece oficinas de teatro para desenvolvimento criativo para crianças de 4 a 6 anos e de 7 a 11 anos. Além de teatro musical para adolescentes de 12 a 15 anos e oficina de iniciação e montagem teatral para adultos. As oficinas custam a partir de R$ 275 e são realizadas durante a semana.

 

 

Programação do festival


22 de outubro

15h — A arca — Colégio Madre Carmen Sallés, da Asa Norte

20h — A ratoeira — Colégio Militar de Brasília, da Asa Norte

 

23 de outubro

15h — Penha — Centro Educacional 02, de Sobradinho

20h — Sol da liberdade — Centro Educacional 02, de Sobradinho

 

24 de outubro

14h — Megera (in)domável — Teatro dos Ventos, de Águas Claras

17h — + 1 vez Romeu e Julieta — Teatro dos Ventos, de Águas Claras

21h — Missão clowns impossível — Colégio Múltiplo, de Ceilândia Norte


28 de outubro

15h — Revolução dos brinquedos — Cia Luh Rabelo, da Asa Sul

20h — A última estação — Centro de Juventude de Ceilândia, de Ceilândia 


29 de outubro

15h — Desembuço — Cesas, de Asa Sul

20h — A garota de vermelho — Colégio CECAN, do Sudoeste

 

30 de outubro

15h — Transcorpos — Escola Parque Anísio Teixeira, de Ceilândia Norte

20h — Maria no sertão das maravilhas — Colégio CCI, de Samambaia


31 de outubro

19h — Cerimônia de premiação

 

 

*Estagiárias sob supervisão de Igor Silveira 

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