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Correio Braziliense

'Irmandade' conta a história de irmãos separados pelo tráfico de drogas

Série brasileira estrelada por Seu Jorge e Naruna Costa é inspirada no surgimento de facções criminosas e da vida no cárcere


postado em 22/10/2019 06:58 / atualizado em 22/10/2019 11:33

Irmandade, nova produção original Netflix, estreia no serviço de streaming na sexta-feira (25/10)(foto: Aline Arrruda/ Divulgação)
Irmandade, nova produção original Netflix, estreia no serviço de streaming na sexta-feira (25/10) (foto: Aline Arrruda/ Divulgação)

 

São Paulo — A série Irmandade, nova produção original Netflix, estreia no serviço de streaming nesta sexta-feira (25/10). A produção criada por Pedro Morelli é estrelada por Naruna Costa, Seu Jorge, Lee Taylor, Pedro Wagner, Danilo Grangheia, Wesley Guimarães e Hermila Guedes. Com oito episódios, a série narra a história dos irmãos Cristina (Naruna Costa) e Edson (Seu Jorge), crescidos na periferia de São Paulo, e que foram separados após o jovem ser preso com drogas, enquanto a irmã ainda era pequena. Depois de 20 anos na prisão e sem contato nenhum contato com o irmão, Cristina está recém-formada e trabalha como advogada no Ministério Público.

 

Dentro do presídio, Edson e Carniça (Pedro Wagner) lideram uma facção criminosa, intitulada Irmandade. A organização busca manter os direitos mínimos dos colegas de cárcere. Na tentativa de ajudar o irmão a sobreviver na cadeia em meio a uma série de torturas por parte dos carcereiros e policiais, Cristina acaba sendo presa. Então, o detetive da polícia civil Andrade (Danilo Grangheia) propõe que ela se infiltre na Irmandade, para que o policial consiga acabar com a facção.

 

Diferentes das produções que abordam o mundo do crime, Irmandade foge dos clichês e mostra a realidade das facções criminosas de um outro ponto de vista. A série ficcional, em alguns momentos, leva o espectador a fazer uma analogia ao Primeiro Comando da Capital (PCC). No entanto, o diretor Pedro Morelli garante que o seriado não é inspirado em nenhuma facção específica, mas em um misto de pesquisas baseadas em muitas organizações criminosas.

 

“Quando a gente decidiu falar sobre facções, haviam abordagens dramatúrgicas possíveis. A mais esperada e a menos bacana seria por meio de um policial investigando uma facção. A segunda era colocar o líder da facção no centro da trama. Até que surgiu a ideia de fazer a série tendo uma mulher protagonista, que é a Cristina, e abordar esse universo das facções através da ótica da mulher”, conta o diretor.

 

A produção também questiona a noção de justiça e de certo e errado dos personagens. “Acho que essa é a mensagem do Edson: ‘Correr pelo certo é um caminho sem volta’”, afirma Seu Jorge. “Ele tem uma postura em relação ao que deve ser correto naquele ambiente em que vive. Tanto ele quanto Cristina herdaram do pai, uma pessoa extremamente rígida, justamente por viver na periferia, em que a exposição à violência para uma família negra é alta”, completa a atriz Naruna Costa.

 

A produção também se atentou a não reproduzir estereótipos e reforçar pensamentos arcaicos e preconceituosos, tanto na questão da violência quanto na questão racial. “A preocupação que eu tinha era exatamente essa: não cair na coisa do estereótipo”, pontua Seu Jorge. “O audiovisual ainda tem poucos corpos negros, mas esse debate estava presente. Essa preocupação começou a existir de fato. Onde vamos, nós resistimos enquanto corpo político, pois somos negros e não dá para desligar isso das nossas ações. E eu me sinto privilegiada por ser essa pessoa que está à frente disso. A Cristina é uma personagem rara e eu me sinto muito agradecida por representá-la”, conta Naruna.

 

Instalações

 

O contexto inicial da série é ambientado em 1970 em uma favela sob palafita, gravado em São Paulo. Entretanto, a maior parte da trama se passa no presídio. A produção foi registrada em uma ala desativada de um presídio em Curitiba. Bem próximo, estavam presos reais.

 

“Trabalhamos dentro das regras do local. Senti muito forte o valor que tem a liberdade. Ficamos bem perto de uma realidade que está aí, e fomos acolhidos com respeito. De todos os aprendizados que tive nos projetos que fiz, esse foi um dos mais importantes, me deu a possibilidade de entender o quanto é valioso estar em qualquer lugar onde você queira estar”, disse Seu Jorge.

 

Os atores relatam que a locação foi essencial para a construção dos personagens. “Foi um trabalho extenso, profundo, e coletivo. Tudo muito intenso, e eu acho que todo o acabamento foi dado no presídio, pela locação, pelos objetos de cena, o ambiente, as coisas que iam acontecendo lá”, completa Seu Jorge.

 

Mulheres

 

Diferente da maioria das produções audiovisuais que apresentam o mundo do crime como temática, Irmandade apostou em uma protagonista e uma coprotagonista para comandarem a trama, Cristina e Darlene (Hermila Guedes). “Para ter uma protagonista mulher neste contexto, era preciso estar na era pré-telefone celular. Por isso foi escolhido a década de 1990. A partir do momento que tem o telefone celular, os presos se comunicam entre si e as mulheres se fazem menos necessárias. Mas, na época em que a séria se passa, as mulheres são essenciais para entrar e sair do presídio com mensagens”, pontua Pedro Morelli.

 

Mesmo como coprotagonista, Darlene é necessária para a trama e o desenrolar do enredo. Ela, como esposa de Edson, é responsável por repassar informações e influenciar nas escolhas do marido. “A presença de duas mulheres entre esses personagens mais fortes da série é muito bacana, porque a gente está falando do universo carcerário, que é extremamente masculino. Assim, há uma dupla de mulheres que, no fundo, comandam a facção, pois são elas que tem o contato com o líder dentro da prisão e fazem o ‘meio de campo’ com os que estão do lado de fora”, completa o diretor.

 

 

*A estagiária sob supervisão de Igor Silveira viajou a convite da Netflix. 

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