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Correio Braziliense

Em ascensão no heavy metal, banda Armored Dawn fala sobre 'Viking zombie'

No novo álbum, o grupo aborda temas vikings e se consolida entre grandes nomes do metal brasileiro no exterior


postado em 28/10/2019 10:40 / atualizado em 29/10/2019 10:42

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Com novo álbum, os "bárbaros tupiniquins" da Armored Dawn invadem a Europa e pavimentam caminho para o Valhalla do metal nacional (foto: Armored Dawn/Divulgação)
 
São Paulo -- O sexteto paulista de heavy metal Armored Dawn acaba de lançar o terceiro disco de estúdio da carreira, Viking Zombie, disponível para audição em streaming desde as 0h de sexta-feira (18/10). Distribuído no Brasil pela Shinigami Records, o álbum conta com produção do baixista Heros Trench e do baterista Rodrigo Oliveira, que também dividem "a cozinha" (termo usado para se referir ao conjunto formado por bateria e contrabaixo) na banda Korzus, um dos maiores nomes do metal nacional. 

Associada ao subgênero conhecido como viking metal, o grupo continua, na lírica e na sonoridade do novo trabalho, explorando a temática que, nos dois álbuns anteriores — Power of warrior, de 2016, e Barbarians in black, de 2018 —, vem consolidando a banda entre os grandes nomes do gênero: as histórias dos guerreiros escandinavos que se notabilizaram pelos violentos saques e ataques a outros povos europeus.

Desta vez, entretanto, os compositores do grupo adicionaram um elemento de ficção moderna: os zumbis. Assim, surgiu a história de um viking que não morreu em batalha, e, portanto, não poderia entrar no Valhalla. Ele pede ao deus Odin uma segunda chance, que lhe é concedida, mas com uma maldição que o impede de morrer. Paralelamente, explora-se também a história de Bálder e Sigrid, um casal de implacáveis guerreiros, apaixonados e fiéis na vida, na guerra e na morte. 

Rodrigo de Oliveira explicou, em coletiva à imprensa na véspera do lançamento do álbum, que a ideia surgiu durante uma conversa casual entre ele e o vocalista, Eduardo Parras. A ideia, a princípio, soou estranha. Depois, se mostrou interessante. "A gente gosta muito das histórias vikings, do conceito, da força. Mas, ao mesmo tempo, gosta muito de fantasia, e de histórias em quadrinhos — todos aqui somos fãs. Então foi meio que natural”, disse o baterista e produtor.

Para Rodrigo e Eduardo, a fantasia possui paralelos com a realidade. "Quando a gente pensou em fazer o Viking zombie, a gente pensou muito nas bandas de metal, nas pessoas que usam tatuagem, nas pessoas que têm brinco, que têm cabelos compridos, e são realmente discriminadas na sociedade. Então, nós quisemos um personagem que tivesse a força do viking e a imortalidade de um zumbi”, explica Eduardo. 

"É a maldição que temos de ser rejeitados em vários momentos, seguidos no banco e outras coisas, por termos cabelo cumprido, tatuagem, pela cor da pele. Todos nós sofremos esse tipo de preconceito", completa Rodrigo. As cenas iniciais do clipe de Ragnarok sintetizam isso em imagens. Em meio a um protesto, uma horda de metaleiros e headbangers invadem as ruas de São Paulo, com as caras pintadas, munidos de machados, tambores e escudos. Verdadeiros bárbaros.
 
 

Invadindo a Europa


"Abordar essa temática (viking) é um superdesafio, porque mexe com a crença de todo um povo. Então, na verdade, nós não somos um 'viking metal'. Nós somos uma banda de heavy metal que toca temas vikings. Quando se fala de viking metal, se fala basicamente de uma religião, e nós respeitamos todas as religiões”, comenta o letrista Eduardo Parras, que conta, além dos músicos já citados, com o tecladista Rafael Agostino, o guitarrista Tiago de Moura e o guitarrista finlandês Timo Kaarkoski.

Apesar da chancela finlandesa, a banda teve de provar o valor. "É um desafio. Porque você é um brasileiro cantando temas do norte da Europa. Talvez o maior desafio seja chegar na Europa e ser aceito -- por ser brasileiro -- tocando temas do Norte da Europa. Poderíamos ter feito temas brasileiros, também, seria muito legal. Acho que, talvez, seja um passo que as bandas nacionais, hoje em dia, devam pensar”, analisa. 

Apesar dos desafios, a recepção dos "bárbaros do sul" tem sido excelente em terras estrangeiras. Em 2015, tornaram-se a primeira e única banda a se apresentar a bordo do cruzeiro da banda inglesa Motörhead, ao lado de várias lendas do metal, como os anfitriões. Na ocasião, se apresentaram em meio a um furacão de categoria 5, que, por sorte não os atingiu. Em meio às oscilações, quase caindo do palco, os músicos tocavam sob os gritos de "fuck the hurricane" ("f*%@-$3 o furacão") do público alucinado. 

Os 33 tripulantes do El Faro, navio cargueiro que também passou pelo mesmo furacão, não tiveram a mesma sorte. Foram atingidos em cheio e morreram todos. Lemmy, baixista e vocalista do Motörhead, escapou do furacão, mas morreu em dezembro do mesmo ano. Os membros da banda paulista se lembram de tê-lo visto dar tudo de si naquele dia, um dos últimos shows da banda, conforme narraram em entrevista ao programa do apresentador Danilo Gentili

Um ano depois, os "vikings tupiniquins" excursionavam pela Europa com a pioneira do metal progressivo Fates Warning. Depois, com os cultuados ícones do heavy metal inglês Diamond Head e Saxon. Em 2018, figuraram no elenco do Thorhammerfest, festival dedicado ao viking metal, ao lado da banda sueca Månegarm, pioneira do estilo. Estes são alguns dos grandes festivais e nomes da trajetória da banda, que agora está em turnê na Alemanha, pela primeira vez, como banda principal, divlgando o novo álbum.

"A gente tocava sempre como banda de abertura, então tínhamos, no máximo, 40 minutos de apresentação. Dava pra tocar, cinco, seis músicas, no máximo. Canções marcantes, como Viking soul, ficavam de fora, pois era preciso tocar muitas músicas do novo álbum e não cabia ali. Agora, estamos começando a ter mais espaço, e, com certeza, tocaremos essas músicas que também fazem parte da história da banda", comenta Eduardo. 
 

*O estagiário sob a supervisão de Adriana Izel viajou a convite da banda Armored Dawn

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