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Correio Braziliense

Em entrevista, Diogo Nogueira fala sobre a produção de dois documentários

O cantor prepara dois documentários: um sobre turnê com Hamilton de Holanda na Europa e outro, sobre a trajetória do pai, João Nogueira


postado em 17/11/2019 06:15

(foto: Rogerio Von Kruger/Divulgação)
(foto: Rogerio Von Kruger/Divulgação)

 
Uma tendência, atualmente, o lançamento de EPs tem proliferado. Um dos mais recentes é o do cantor e compositor Diogo Nogueira, intitulado Meu instinto, com quatro canções inéditas, já disponíveis nas plataformas digitais. Além da música que dá nome ao projeto, há o registro de Embolaê, Forte Leão de Judá e O pacto.

Um dos sambistas de maior destaque na geração que surgiu na década passada, Diogo lançou 10 discos, emplacou vários sucessos, conquistou prêmios e mantém uma agenda repleta de compromissos, com shows no Brasil e no exterior. No próximo dia 23, ele se apresenta no Estádio Nacional Mané Garrincha, durante a transmissão da final da Libertadores da América, entre Flamengo e River Plate. Diogo está envolvido também com outros projetos, esses ligados ao cinema. Em parceria com o bandolinista Hamilton de Holanda, ele vai lançar, no primeiro semestre de 2020, o documentário Bossa Negra — Uma viagem musical, com o registro da turnê que fizeram pela Europa em show homônimo. Está em fase de pré-produção de filme sobre a vida do seu pai, o mestre João Nogueira, personagem importante da história do samba. 


O lançamento de singles e EPs é uma tendência na área fonográfica?

O consumo de música vem mudando nos últimos tempos e é preciso estarmos atentos a isso. Após meu último álbum Munduê, que ainda foi lançado em CD, tenho feito projetos especiais de singles. E me mantendo sempre lançando músicas novas sem que necessariamente estejam dentro do formato tradicional de álbum, ficando mais ágeis as coisas, desde a ideia de gravar algo e lançar. Essa agilidade, esse formato, me estimulou a fazer singles no último ano e de agora lançar esse EP com quatro músicas inéditas.


Em seus discos anteriores — especialmente no Munduê — você gravou músicas de compositores de sua geração. Isso volta a ocorrer neste novo projeto. Dar visibilidade ao trabalho deles é um compromisso seu?

Com certeza, sim, e, principalmente, porque são excelentes compositores. Quero sempre estar rodeado de amigos e de bons compositores e, graças a Deus, olho para o meu lado e é o que vejo.


Os produtores do Meu instinto são o brasiliense Rafael dos Anjos e o carioca Alessandro Cardoso, responsáveis pela produção do Munduê. Como avalia o trabalho dos dois?

São dois caras sensacionais. Além de ótimos músicos, são arranjadores de mão cheia, além de compositores. E têm produzido com maestria todos os meus últimos trabalhos. Estou muito feliz com todos os resultados dos últimos álbuns que tenho feito com eles.


Como funciona o processo de seleção do repertório?

Sempre é difícil e, algumas vezes, delicado optar por uma música e não por outra. Mas música tem que bater, tem que emocionar, e esse critério tem servido para tomar as decisões e, claro que além de ser boa, a música tem que ter a ver comigo e com o trabalho que estou fazendo no momento.


Que circunstância o leva a compor?

O dia a dia e, quando a inspiração pinta, aproveito para gravar uma melodia, uma ideia de letra. Muitas vezes tenho marcado encontro com amigos e, na resenha, a gente vai tendo ideias e assim nasceram diversas músicas que compus.


Já há sambas selecionados para outro EP, ou a próxima etapa já seria um álbum?

Temos alguns projetos a serem lançados em breve. Um single com participação da cantora Mahmundi, chamado Coisa Boa, e este ano ainda, a gente pretende lançar um álbum que foi gravado ao vivo em Porto Alegre, com diversas músicas que eu ainda não havia gravado.


Compor samba-enredo é algo que ainda o instiga?

Sempre curti compor samba-enredo, trabalhar uma canção a partir de uma sinopse, e essa fase é muito gostosa. Mas a disputa e tudo o que envolve o resto do processo para ver um samba na avenida atualmente não me seduz e acho muito desgastante.


Quando e como viu o seu interesse despertado para o cinema?

O cinema tem uma magia muito forte. A impressão que tenho é que o cinema eterniza a arte mais do que qualquer outro registro. Tenho feito diversos projetos, registros, e, em breve, teremos o lançamento do Bossa Negra - Uma viagem musical, com o registro da turnê que fiz com o Hamilton de Holanda em mais de 10 países da Europa. Foi incrível e virou um documentário bem bacana.
 
 
João Nogueira com Diogo Nogueira: filme vai reconstruir a trajetória do pai(foto: Arquivo Pessoal)
João Nogueira com Diogo Nogueira: filme vai reconstruir a trajetória do pai (foto: Arquivo Pessoal)

Em que etapa está a produção do filme sobre a vida de seu pai, o mestre João Nogueira?

Ainda estamos em uma fase inicial, de pesquisa, de sinopse, mas a história do meu pai é especial e percebemos que temos todos os ingredientes para um grande filme, com humor, drama, sucessos, fracassos, e uma trilha sonora única que fará toda a diferença.
 
 
Cena do documentário 'Bossa Negra - Uma viagem musical': Hamilton de Holanda e Diogo Nogueira na França(foto: Afonso Carvalho/Divulgação)
Cena do documentário 'Bossa Negra - Uma viagem musical': Hamilton de Holanda e Diogo Nogueira na França (foto: Afonso Carvalho/Divulgação)
 

O documentário Bossa Negra — Uma Viagem Musical é um desdobramento do CD que você lançou com o Hamilton de Holanda?

É o registro da turnê que fizemos juntos, onde encontramos e conversamos sobre música com diversos artistas internacionais, fora dos seus países. Estivemos com Gil e Caetano em Londres, Chucho Valdez na Suíça, Carminho, na Holanda, e a Silvia Perez Cruz na França. Foram mais de 30 dias em turnê por 10 países, em 16 apresentações.


Como ex-jogador de futebol, que visão tem deste momento do Flamengo, clube para o qual torce?

O Flamengo está vivendo uma das suas melhores fases, desde 1981, e, como todo o flamenguista, estou muito confiante com esse time.
 
 
 
 
 
 

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