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Correio Braziliense

Curta Brasília: começa hoje oitava edição do evento que celebra as conexões

8ª Curta Brasília, festival internacional de curta, no Cine Brasília começa nesta quinta-feira (12/12). Ao todo, são 80 produções, de diferentes países, distribuídas em nove mostras


postado em 12/12/2019 06:35 / atualizado em 11/12/2019 20:07

Começa hoje a oitava edição do Curta Brasília, festival internacional de curta (foto: Janine Moraes/Divulgação)
Começa hoje a oitava edição do Curta Brasília, festival internacional de curta (foto: Janine Moraes/Divulgação)

Trazer pautas urgentes para o cinema e usá-lo como meio de reflexão, aproximação e empatia. Sempre no fim do ano, o Curta Brasília, festival internacional de curta-metragem, ocupa o Cine Brasília empregando a linguagem audiovisual para um balanço geral do ano e para uma espécie de reunião estratégica para os dias que virão. “Gosto de dizer que o cinema é uma arte premonitória, no sentido de absorver o consciente coletivo, de registrar o que está acontecendo e de olhar o futuro sem deixar de lado as nossas raízes”, define Ana Arruda, diretora-geral e artística do evento.

Na oitava edição, que começa nesta quinta-feira (12/12), o Curta Brasília celebra a empatia e as conexões e explora a simbologia do número oito na horizontal, aludindo ao infinito, para refletir sobre o momento que o Brasil e o mundo vivem. Com recorde de inscrições — ao todo, foram 1400 — 80 produções foram selecionadas e distribuídas em nove mostras pela equipe curatorial coordenada por Arthur B. Senra.

Além das tradicionais, como as mostras nacionais, Decibéis, Provocações e a Calanguinho, a edição deste ano apresenta algumas novidades. Entre elas, a estreia da Mostra Curtame Mucho, que revela um panorama latinoamericano e caribenho diverso em paisagens, crenças, culturas e histórias que, muitas vezes, se cruzam com as nossas. “Queríamos sugerir ao público a reflexão de que nós brasileiros somos latinoamericanos. É importante entender o que está acontecendo e refletir sobre isso, sugerir uma integração maior. O cinema brasileiro chega muito para eles, mas, infelizmente, a proporção não é a mesma”, explica a diretora. Outra diferença é a Mostra Medo e Delírio em Brasília, que celebra a sexta-feira 13 com filmes de terror nacionais e questionadores.
 
Para Ana, a Mostra Surdocine, que tem filmes com acessibilidade, deste ano também indica um diferencial e uma vitória da cidade. “Todas as produções são de Brasília. No primeiro ano, tivemos dificuldade de encontrar, então é uma mudança importante”, pontua. Curtas brasileiros, de várias regiões, dividem espaço com obras da Argentina, da Bélgica, do Chile, da Colômbia, de Cuba, da Espanha, do Equador, da França, da Holanda, da Jamaica, do México, do Peru e da Suíça. “O Curta Brasília tem como vocação valorizar a capital como ponto de encontro nacional e internacional, trazer pautas internacionais e conectar com questões locais”, avalia. Durante a oitava edição do evento serão apresentados dois filmes, resultados de uma coprodução do festival com a Holanda e a França, que destacam a capital federal como cenário e personagem. “É ir além do signo político”, afirma Ana.

Gerações futuras

Pelo quarto ano consecutivo, o Curta Brasília promove o Espaço CVRTA XR, voltado para experiências em realidade virtual, com sessões de filmes que expandem os diálogos sobre tecnologia e estimulam o público a interagir com narrativas imersivas, cinema e games. O interesse por esse universo pode parecer contraditório em uma edição que fala de conexões e empatia. Contudo, a diretora-geral e artística pondera: “Uma coisa não descarta a outra. É a nossa forma de olhar para as próximas gerações, para quem vai assumir a responsabilidade de pensar a arte e as novas narrativas”. 

Aliado à imersão tecnológica, crescente a cada ano no evento, está o debate ambiental e sobre as mudanças climáticas. A Amazônia e os oceanos estarão presentes em várias obras, bem como o uso da realidade virtual para teletransportar e imergir o público neste contexto. “Também é uma forma de questionarmos e pensarmos como a tecnologia pode servir à natureza, como ela pode ajudar a resolver os problemas ambientais que enfrentamos”, finaliza Ana. 

(foto: Mila Movie/Divulgação)
(foto: Mila Movie/Divulgação)

Outro olhar para a maternidade


Na sexta-feira, como parte do primeiro programa da noite, será exibido o curta Mãe não chora, com direção e roteiro de Carol Rodrigues e Vaneza Oliveira. Depois dos trabalhos como atriz — incluindo, entre eles, a personagem Joana em 3%, primeira série brasileira da Netflix —, Vaneza inicia uma nova maneira de contar uma história. Como diretora, ela passa a direcionar o olhar do público para uma maternidade não romântica. Ao lado de Carol, ela narra as violências sofridas por uma mãe solo. 

A ficção conta a história de Raquel, uma mulher que trabalha na Vara da Família da Defensoria Pública e tem que levar o filho para o trabalho porque não consegue deixá-lo com o pai. Mãe aos 17 anos, a personagem se confunde com a realidade da própria atriz e diretora. 

“Era sempre minha filha e eu. Queria falar desse processo violento. A todo momento exigem várias reações das mães, mas eu queria explicar, de alguma maneira, que é difícil. Ao mesmo tempo, não vejo a Raquel como uma heroína, mas como uma mulher enfrentando e lidando com o dia a dia. Escolhi o ambiente de trabalho para mostrar o quanto a sociedade não se dispõe a oferecer redes de apoio. O Pedrinho, no filme, está o tempo todo incomodando naquele espaço. Para a sociedade, lugar de criança é em casa, com a mãe, mas e se a mãe precisa trabalhar? Conseguir creche no Brasil é muito difícil”, detalha Vaneza.  
 
Com um título provocador, Vaneza instiga o questionamento sobre o papel da mulher negra mãe que tem que aguentar tudo e à qual não é permitido chorar, nem pedir ajuda. Em uma pátria sem pai, na qual crianças não têm nos registros o nome paterno ou não contam com uma participação ativa do outro, o curta acumula quatro prêmios em festivais e mostras nacionais. “Além das questões sociais, tem várias narrativas de vida. É um momento importante de começar a levantar isso. Quero que o trabalho seja um gatilho para discutir sobre a maternidade e que esse debate vá além do cinema e encontre o público na periferia, onde as mulheres desconhecem seus direitos e ainda estão presas a esses pensamentos de carregar tudo sozinha”, diz.   
 

Serviço

8° edição do Festival Curta Brasília 
No Cine Brasília. De hoje a 15 de dezembro. Entrada franca. 
Confira a programação completa no site do festival.  
 

Programação desta quinta-feira (12/12):

18h30 / Abertura
 
19h / Mostra nacional / Programa 1

O grande amor de um lobo. Documentário de Kennel Rogis e Adrianderson Barbosa

O véu de Amani. Ficção de Renata Diniz

Acúmulo. Ficção de Gilson Junior

Almas. Animação de Marcos Faria

Sangro. Animação de Tiago Minamisawa, Bruno H. Castro e Guto BR

Angela. Ficção de Marília Nogueira

21h / Mostra nacional / Programa 2

Invasão espacial. Híbrido de Thiago Foresti

Kerexu. Documentário de Denis Rodriguez e Leonardo Remor

Juca. Híbrido de Maurício Chades

Joderismo. Ficção de Marcus Curvelo

Quando as pedras dilatam. Ficção de Diego Amorim 
 

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