Publicidade

Correio Braziliense

Confira quais foram os álbuns que mais fizeram sucesso em 2019

Sertanejos lideram as listas de mais ouvidos e streaming substitui o álbum físico


postado em 28/12/2019 06:30

Elza Soares: música com forte teor de crítica social(foto: MAURO PIMENTEL)
Elza Soares: música com forte teor de crítica social (foto: MAURO PIMENTEL)
A mudança nos meios de produção musical é uma realidade nesta década. Os discos físicos começam a cair em desuso, superados pelos lançamentos digitais. É o que mostra a pesquisa da Pro-Música Brasil, entidade que estuda o mercado fonográfico brasileiro. A área digital corresponde a 72% do mercado total de vendas musicais. A parte de streaming interativo de áudio e vídeos se tornou a principal fonte de lucro da fonografia brasileira. 

Para os artistas mais novos no meio musical, que possuem maior facilidade com a utilização do meio digital, a adaptação do físico para o mundo da internet é mais fácil. Isso facilita a divulgação e a promoção artística por meio das redes sociais — outra ferramenta muito importante para o sucesso das músicas atualmente. Exemplos são fáceis de se encontrar. 

Marília Mendonça: na onda dos hits da música sertaneja(foto: Texto Mais Ideias/Divulgação)
Marília Mendonça: na onda dos hits da música sertaneja (foto: Texto Mais Ideias/Divulgação)
O mineiro Djonga se firmou no cenário musical do país levantando a bandeira do rap. Após o lançamento de O menino que queria ser Deus (2018), o rapper manteve o forte viés contestador no álbum Ladrão, com 10 faixas, que traz todo o pensamento crítico do cantor acerca da desigualdade existente na sociedade brasileira — com muitas referências aos negros e aos pobres. A produção manteve o alto padrão e contribuiu para o destaque do rap neste ano, fugindo do estereótipo de música da favela e atingindo outras classes sociais na qual o gênero não se fez presente por muito tempo. 

De uma geração anterior do rap, mas sempre em alta, Emicida também se destacou com a produção de AmarElo, que é um alento da periferia. O álbum reúne 11 gravações e participações especiais de Pabllo Vittar, Zeca Pagodinho e Fernanda Montenegro dentro do universo do rap. No disco, o rapper transforma o universo particular da música em uma grande mensagem utilizando recursos audiovisuais para adicionar declarações humanas — que na verdade são desabafos — dentro dos singles. Toda a poesia e o forte contexto crítico se fazem presentes nas composições, que são cantadas em um ritmo abaixo do costumeiro. O destaque fica por conta da canção AmarElo, que dá nome ao álbum e inclui um sample da música Sujeito de sorte do cantor Belchior.
Zeca Pagodinho: ele mostrou o talento de compositor (foto: Guto Costa/Divulgacao)
Zeca Pagodinho: ele mostrou o talento de compositor (foto: Guto Costa/Divulgacao)

Saindo do underground para ascender no moderno mundo do mainstream, a cantora Pitty se distinguiu pela renovação de repertório. Cinco anos após o último disco, ela gravou Matriz neste ano. Com uma composição muito diferente da passada (Setevidas, 2014), misturou o clássico rock, que a acompanha durante a carreira, com o reggae e o rap. Ao se arriscar com novos estilos, trouxe de volta as características únicas que tornam uma simples música em “uma música com a cara da Pitty” dentro das 13 canções presentes. 

Velha guarda de sucesso

Mesmo com o avanço tecnológico, os ícones musicais do país não deixam de produzir. Mais do que isso, embarcam nas novas maneiras de produzir para o digital e desapegam do suporte material dos discos — os cantores, claro, contam com uma forcinha da equipe. Aos 89 anos, Elza Soares continua a produzir em alto nível. O disco Planeta fome, que apresenta um conceito único utilizando ilustrações para meio de reprodução da capa, está repleto de críticas e indignação com os problemas sociais e políticos do Brasil, perpetuados ao longo da história. A dimensão instrumental se faz presente de forma imprescindível dentro da obra, com modificações significativas de ritmo que completam o tom de protesto das composições inéditas e regravações. 

Ney Matogrosso, reconhecido pelas exuberantes performances e roupas que utiliza nos shows, inovou mais uma vez ao lançar o DVD Bloco na rua. Toda a ousadia e inovação do artista continuam vivas mesmo aos 77 anos de idade. A gravação, realizada sem plateia, iniciou uma nova turnê do cantor — finalizando a anterior, Atento aos sinais (2013). Mesmo com o disco sendo lançado oficialmente em novembro, a turnê faz sucesso pelo Brasil desde o início do ano. Com vinte faixas, traz as músicas do espetáculo homônimo, como Eu quero é botar meu bloco na rua, Pavão mysteriozo e Inominável.
Dilsinho: temporada de muito sucesso(foto: Rodolfo Magalh?es/Divulgação)
Dilsinho: temporada de muito sucesso (foto: Rodolfo Magalh?es/Divulgação)

Zeca Pagodinho, um dos nomes eternizados na história do samba e dono de mais de 30 discos ao longo da carreira, aventurou-se ao lançar Mais feliz, neste ano. Com inúmeros sucessos no currículo, acreditou ser capaz de produzir novos singles para conquistar o público. O carioca gravou 14 músicas para o repertório, sendo 12 inéditas e duas regravações — O sol nascerá (A sorrir) de Cartola e Elton Medeiros e Apelo, de Vinícius de Moraes e Baden Powell. Aos 60 anos, o cantor explorou também o lado compositor em duas canções do álbum, que conta com a diversidade do samba romântico, do samba feliz e das reflexões diárias. 

Uma década completa

Dilsinho, cantor de pagode que está em atividade desde 2009, viveu um ano de ouro em 2019 com o lançamento do álbum ao vivo Terra do nunca. Conduzido por sucessos da carreira como Refém e Trovão, novos singles como Péssimo negócio e participações pontuais de outros pagodeiros como Ferrugem, Mumuzinho e Bruno Cardoso, o DVD foi o sétimo mais escutado do ano na plataforma Spotify e balançou o coração dos mais apaixonados. Para 2020, o pagodeiro trabalha no projeto Open house. 

A banda brasiliense Scalene também tomou um pouco de 2019 para si com o lançamento do disco Respiro, que apresenta novidades do ponto de vista musical. O álbum, que celebra uma década de atividade da banda, foge um pouco do clássico rock apresentado ao longo da carreira e flerta com novos estilos como MPB e pop. Produzido para ser um trabalho acústico — posteriormente transformado em um CD —, conta com uma leveza que chega a trazer paz. Nas 13 faixas, destaque para a participação do bandolinista Hamilton de Holanda na canção Vai ver e de Ney Matogrosso na música Esse berro

Sucesso repentino no Brasil, a banda BaianaSystem lançou o quarto álbum da discografia em 2019. O futuro não demora é, provavelmente, a produção mais conceitual da trupe, com caminhos de início, meio e fim bem definidos entre as 13 faixas produzidas. Ao comemorar 10 anos de carreira da BaianaSystem, o disco surge com muitas participações e colaborações, sugerindo até um possível procedimento experimental. Entretanto, as raízes da banda se mantém intactas com a mistura de sonoridades e forte utilização da parte instrumental para acompanhar as composições bem brasileiras.

O domínio do sertanejo

Os números deixam claro que o sertanejo é o ritmo mais escutado pela população brasileira. A última pesquisa realizada pelo Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) mostra que o gênero é predominante em execuções nas rádios (53%) e streamings (37%), além de ser o mais procurado para shows (56%) e música ao vivo (37%). Entre os 10 artistas mais escutados de 2019 no Spotify, seis são do sertanejo, comprovando a receptividade do estilo. Puxando a lista nacional, Marília Mendonça fez sucesso neste ano com o álbum Todos os cantos. Lançado em três volumes nas plataformas digitais, a produção contou com gravações surpresas pelo Brasil — incluindo Brasília com show na Torre de TV ao lado do cantor Gaab, no qual estreou a música Intenção. Outros sucessos como Ciumeira, Bebi liguei, Todo mundo vai sofrer e Apaixonadinha foram divulgados neste trabalho da cantora. 

Zé Neto & Cristiano, na segunda colocação da lista do Spotify, também fizeram sucesso no ano de 2019. A música Estado decadente, presente no EP Acústico de novo, e o novo hit Bebi minha bicicleta do DVD Por mais beijos (lançada agora em dezembro) contribuíram para o sucesso da dupla. Gusttavo Lima e o DVD O Embaixador (Ao vivo) trouxeram o início da introdução da bachata ao ritmo sertanejo. Músicas como Zé da Recaída, Cem mil e Respeita o nosso fim fazem parte do álbum lançado em 2019. 

Matheus & Kauan, com o DVD Tem moda pra tudo (Ao vivo), colocaram hits nas rádios como Vou ter que superar (com participação de Marília Mendonça) e Quarta cadeira. Este último teve a participação de Jorge & Mateus, uma das duplas de maior sucesso no Brasil – na década e em 2019 – quando o assunto é sertanejo. Henrique & Juliano também contribuíram para o crescimento do gênero. O lançamento de trabalho dos cantores foi o álbum Menos é mais, que não fez tanto sucesso quanto os anteriores, mas tocou bastante nas rádios brasilienses neste ano. Por outro lado, o mais recente single Liberdade provisória (que chegou nos acréscimos de 2019) já está estourado em todo o Brasil e faz parte de um DVD que será lançado em 2020. 

*Estagiário sob a supervisão de Severino Francisco. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade