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Correio Braziliense

Representantes de presidenciáveis debatem mobilidade urbana em São Paulo

Equipes de candidatos ao Palácio do Planalto apresentam propostas para solucionar a questão do transporte nas cidades brasileiras


postado em 01/08/2018 17:43 / atualizado em 01/08/2018 19:05

A necessidade de reduzir a quantidade de carros particulares nas vias é um ponto que une os diferentes debatedores(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A necessidade de reduzir a quantidade de carros particulares nas vias é um ponto que une os diferentes debatedores (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
São Paulo —Feira Latinoamericana do Transporte (Lat.Bus) promoveu, nesta quarta (1º/8), um debate com representantes de quatro candidatos à Presidência da República sobre transporte público.
 
Nomes ligados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Geraldo Alckmin (PSDB), Manuela D'Ávilla (PCdoB) e Henrique Meirelles (MDB) apresentaram propostas para solucionar os gargalos de mobilidade nas cidades brasileiras. Veja a seguir o que cada um defendeu. 

Jilmar Tatto, representante de Lula (PT)

"Precisamos articular os vários modais de transporte, como ferrovias, aquavias e rodovias. O Brasil tem em torno de US$ 360 bilhões no fundo soberano. Especialistas e economistas afirmam que são necessários apenas US$ 320 bilhões. Sugerimos pegar US$ 10 bilhões, criar um fundo e usar isso para investimento em infraestrutura. Além disso, realizar a hierarquização, priorizando o pedestre. O transporte ativo, como a bicicleta, é um direito. O usuário tem que ser o privilegiado. Defendo que o transporte público seja um direito universal. Acho que essa discussão de gratuidade é falsa. O que está gratuito não deve ser mexido mais."

Jurandir Fernandes, representante de Alckmin (PSDB)

"O volume de carros e transportes sob demanda ganham protagonismo. Temos que nos vincular à nova realidade. Podemos trabalhar com linhas sobrepostas, fazendo a junção de linhas, evitando quilometragem morta. Muitos insistem em um rebaixamento de tarifas, mas defendemos o aumento da produtividade e, com isso, a queda da tarifa. Não se deve tirar os direitos, mas, muitas vezes, foram garantidos benefícios desnecessários. Nem todos que têm mais de 60 anos precisam ser premiados. Essa questão precisa ser vista também sob o prisma da economia. Não tem nada de 'gratuidade'. Alguém vai pagar. Diversos países que tentaram adotar esse benefício integral tiveram uso aloprado e sem racionalidade. Precisamos buscar receitas extras. Além disso, não podemos deixar que o automóvel ocupe todo o espaço urbano. Para isso, precisamos encarecer o uso dele, investindo em mais ciclovias, faixas livres, causando custos para que o próprio cidadão desista do veículo."


Fagner Fajardo, representante de Manuela D’Ávila (PCdoB)

"A luta pela reforma urbana teve questões importantes, mobilizando movimentos de moradias nas últimas décadas. O Governo Federal não pode se isentar desse debate. Precisa participar e se articular. Precisamos inverter a lógica do transporte individual. O transporte público leva as pessoas a terem direito à cultura, ao divertimento e ao lazer. Além disso, não concordamos com a ideia de transformar a gratuitidade de tarifas em vilão. É uma conquista de direitos. Temos que viabilizar sua ampliação. Não se pode jogar para a tarifa isso, mas também não vamos reduzir seu espectro. A mobilidade do transporte é essencial para terminar com a exclusão do Estado."


Tarcísio Gomes, representante de Henrique Meirelles (MDB)

"A prioridade do transporte não motorizado deve ir além da previsão legal, a partir da demarcação de faixas exclusivas, criação de corredores exclusivos e aumento da cobrança de estacionamento, desestimulando o uso do carro. É necessário iniciativas governamentais que considerem a integração de políticas públicas. Tudo tem que ser pensado. As isenções fiscais dos carros fomentaram a indústria, mas trouxe deseconomia. E essa visão integradora precisa de um ajuste, de alguma reformulação, para se adequar ao contexto atual. A desoneração da cadeia de transporte seria melhor do que aumento de tributos no setor, por exemplo. É preciso trabalhar de forma inteligente. Acho que o corte de tarifas tem que ser analisado com cuidado. Temos que observar o critério da renda. Existem aqueles que são alvos dos benefícios, mas podem pagar."
 
*Estagiário sob supervisão de Humberto Rezende. O repórter viajou à convite da NTU.

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