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Correio Braziliense

Ataque na Arábia Saudita: Petrobras não reajustará preço do combustível

Estatal lançou nota para dizer que vai avaliar a variação do mercado nos próximos dias antes de reajustar gasolina


postado em 17/09/2019 11:21

Após o ataque, os postos de gasolina do Distrito Federal começaram a praticar aumentos(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
Após o ataque, os postos de gasolina do Distrito Federal começaram a praticar aumentos (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

Apesar de ter dito que não se manifestaria sobre os preços dos combustíveis durante a maior parte da segunda-feira (16/9), a Petrobras divulgou uma nota, às 22h50, afirmando que não fará reajustes “por enquanto”. A estatal disse, contudo, que “segue com o processo de monitoramento do mercado internacional”. As ações da petroleira, que fecharam o dia com alta acima de 4%, abriram o pregão desta terça-feira (17/9) em queda. Às 10h54, as ordinárias estavam em -2,23% e as preferenciais em -2,17%.  

 

Mesmo sem aumentos previstos nas refinarias, os postos de gasolina do Distrito Federal começaram a praticar aumentos após o barril de petróleo ter passado dos US$ 70 por conta dos ataques terroristas a instalações da Saudi Aramco, na Arábia Saudita, no fim de semana. Em um estabelecimento, o litro da gasolina passou de R$ 4,45.

 

Na nota, a Petrobras ressaltou que, de acordo com suas práticas de precificação vigentes, não há periodicidade pré-definida para aplicação de reajustes. “Reconhecendo que o mercado de preços de Petróleo apresenta volatilidade e que a reação súbita dos preços ao evento ocorrido pode ser atenuada na medida em que maiores esclarecimentos sobre o impacto na produção mundial sejam conhecidos, a Petrobras decidiu por acompanhar a variação do mercado nos próximos dias  e não fazer um ajuste de forma imediata.”

 

A cotação do petróleo disparou 20% nos mercados internacionais depois dos atentados, que fizeram a produção de 5,7 milhões de barris de petróleo por dia fosse interrompida na Arábia Saudita. O volume representa 6% do consumo diário do combustível no mundo e 50% da produção local. Na segunda-feira, o barril do tipo Brent chegou a US$ 71,95 no começo da sessão, um avanço de 19,5%, maior alta intradiária desde 1991, durante a Guerra do Golfo. No fechamento, contudo, a valorização ficou em 14,6%, cotado em US$ 69,02.

 

Aumento de 10% 

Se o valor permanecer nesse patamar, segundo o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, o impacto pode ser um aumento de 8% a 10% nos combustíveis derivados do petróleo no Brasil. No entanto, a Petrobras decidiu esperar, reflexo do temor de uma nova greve de caminhoneiros, avaliou.

 

A petroleira brasileira tem evitado repassar a volatilidade dos preços internacionais do petróleo para os combustíveis. Do início de agosto até agora, a empresa fez apenas três ajustes no diesel e quatro na gasolina. “O momento é de esperar a poeira baixar, para ver o nível de preço que o barril vai ficar. É preciso avaliar a retomada da Arábia Saudita, o efeito das entradas de estoques dos EUA e de outros países produtores”, disse.

 

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e de Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF), Paulo Tavares, disse que a justificativa para os aumentos é uma guerra de preços entre os postos. Ele ressaltou que a margem de lucro dos revendedores de combustíveis é muito baixa, principalmente quando relacionada com a carga tributária do setor. “Quem estava vendendo a R$ 4,09, tem 2% de lucro por litro. Quem vende à R$ 4,40, tem 10%. É uma margem de lucro bruto muito aquém do que recomenda o próprio governo”, disse. 

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