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Correio Braziliense

Gasolina supera a barreira dos R$ 4,40 e assusta os consumidores

Mesmo após anúncio da Petrobras em não reajustar os preços imediatamente, postos do DF mantém aumento


postado em 17/09/2019 21:10 / atualizado em 17/09/2019 21:27

(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
Mesmo depois da Petrobras anunciar que não fará reajuste imediato nos preços das refinarias, postos de gasolina do Distrito Federal mantém preços mais altos. Dos 31 postos visitados pelo Correio nesta terça-feira (17/9), oito aumentaram os valores e sete diminuíram. A variação ocorreu depois do ataque ocorrido nas instalações da Saudi Aramco, no fim de semana. Os preços em Brasília chegaram a R$ 4,45 na segunda (16/9).

Nesta terça-feira, o litro de gasolina mais caro encontrado foi na Asa Norte, pelo preço de R$ 4,41, e o mais barato em Taguatinga, por R$ 4,07. Ainda assim, os consumidores temem uma elevação de preços e, para quem utiliza o automóvel como ferramenta de trabalho, essa instabilidade significa insegurança. O motoboy Idelbrando de Sousa, 42 anos, morador do Valparaíso, disse que esperou para ver se o preço baixava, mas quando chegou no posto se deparou com um preço R$ 0,20 mais caro que no dia anterior. "Estou colocando aos poucos e a noite vou procurar um [posto] mais em conta", afirmou.

O motorista de aplicativo Matheus Alves, 23, morador do Gama, disse que viajou para outra cidade na sexta-feira passada e voltou com a gasolina R$ 0,40 mais cara, o que dá muita diferença no fim das suas corridas diárias. “Estou abastecendo sempre que vejo um lugar mais barato só para não ficar na mão”, lamentou.

"O aumento nos preços de gasolina do Distrito Federal não tem relação direta com o ocorrido na Arábia Saudita", afirmou Paulo Roberto Corrêa Tavares, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e de Lubrificantes do DF (Sindicombustíveis) após dois dias de variação nas bombas da capital federal. 

Tavares explicou que a variação se deu em virtude de as refinarias terem aumentado preços para as distribuidoras e repassados aos revendedores em agosto deste ano com o valor mais alto. Segundo ele, o combustível poderia ter aumentado para até R$ 4,59. Porém, devido à competição entre os postos, os donos mantiveram o preço e, de certa forma, até reduziram poucos centavos. Entretanto, por conta da baixa no estoque e aumento no preço para o revendedor, os donos dos postos tiveram que recompor suas reservas por um preço mais elevado. “E mesmo assim, promoções não duram muito tempo”, afirmou. 

O presidente do Sindicombustíveis afirmou que desde quarta passada os postos começaram a recompor seus preços, e acabou tendo coincidência com o ocorrido na Arábia Saudita, mas, segundo ele foi apenas uma eventualidade. "Aí há um reboliço na cidade porque as pessoas pensam que uma coisa tem a ver com a outra, mas não tem", garantiu. 

Sobre a questão do etanol ser uma alternativa, Tavares apontou que a alíquota desse combustível é muito alta, e por isso não é tão vantajoso. "Creio que o etanol seja uma das melhores saídas para o consumidor abastecer gastando menos, porém, se houver uma demanda muito alta do produto, também poderemos ter aumento de preços. Lei da oferta e procura", disse.  

Tavares ainda afirmou que o setor depende de uma política de preços melhor ajustada pelo governo federal para definir tabelas. Eles aguardam a posição da Petrobras e uma possível intervenção do executivo federal após os fatos ocorridos.

Interdição em postos

No primeiro semestre deste ano, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou 1.654 autos de infração, 526 autos de interdição e 118 autos de apreensão em postos de gasolina. A agência faz ações de campo para confirmar essas suspeitas e, quando constata a prática de preços abusivos, atua em conjunto com os Procons para penalizar os infratores. As denúncias podem ser feitas pelo 0800 da ANP: 0800 970 0267.

* Estagiária sob supervisão de Leonardo Cavalcanti

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