Economia

Contrário à proposta, Guedes diz que Pró-Brasil é apenas ''estudo''

Ministro concluiu que o Brasil até pode aumentar o investimento em áreas prioritárias como a infraestrutura, mas não de forma desalinhada ao controle dos gastos públicos

Marina Barbosa
postado em 27/04/2020 10:53

Paulo Guedes e BolsonaroNa saída do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes foram questionados se é possível alinhar o teto de gastos defendido pelo chefe da Economia com o plano da Casa Civil, que prevê investimentos públicos bilionários no processo de recuperação econômica do pós-coronavírus.

Bolsonaro disse que "não fala pelo Guedes. Ele que fala por mim nessa questão". O ministro reforçou que "no nosso entendimento, os investimentos virão de fora, porque a pauta de reforma segue ali na frente". O ministro da Economia indicou ainda que o Pró-Brasil trata apenas de "estudos na área de infraestrutura e construção civil", que podem ser limitados ao teto de gastos público.


"Estudos adicionais para ajudar nessa arrancada que vamos fazer. Mas vai fazer dentro do programa de recuperação de estabilidade fiscal nossa. Não queremos virar uma Argentina, uma Venezuela. Estamos em outro caminho. Estamos no caminho da prosperidade, não no caminho do desespero", alfinetou.

Guedes concluiu, então, que o Brasil até pode aumentar o investimento em áreas prioritárias como a infraestrutura, mas não de forma desalinhada ao controle dos gastos públicos. "O que não podemos fazer é um plano nacional de desenvolvimento, como era antigamente, porque nossa direção é outra. O excesso de gastos do governo corrompeu a democracia brasileira, estagnou a economia brasileira", afirmou, referindo-se ao Pró-Brasil, que foi comparado por economistas liberais ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) dos governos do PT.

"O presidente tem isso claro. É um homem determinado, firme. Sabe por onde está indo. Sempre dentro da responsabilidade fiscal", emendou Guedes.

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto reforçou que estava ali para defender a manutenção do teto fiscal. "Trouxemos a preocupação de que é importante manter a disciplina fiscal. É o que vai permitir o Brasil viver com juros baixos e inflação controlada", alertou.

Já o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, que esteve ao lado da Casa Civil na apresentação do Pró-Brasil, evitou falar sobre os detalhes do plano. Ele só garantiu que a agenda de concessões do setor de infraestrutura, que é defendida pela sua pasta e também pela de Guedes, segue de pé.

"A gente vem falando com investidores nacionais e estrangeiros. Todo mundo está empolgado com o programa de concessões. [...] O investidor só está esperando para ver as melhores oportunidades. E nós vamos seguir firme com nosso programa de concessões. Em breve vamos publicar os primeiros editais", afirmou Freitas. Segundo o ministro, serão publicados nesta ano os editais de concessão de dois terminais de celulose do Porto de Santos.

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