Brasília adere à cultura da gastronomia urbana

Novo hábito brasiliense é inspirado em manifestação gastronômica urbana da Europa e estados Unidos, com eventos em ambientes inusitados com porções menores e a preços mais acessíveis

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 21/04/2014 07:00 / atualizado em 20/04/2014 19:07

Comer churrasquinho na rua, cachorro quente ou pastel é uma tradição brasileira de muito tempo. Mas a cultura da gastronomia urbana de países como Inglaterra, França e Estados Unidos, está cada vez mais conquistando os brasiliense. A diferença entre a comida de rua e a gastronomia urbana vai além da nomenclatura. O diferencial é a degustação. Ao invés de comer para saciar a vontade, os moradores da cidade estão adquirindo hábitos de apreciadores da boa alimentação, mas sem esquecer de exigir qualidade, requinte e uma conexão com a paisagem urbana.


Não se trata apenas de comer comidas européias e norte-americanas de forma requintada, mas de apreciar desde nosso tradicional churrasquinho, ao francês Coq au vin, com a segurança da qualidade dos alimentos, além do requinte do serviço prestado. E isso vem fazendo a diferença entre os brasilienses. Cada vez mais, o bom serviço prestado se alia à alimentação e tudo é oferecido fora das convencionais quatro paredes dos restaurantes, mas com o mesmo requinte e qualidade.

Um exemplo desse novo hábito brasiliense pode ser percebido durante a segunda edição do evento Quitutes, que aconteceu no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em 29 de março. Cerca de 15 mil pessoas passaram pelo local. Trinta renomados chefs da cidade prepararam os apetitosos pratos servidos nos restaurantes tradicionalmente conhecidos pela qualidade do cardápio de Brasília. Ao som de bandas e com menu variado e ao alcance de todos, famílias inteiras levaram toalhas para estender no gramado e fazer um verdadeiro picnic. Pessoas de várias idades e de todas as tribos se reuniram em pequenas rodas com grupos de amigos para degustar os quitutes dos chefs.

A manifestação gastronômica em algum ambiente inusitado, com porções menores e a preços mais acessíveis, começou ha 10 anos atrás, em Londres, após a primeira edição do chamado “Taste of London”. Considerado atualmente o maior festival do mundo, o evento reúne todos os anos grandes restaurantes da cidade com menus a preços baixos, e até aula com os grandes chefs. Em Paris, para comemorar a chegada na primavera, anualmente os chefs fazem uma manifestação gastronômica que atrai inúmeros clientes e turistas.

O chef Sebastián Passaroli coordena o curso superior de gastronomia em Brasília e aponta as mudanças de hábitos dos brasilienses como o reflexo desse conhecido hábito europeu. “Cerca de 80% das pessoas que assistem a programas de televisão que falam sobre gastronomia são meramente telespectadores e assistem porque gostam de ver, mas apenas os outros 20% dos que assistem fazem algum dos pratos. Esse hábito, de alguma maneira, fez com que o público ficasse exigente na hora de sentar e comer”, avalia.

Janine Moraes/CB/D.A Press


Para Passaroli, o movimento da gastronomia urbana vem crescendo, mas ainda é preciso criar uma cultura de cuidados para um serviço de qualidade. Segundo ele, isso passa pela educação com relação aos cuidados sanitários. “Estamos engatinhando nessa evolução cultural da gastronomia de rua com a qualidade e dedicação ao bem-estar da população. Isso é educação e não existe educação se não houver fiscalização, porque a cultura já existe e está em evolução”.

Jaime Recena é presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-DF) e conhece bem o setor. Para ele, eventos gastronômicos em Brasília são reflexo da evolução do mercado, que cada vez mais está buscando inovação. “É um movimento admirável porque promove o acesso a gastronomia e proporciona algo diferente ao consumidor, com preços atrativos com a possibilidade da porção reduzida, além de permitir que se experimente várias outras opções de pratos”, ressalta.



Nos Estados Unidos, os “Food Trucks” são tradicionais nos serviços ambulantes, mas com a qualidade que oferecem. No Brasil começam a tomar novo formato e saem da singela carrocinha de cachorro quente para verdadeiras boutiques gastronômicas de rua. Exemplo disso é a conhecida Buzina Food Truck, criado pelos publicitários e chefs Márcio Silva e Jorge Gonzalez. É uma caminhonete equipada com tanque para detritos, duas geladeiras, chapa, fogão, geladeira industrial, coifa e certificado da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com uma equipe de quatro funcionários, são servidas cerca de 150 a 200 refeições por dia em São Paulo.

Em Brasília, o Bruger Truck é um modelo de food truck e considerado o primeiro do ramo no DF. O veículo também participou do evento Quitutes do CCBB e já está em circulação pela cidade oferecendo hambúrguer de qualidade e requinte de grife gastronômica.

Diane Lourenço/Esp./CB/D.A Press


O presidente da Abrasel ressalta que apesar de também fazer parte das manifestações de gastronomia urbana, os food trucks apresentam conceito diferente dos eventos gastronômicos urbanos. “Os food trucks são a evolução desse tipo de mercado ambulante, mas precisam de legislação específica, como uma alternativa para trazer para a formalidade com mais tecnologia, qualidade e com qualidade sanitária e melhor apresentação”, destaca.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.