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Correio Braziliense

Clássico e contemporâneo interligam-se nas ciências humanas do Enem

Em live, professores Edivaldo Monte e Robson Lucas, do Sigma, ressaltaram a importância de estabelecer conexões entre passado e presente no exame


postado em 17/10/2019 18:19 / atualizado em 18/10/2019 11:50

A live semanal do Correio para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tratou, nesta quinta-feira (17), da prova de ciências humanas e suas tecnologias. Os convidados foram os professores Edivaldo Monte (sociologia e filosofia) e Robson Lucas (geografia), do Centro Educacional Sigma. Além das disciplinas que ministram, os professores debateram também como as atualidades figuram no exame. Para eles, o que está no noticiário e no debate público é caro ao Enem, mas é fundamental a capacidade de conexão deles com os temas clássicos científicos.

As disciplinas que compõem as 45 questões de humanas – geografia, história, filosofia e sociologia – surgem de modo interdisciplinar e podem alcançar até mesmo outras áreas do exame, como a redação. Segundo Edivaldo, o candidato pode encontrar nas matérias que leciona o embasamento e referência para a argumentação escrita. “Você tem na filosofia e sociologia um leque de possibilidades de fundamentação teórica”, garante. 

“Pense em Aristóteles: ele defende, na cidade, o espaço de construção da autonomia a partir da participação do indivíduo como responsável pelo bem da comunidade. Kant, por sua vez, escreveu, ainda no século 18, uma obra que sustenta que a natureza deu ao indivíduo a autonomia. Ele é dotado de entendimento, que pode levá-lo à liberdade e autonomia”, exemplifica Edivaldo. “Em sociologia, os grandes temas abordam luta pela liberdade, movimentos sociais, ecologia, luta pela construção da cidadania e participação política, a partir do século 18, com o iluminismo”, completa.
O professor do Sigma faz uma ponte com o século 20, citando autores que figuraram em edições anteriores do exame. “De imediato, penso em dois pensadores: Foucault, que estudou a história da loucura e desenvolveu a ideia central de que os homens, muitas vezes, são loucos porque são vítimas da razão. Outro autor fantástico é Baumann, que fala do medo do presente e expectativa do futuro em uma sociedade onde tudo é escorregadio. A ausência de um chão físico para pensar, com enraizamento cultural e moral.”

Ciência 

O professor Robson aponta a importância do candidato ter sedimentado os conceitos e definições clássicos das disciplinas humanas. Sem isso, nada feito. “Dentro do clássico, você puxa as atualidades. Se você entende balança comercial, superávit e blocos economicos, tem as ferramentas para compreeender o Brexit”, exemplifica ele, lembrando a saída do Reino Unido da União Europeia, que movimenta os protagonistas políticos, diariamente, desde o referendo popular de 2016. “Como entender o Brexit sem entender a composição política e econômica da União Europeia?”, questiona.

Professor Edivaldo (e) e Robson: atenção ao contemporâneo e ao antigo(foto: Lanna Silveira/Esp. CB/D.A Press)
Professor Edivaldo (e) e Robson: atenção ao contemporâneo e ao antigo (foto: Lanna Silveira/Esp. CB/D.A Press)
Edivaldo, autor de artigo publicado pelo Correio que aborda a relação entre contemporâneo e clássico, também ressalta a importância de conectá-los. “É fundamental uma base. Na filosofia, é preciso partir do clássico. O pensamento pré-socrático discute temas atualíssimos”, exemplifica. 

Ele cita Heráclito, filósofo pré-socrático tido como fundador da dialética. “Ele apresenta o uso do fogo como metáfora para a mudança, como elemento primordial para explicar o devir e o jogo dos contrários. Ora, se pensarmos no mundo contemporâneo, os autores partem disso”, observa ele, lembrando novamente de Baumann. “Hoje, há uma decepção muito grande da humanidade. O homem não consegue explicar mais o mundo como fazia antes. Se você não tem a ideia de ruptura de paradigmas já posta na antiguidade, não chegará ao contemporâneo com facilidade.”

Migração

No levantamento de atualidades para o Enem, é comum serem citadas as situações de conflitos que envolvem migração, xenofobia e religião. “São temas que podemos apostar que vão cair”, garante Robson Lucas. Neles, dialoga-se, ainda, com urbanização, indústria, mobilidade e movimento pendular. “Hoje, a mobilidade populacional é um dos temas mais modernos. Na Europa e Brasil, há um histórico maravilhoso de debate a respeito.”

O professor traz a questão para dentro da realidade do Distrito Federal. “Movimento pendular é o deslocamento, porque há grande fluxo de trabalhadores, digamos, de Valparaíso para Brasília.” Com o tempo, uma região como Valparaíso começa a criar seu próprio polo comercial, de modo que deixe de ser cidade-dormitório e passe a ser local de morar e produzir. “Tudo isso dialoga muito com sociologia, porque pensa as desigualdades e estratificações sociais”, finaliza Edivaldo Monte.

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