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Correio Braziliense

Estudantes ocupam W3 Sul em protesto contra aumento de passagens

A manifestação foi convocada pelo Movimento Passe Livre. GDF argumenta que aumento da tarifa é necessário


postado em 14/01/2020 20:19 / atualizado em 14/01/2020 22:16

(foto: Matheus Ferrari/CB/D.A Press)
(foto: Matheus Ferrari/CB/D.A Press)
Dezenas de pessoas, a grande maioria estudantes, ocuparam pistas da W3 Sul por volta das 19h desta terça-feira (14/1), para protestar contra o aumento das passagens de ônibus no Distrito Federal. A manifestação foi convocada, por meio das redes sociais, pelo Movimento Passe Livre (MPL). 

Depois de se reunirem na Praça do Índio, os manifestantes iniciaram uma passeata e ocuparam as três faixas da W3 Sul que seguem para a Asa Norte, com o objetivo de chegar à Rodoviária do Plano Piloto, onde o ato se encerrou sem registros de ocorrência. 

A Polícia Militar do Distrito Federal, que observa a manifestação, tenta liberar ao menos a faixa exclusiva, o que ocorreu durante algum tempo, permitindo a passagem de alguns ônibus. Pouco depois, no entanto, a pista exclusiva voltou a ser ocupada.



 
 
Moradora do Riacho Fundo 2, Letícia dos Santos, 21 anos, estudante do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília (IFB), em São Sebastião, conta que chega a pegar cinco ônibus por dia, e por isso considera o aumento injusto. 

"No serviço que é oferecido pra gente, os ônibus não passam nos horários certos. Nas férias, não há transporte suficiente. Em menos de três anos, já tivemos outros reajustes. Eu, inclusive, tive que sair de um emprego porque teria que pagar mais do meu bolso pela passagem. O vale-transporte não era suficiente. Com esses 50 centavos a mais, todo meu orçamento é alterado", disse.
 
Ver galeria . 10 Fotos Matheus Ferrari/ CB/ DAPress
(foto: Matheus Ferrari/ CB/ DAPress )
 

Ana Christian, 22 anos, estudante de história da Universidade de Brasília (UnB), também protestava. "A tarifa do DF é muito alta e o transporte não tem qualidade alguma. Preciso pegar quatro transportes porque não tem ônibus direto para a universidade. Tem um ou outro. Então, não atende. Eles falam em renovar frota. É importante, mas precisa aumentar. E isso não acontece", disse a moradora do Recanto das Emas.
 
Nas redes sociais, o assunto ficou entre os mais comentados. Com a hashtag #550éumassalto, os internautas mostraram a indiganação com o aumento das passagens. Confira alguns tuítes.  
 
 
 

GDF diz que aumento é necessário

O protesto ocorre um dia depois de a tarifa ser aumentada em 10%. O reajuste foi feito em todas as modalidades. Viagens de metrô e de ônibus de integração, que custavam R$ 5, passaram para R$ 5,50. Os ônibus de R$ 3,50 agora custam R$ 3,85, e as passagens de R$ 2,50 foram para R$ 2,75. 

O Governo do Distrito Federal (GDF) defende que o reajuste é necessário para diminuir o deficit no setor. Segundo o secretário de Transporte e Mobilidade, Valter Casimiro, a dívida do GDF com empresas de ônibus chega a R$ 247 milhões. O GDF afirma ainda que segurou o aumento realmente necessário (16,19%) para evitar maior impacto à população.

Nesta terça-feira, um pouco antes da manifestação, o governador Ibaneis Rocha voltou a defender a necessidade do aumento e a dizer que ele foi abaixo do necessário. 

"No ano passado, nós quase não conseguimos fechar as contas do transporte no fim do ano. Tivemos que fazer modificações, tirando de outros lugares para pagar as empresas, caso contrário elas não teriam como pagar o 13º", afirmou Ibaneis, durante a cerimônia para início das obras do Túnel Rodoviário de Taguatinga, na Praça do Relógio. 

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