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Começa ensino remoto obrigatório para estudantes da rede pública

Com volta às aulas presenciais programada para agosto, mais de 470 mil alunos procuram se adaptar às atividades on-line obrigatórias do ano letivo

Lorena Fraga*
postado em 13/07/2020 21:00
 (foto: Pixabay/Divulgação)
(foto: Pixabay/Divulgação)
O ano letivo das escolas públicas do Distrito Federal foi retomada nesta segunda-feira (13/7) de modo remoto, por meio do programa Escola em Casa DF, que passou a ser obrigatório para os alunos. A partir desta data, quem não acompanhar as atividades a distância levará falta. Dados pré-apurados pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) mostram que se cadastraram na plataforma Google Sala de Aula mais de 470 mil estudantes e 72 mil profissionais da educação.
Ensino remoto obrigatório começou hoje, mas volta presencial já está marcada
Último balanço da pasta registrou mais de 2.523.711 acessos ao programa e contabilizou 600.159 posts de professores e 32.167 de estudantes. A partir desta segunda-feira (13/7), a comunidade escolar também passou a contar com um norte mais definido com relação ao retorno presencial, pois a SEE-DF divulgou o calendário da volta escalonada a partir de 31 de agosto.

Como foi o primeiro dia remoto?

Para Leonardo Ruan Cândido, 20 anos, estudante do 3; ano do ensino médio do Centro de Ensino Médio (CEM) 304 de Samambaia Sul, o primeiro dia de aulas remotas foi tranquilo. ;Eu não tive nenhuma dificuldade nas aulas, os conteúdos que os meus professores colocam são muito bons. Dá para aprender e muito;, conta. E ele espera que continue assim. ;Minhas expectativas para o ensino remoto estão lá em cima.;

Leonardo acompanha as atividades pelo notebook, mas o que ajudou mesmo foi o fato de que ele tinha conhecimento prévio na plataforma. ;No 2; ano, eu tinha muita dificuldade para mandar tarefas. A minha professora de biologia só queria que a gente pegasse os conteúdos por meio do Google Sala de Aula e, com o tempo, fui me acostumando;, relata.

Letícia conta que matérias que eram difíceis, como matemática, ficaram ainda mais desafiadoras a distânciaLetícia Barboza de Araújo, 14, cursa o 9; ano do ensino fundamental no Centro Educacional (CED) 3 do Guará 2 e não compartilha da empolgação de Leonardo. Para ela, as dificuldades da EAD (educação a distância) só se agravarão com o tempo. ;Em matérias como matemática, será mais difícil. Até na sala com o professor ao nosso lado, tínhamos dúvidas...;, explica.

;Agora, então, acho que ficará um pouco mais complicado, pois são muitas turmas que requerem a atenção do professor ao mesmo tempo;, desabafa. Ela também relata que, no momento, os docentes estão passando somente atividades já que ainda existem alunos na turma que não conseguiram acesso para acompanhar videoaulas ou encontros no Google Meet. Segundo Letícia, essa dinâmica facilita para algumas matérias, mas complica para outras.

;Eu sinto que, no geral, estou sendo prejudicada de certa forma, pois ficamos bastante tempo sem atividades. Algumas das matérias que os professores passam em slides consigo entender; outras, não, pois o conteúdo dos slides às vezes não fica muito claro;, afirma.

Marinheiros de primeira viagem

Para muitos alunos, a EAD emergencial da pandemia é a primeira experiência com o formato. O mesmo é válido para os educadores. A pesquisa ;Trabalho docente em tempos de pandemia; revelou que 89% dos professores não tinham experiência com aulas remotas antes da crise sanitária.

O estudo foi feito pelo Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho Docente da Universidade Federal de Minas Gerais (Gestrado/UFMG) e pelo Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e mostra que, para complicar, 42% desses profissionais seguem sem treinamento para as aulas. Para 21%, é difícil ou muito difícil lidar com tecnologias digitais.

Volta presencial marcada

Os desafios de lidar com a EAD forçada são muitos. Assim, mesmo quem está passando por grandes obstáculos pode se confortar ao saber que o formato remoto já tem data para acabar. A Secretaria de Estado e Educação divulgou o cronograma de volta as aulas presenciais escalonada. Entre 3 e 14 de agosto, os professores da rede pública serão testados para covid-19.

De 17 a 28 de agosto, ocorrerá a ambientação presencial dos profissionais das carreiras magistério e assistência, com formação para os protocolos de segurança nas unidades escolares, de acordo com as orientações das autoridades de saúde pública. Para 31 de agosto, está previsto o retorno do primeiro grupo de estudantes, com a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e a educação profissional.

Em 8 de setembro, será a vez do ensino médio e, em 14 de setembro, retornam os estudantes dos anos finais do ensino fundamental, incluindo a escola do Parque da Cidade (PROEM). Em 21 de setembro, voltam as turmas dos anos iniciais do ensino fundamental, incluindo a Escola Meninos e Meninas do Parque.

A educação infantil retorna em 28 de setembro. Por último, ficarão os centros de ensino especial, a educação precoce e as classes especiais, com retorno em 5 de outubro. Os centros interescolares de línguas (CILs) e as escolas continuarão com atividades exclusivamente remotas. Além dos pertencentes aos grupos de risco, que não voltarão.

As escolas estão prontas para aulas presenciais?

Segundo uma pesquisa do Instituto Crescer, as escolas brasileiras não estão preparadas para o retorno às atividades fisicamente. Apenas 17,7% das instituições públicas e 36,2% das particulares estariam preparadas para suportar o momento atual e o pós-pandemia; além disso 55,5% dos profissionais da educação ainda não têm ideia de como seguirão no contexto pós-coronavírus.

Mesmo assim, a Secretaria de Educação do DF se prepara para garantir uma volta segura e gradual. A organização seguirá o modelo de ensino híbrido, com distanciamento físico necessário, tendo metade dos estudantes de cada turma indo à escola presencialmente em uma semana, enquanto os demais farão atividades virtuais ou impressas. Na semana seguinte, os grupos se invertem. A alternância irá até o fim do ano letivo, em janeiro.


*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

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