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Correio Braziliense

UnB está entre as melhores universidades do mundo

Ranking feito por universidade de Shangai cita instituição em 10 áreas


postado em 03/07/2019 12:19 / atualizado em 08/07/2019 15:45

A Universidade de Brasília (UnB) está entre as 500 melhores do mundo em 10 áreas de concentração. É o que diz o Global Ranking of Academic Subjects (Gras), divulgado no último dia 26 pela Shanghai Jiao Tong University. O Gras 2019, um dos braços do ranking geral Academic Ranking of World Universities (Arwu), avaliou mais de 4 mil instituições de ensino em 54 áreas de concentração, divididas, sob nomenclatura própria, em ciências naturais, engenharias, ciências da vida, ciências médicas e ciências sociais.
 
 Vista aérea da UnB, com o Instituto Central de Ciências (ICC) ao centro. Nascida do sonho de educadores, como Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira, a instituição completou 57 anos em abril(foto: Beto Monteiro/Secom UnB)
Vista aérea da UnB, com o Instituto Central de Ciências (ICC) ao centro. Nascida do sonho de educadores, como Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira, a instituição completou 57 anos em abril (foto: Beto Monteiro/Secom UnB)
 
 
Só o fato de ser citado nas listas já é um grande feito, já que se trata de reconhecimento mundial. Dentro de cada área de concentração, foram apresentadas, em ordem de classificação, 50 universidades. A partir da 51ª posição, elas foram agrupadas em faixas (51-75 e 76-100, por exemplo) e listadas em ordem alfabética. 
 
A UnB chega a aparecer nos rankings de matemática, ciências da terra e ecologia (ciências da natureza); ciências da agricultura e ciências veterinárias (ciências da vida); medicina clínica, saúde pública, dentística e ciências bucais (ciências médicas) e economia e ciência política (ciências sociais).
 
O ranking de Shanghai analisa os dados bibliométricos das bases de dados Web of Science e InCites, levando em consideração cinco indicadores: número de artigos publicados, impacto dos artigos indexados no Science Citation Index, extensão da colaboração internacional, número de artigos publicados em revistas de impacto e número de docentes premiados internacionalmente.

Avaliação de professores

“É crucial que a UnB apareça dessa maneira. É importantíssimo porque, internacionalmente, atrai redes e parcerias”, pontua a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Cláudia Naves David Amorim, diretora de Pesquisa do Decanato de Pesquisa e Inovação (DPI) da UnB. “Aparecer em rankings internacionais atrai investimentos e dá valor às pesquisas, levando a mais parceiros, além de consolidar, internamente, o trabalho que está sendo feito”, continua a professora. “Se estamos bem em determinado assunto, vamos mantê-lo como está.” 
 
 A diretora de Pesquisa do DPI/UnB, professora Cláudia Naves David Amorim, confia na visibilidade de rankings internacionais:
A diretora de Pesquisa do DPI/UnB, professora Cláudia Naves David Amorim, confia na visibilidade de rankings internacionais: "Atrai investimentos e dá valor às pesquisas." (foto: Divulgação/Secom UnB)
 
 
Para o docente Laudimar Alves de Oliveira, diretor da Faculdade de Ciências da Saúde (FS/UnB), destaques em rankings internacionais são positivos para a visibilidade das universidades, tanto internacionalmente quanto dentro da sociedade brasileira. “Ultimamente, discussões vêm sendo feitas em relação à viabilidade da universidade pública, da pesquisa e do investimento feito. A sociedade, muitas vezes, quer avaliar a relevância da instituição de maneira imediata”, observa o professor. “Os resultados para o país são permanentes. O conhecimento é o que há de mais nobre.”
 
A divulgação do Gras 2019 veio de encontro ao o que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, vem declarando sobre instituições federais desde o fim de abril, quando anunciou a redução de verbas da UnB, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Federal da Bahia (UFBA) por conta de baixo desempenho e “balbúrdia”.
 
O ministro ainda afirmou que as universidades deveriam melhorar o desempenho acadêmico e “estar bem no ranking”. Mais tarde, o corte foi estendido a todas unidades federais, inicialmente anunciado como 30% da verba total e, depois, 30% dos gastos não obrigatórios, o equivalente a mais de R$ 1,5 bilhão. O contingenciamento se estendeu também a outros institutos federais de educação, à concessão de bolsas e a programas ligados à educação básica. Tanto a UFF como a UFBA também conquistaram citações no GRAS 2019: foram 5 e 3 participações, respectivamente. 

Relevância reconhecida

Em matemática, ciências da terra e ecologia (ciências naturais), a UnB alcançou a mesma posição: a faixa entre as 301 e as 400 melhores, em uma lista com 500 instituições analisadas. Em ciências da agricultura (ciências da vida), a UnB ficou no último grupo (entre a 401ª e a 500ª posições). 
Em ciências veterinárias (ciências da vida), a instituição alcançou o grupo entre o 201º e o 300º lugares, de um total de 500 universidades. No campo da economia, a UnB e a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) são as únicas instituições brasileiras a aparecer na relação das 500 unidades analisadas, ambas no último grupo (401-500). 

Destaque na saúde

Na área da saúde, a UnB foi listada em três subtópicos: medicina clínica, saúde pública e dentística e ciências bucais. Nas duas primeiras áreas, a colocação foi a mesma: 201-300, em uma lista com 500 instituições.
 
Na temática odontológica, 27 universidades brasileiras foram citadas no Gras 2019, entre instituições públicas e privadas, em ranking com 500 nomes. A UnB ficou no grupo 151-200.
 
O bom desempenho da Faculdades de Ciências da Saúde (FS) e de Medicina (FM) no Ranking de Shangai não foi surpresa para a comunidade acadêmica(foto: Beto Monteiro/Secom UnB)
O bom desempenho da Faculdades de Ciências da Saúde (FS) e de Medicina (FM) no Ranking de Shangai não foi surpresa para a comunidade acadêmica (foto: Beto Monteiro/Secom UnB)
 
 
O professor Laudimar não se surpreendeu com o resultado. “A UnB é referência nacional e internacional justamente nessas áreas. O curso de odontologia, chamado de dentística e medicina bucal, tem muita força”, afirma. “Saúde pública, embora seja mais recente, também tem destaque porque a equipe que construiu o curso é bastante relevante. Alguns professores fizeram parte da construção do SUS (Sistema Único de Saúde), inclusive”, completa.
 
Professor Laudimar Alves de Oliveira, diretor da FS/UnB:
Professor Laudimar Alves de Oliveira, diretor da FS/UnB: "O conhecimento é o que há de mais nobre." (foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB)
 
 
O docente pondera que, apesar de ter apenas 57 anos de atividade, a UnB não deixa a desejar em desempenho, mesmo em comparação com o âmbito internacional. “A maneira como a UnB foi concebida, a partir do ponto de vista de uma universidade mais plural e voltada para as discussões políticas e sociais, faz com que o aspecto temporal seja de certa forma relativizado”, diz. “A sedimentação do conhecimento foi feita de maneira excelente, por equipes experientes”, justifica o professor.
 
A professora Cláudia observa que a flexibilidade e o dinamismo podem ser vantagens de uma universidade jovem. “Por um lado, quem tem mais estrada tem mais conhecimento acumulado e mais experiência para certos tipos de pesquisa. Por outro lado, as instituições mais novas têm mais ânimo para ir atrás de temas inovadores”, afirma. “Uma universidade mais jovem tem mais disposição do que uma tradicional para investir em pesquisas em áreas recentes.” 

Performance elogiada em ciência política

Em ranking com 400 instituições, apenas duas universidades do Brasil foram citadas na área de ciência política: a UnB e a Universidade de São Paulo (USP), que estão no último grupo (301-400). Para o professor Paulo Carlos Du Pin Calmon, do Instituto de Ciência Política (IPOL) da UnB, os resultados de rankings internacionais devem ser analisados com cuidado, ainda que apresentem aspectos positivos para a instituição.
 
Prédios de Ciência da Computação e Estatística (CIC/EST) e do Instituto de Ciência Política e Relações Internacionais (IPOL/IREL) da UnB, inaugurados em agosto de 2012(foto: Beatriz Ferraz/Secom UnB)
Prédios de Ciência da Computação e Estatística (CIC/EST) e do Instituto de Ciência Política e Relações Internacionais (IPOL/IREL) da UnB, inaugurados em agosto de 2012 (foto: Beatriz Ferraz/Secom UnB)

 
“Os rankings internacionais são importantes. Primeiro porque a comparação é feita com base em um conjunto muito específico de critérios e não abrange todos os aspectos da atuação das instituições”, aponta. “Além disso, há de se considerar que as universidades formam um universo muito heterogêneo e atuam em contextos muito distintos, o que dificulta a comparação.” 
 
O professor Paulo Calmon, do IPOL/UnB, defende cautela na análise de rankings:
O professor Paulo Calmon, do IPOL/UnB, defende cautela na análise de rankings: "Há de se considerar que as universidades formam um universo muito heterogêneo e atuam em contextos muito distintos." (foto: Arthur Mendescal/Esp. Correio/D.A Press)
 
 
Para o professor, a abordagem é mais justa quando reduzido o espectro de comparação. “Os rankings tendem a ser um pouco mais precisos quando comparam universidades de uma mesma região ou o desempenho dessas universidades numa mesma área do conhecimento”, pondera o docente. “E, nesse caso, cabe notar que a UnB se destaca entre as melhores universidades da América Latina em várias áreas do conhecimento”.

Desempenho brasileiro

Em 2019, os assuntos que mais tiveram universidades brasileiras estão nas ciências médicas e naturais. Ecologia e dentística e ciências bucais contaram com 27 instituições brasileiras cada, seguidas de ciências veterinárias, com 25 nomes, dos quais dois em posição de destaque: a USP, em 25ª, e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 34ª.
 
Em ciências da agricultura, USP e Unesp também estiveram entre os 50 primeiros lugares da lista com 500 nomes:  9º e 29º, respectivamente.
 
Na temática odontológica, a USP aparece na 9ª colocação e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na 50ª, em ranking com 500 instituições.
 
No campo de ciência alimentar, entre 300 universidades, a Unicamp ficou em 5º lugar e a USP, em 8º. Em biotecnologia, a USP conquistou a 36ª colocação entre 500 nomes. A  Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) figurou em 17º lugar em engenharia oceânica e marítima, em lista com 50 universidades. 
 
Dos 54 temas analisados pelo Gras 2019, o Brasil não teve nenhum representante em nove deles, todos de engenharia e ciências sociais: engenharia aeroespacial, ciência de transportes e tecnologia, sensor remoto, direito, sociologia, comunicação, finanças, administração pública e ciência da informação. No ano passado, o Brasil não teve nenhuma representante em 10 subcategorias.
 
A USP foi a universidade brasileira com mais citações no Gras 2019, um total de 42, seguida da Unicamp, com 27 menções, e da UFRJ, com 21. As três instituições brasileiras tiveram maior número de citações em engenharia: 17, 14 e 8, respectivamente. A UnB não aparece em nenhuma área de engenharia.

Saiba mais

O Academic Ranking of World Universities (Arwu) é divulgado pela Shanghai Jiao Tong University desde 2003. É considerado o primeiro ranking universitário mundial. Com periodicidade anual, foi concebido para comparar as condições das universidades chinesas em relação às do restante do mundo. Além da divulgação do ranking geral, são feitas listas por áreas (Arwu-Field) e por disciplinas (Global Ranking of Academic Subjects). O ranking por área começou a ser divulgado em 2007 e o por disciplina, em 2009.
 
A partir de 2018, foram incluídas duas novas disciplinas: oceanografia e ciências atmosféricas. A cada ano, são selecionadas instituições de cerca de 30 países. Para ser incluída em um ranking de assuntos, as universidades precisam ter um número mínimo de publicações de pesquisa. 
 
Das 54 áreas analisadas pelo ranking este ano, os Estados Unidos ocupa o 1º lugar em 35 delas. A China vem em seguida, com ‘vitória’ em 11 assuntos. Os países da União Europeia têm 6 topos.
 
A instituição com melhor desempenho em todo o ranking é a Universidade Harvard, com 14 figurações no 1º lugar, das quais sete são de ciências sociais, três de ciências médicas, dois de ciências da vida e dois de engenharia.
 
O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (em inglês, Massachusetts Institute of Technology — MIT) ocupa o topo em cinco assuntos, dos quais quatro são de engenharia. Outras universidades bem colocadas são a da Pensilvânia e a do Colorado, nos Estados Unidos, e a Nanyang Technological University, de Cingapura.

 
 

UnB entre as 200 melhores do mundo pós 2ª Guerra

O Times Higher Education (THE) Golden Age, que analisa as universidades fundadas depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), também foi divulgado na semana passada. A UnB ficou na faixa 151-200, junto à Universidade Federal do Ceará (UFC) e à UFBA.
 
A instituição brasileira mais bem classificada no THE Golden Age foi a Unicamp, na 67ª posição. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) ficaram na faixa 101-150.
 
Em 18 de junho, foi divulgado o THE geral. A UnB alcançou a 15ª posição no ranking das melhores universidades da América Latina. O Brasil tem 12 universidades entre as 20 melhores colocadas e 52 entre as 150 melhores.
 
No entanto, na edição do ano passado, o relatório dizia que “apesar do domínio regional contínuo, a situação econômica brasileira coloca o sistema de ensino superior em posição precária”. A avaliação do THE utiliza informações como número de citações em pesquisa, o nível de internacionalização, o grau de titulação dos professores, a transferência de conhecimento para a sociedade e outros aspectos.
 
 
 

*Estagiária sob supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa.

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