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Inep divulga conceito de cursos e instituições; UnB contesta resultado

Nota da Universidade de Brasília caiu de 5 para 4, e reitoria pretende entrar com recurso. No DF, nenhuma instituição conseguiu a nota máxima

Ana Paula Lisboa
postado em 12/12/2019 07:00

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulga, na manhã desta quinta-feira (12/12), dados do Conceito Preliminar de Curso (CPC) e do Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC) de 2018. O primeiro traz resultados sobre as 27 áreas de graduação avaliadas por meio do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) do ano passado e de outros indicadores no ano passado. Já o IGC consiste num ;panorama; sobre 2.052 instituições de ensino superior (IES), avaliadas ao longo do triênio 2016-2018, por meio de 23.228 cursos.

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Entre as 39 IES do Centro-Oeste consideradas, 69,2% alcançaram o conceito máximo, igual a 5. Outras 15% tiveram nota 3 e mais 15%, nota 4. No rol dos estabelecimentos mais bem conceituados, chama a atenção o fato de a Universidade de Brasília (UnB) não aparecer desta vez. O IGC da UnB caiu de 5 para 4. Com relação aos cursos da universidade avaliados no CPC, nenhum alcançou conceito 5. Dos 17 bacharelados da UnB considerados na amostra, apenas um obteve nota 3 (administração pública), e o restante conquistou média 4.

Confira o desempenho de todas as instituições de ensino superior do DF avaliadas no IGC 2018.

UnB contesta o resultado

A Reitoria da UnB encarou o resultado do IGC como surpresa negativa e contesta os números. ;A Universidade de Brasília não reconhece o resultado da avaliação, que rebaixou a instituição por um centésimo. A UnB vai recorrer de forma veemente", declarou a Administração Superior em nota enviada por e-mail. Durante encontro técnico com jornalistas na quarta-feira (11/12), Fernanda Marsaro, coordenadora-geral de Controle de Qualidade da Educação Superior do Inep, informou que as instituições de ensino já tiveram acesso aos dados e período para manifestação ou recurso.

Com relação a isso, a Administração Superior se manifestou por meio de outra nota. Confira:

;A Universidade de Brasília ficou a um milésimo da nota 5 no IGC. As instituições com nota igual ou superior a 3,945 ficam com 5, e a instituição teve 3,944. Ainda não está claro o que causou a diminuição, especialmente porque a UnB vem em uma trajetória ascendente nesta avaliação. Também causa estranheza o fato de que a Universidade chegou a enviar um pedido de correção de alguns dados ao Inep, dentro do prazo, mas o mesmo foi indeferido. Dessa forma, a instituição vai fazer uma análise detalhada do resultado para, então, apresentar as contestações e recursos necessários.;

Desempenho por região
Nesta quinta-feira (12/12), a UnB voltou a se manifestar. Em nota enviada ao Eu, Estudante, a administração se disse indignada e apontou "erro grave" na avaliação de dois cursos de pós-graduação, que teriam recebido, equivocadamente, nota 0. A universidade disse ainda que informou sobre o erro em outubro passado, mas os dados não foram corrigidos.

Confira a manifestação na íntegra:

"A Universidade de Brasília recebeu com surpresa e indignação o resultado do Índice Geral de Cursos (IGC) do Inep. A instituição identificou erro grave nas notas atribuídas a dois cursos de pós-graduação (Biotecnologia e Biodiversidade e Ensino de Ciências). A pós-graduação tem influência de 50% no cálculo do conceito.

O erro foi reportado ao Inep em outubro, dentro do prazo recursal. O recurso apresentado pela UnB, porém, foi indeferido, e essa informação somente chegou à Universidade ontem, 11 de dezembro, mesma data da divulgação dos resultados do IGC.

Causa estranheza e perplexidade que o recurso tenha sido indeferido, visto que a nota atribuída a esses dois cursos pela Capes, que também faz parte do MEC, é 4. Na avaliação do Inep, os dois cursos aparecem com 0.

Cabe mencionar que a UnB vem em uma trajetória ascendente no IGC, que considera também o desempenho de cursos de graduação, nos quais a instituição igualmente tem se destacado. Para citar um exemplo, dos 17 cursos avaliados no Enade 2018, 15 obtiveram nota máxima.

A Universidade ainda vai se debruçar sobre todos os dados do IGC para, então, apresentar as contestações e os recursos necessários."

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A Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs) e o Instituto Federal de Brasília (IFB) tiveram conceito 3. Nenhuma instituição do Distrito Federal conseguiu conceito 5 no IGC, ao mesmo tempo que nenhuma teve a pior nota, 1. Com conceito 2, foram 11 instituições; 23 obtiveram nota 3; e 16 alcançaram a pontuação 4.

Dados quantitativos de ensino a distância

Graduações brasilienses

No país, dos 8.520 cursos avaliados no CPC 2018, 149 alcançaram nota 5, representando 1,7%; e 34 cursos ficaram com conceito 1 (0,4%). O DF teve oito cursos com a nota máxima no CPC, sendo quatro da Universidade Católica de Brasília (UCB), três do Centro Universitário Iesb e um da Faculdade Icesp de Brasília (administração). A UCB figurou no topo com dois bacharelados em administração (um presencial e um a distância) e outros dois em ciências econômicas e em ciências contábeis.

Já o Iesb se destacou em psicologia e nos cursos tecnológicos em gestão pública (a distância) e em design de interiores. Em parte dessas graduações, o número de estudantes participando no Enade foi bastante baixo: apenas dois em administração a distância da UCB; cinco em ciências econômicas e em ciências contábeis da UCB; e sete em administração da Icesp. Com conceito 2, Brasília figura com 30 cursos.

Na capital federal, apenas um curso teve o conceito mais baixo, 1: publicidade e propaganda da Faculdade JK Esamc Brasília. Houve quatro graduações sem conceito, pois não apresentaram o mínimo de dois alunos fazendo o Enade em 2018 para serem consideradas: publicidade e propaganda da Universidade Paulista e da Faculdade Anhanguera de Brasília; tecnologia em marketing da Faculdade de Tecnologia Senac-DF; e tecnologia em design de interiores do Centro Universitário de Brasília (UniCeub).

Veja em detalhes as notas de todos os cursos do DF avaliados no CPC 2018.

Destaque: faculdades particulares e EAD

Em encontro técnico com jornalistas na quarta-feira (11/12), Camilo Mussi, presidente substituto do Inep, comentou que os resultados divulgados agora são um retrato dos cursos avaliados em 2018 e das instituições considerando o triênio 2016-2018. Ele ressaltou os resultados das regiões Sul e Sudeste, que são as que concentram mais cursos com conceitos 4 e 5. No Sul, quase 40% das instituições ficam nessa faixa; no Sudeste, são quase 33%. Para ele, chama a atenção ainda o desempenho da educação a distância (EAD).

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;Um dos destaques que vale a pena mencionar é a EAD. Os alunos que estão concluindo os cursos estão tendo os mesmos resultados que os alunos presenciais. Esse é um destaque que merece ser visto pela sociedade;, afirma. ;No conceito 5, estão 2,7% das instituições de EAD (que são 15 cursos muito bem avaliados) e 1,6% das presenciais. Nenhum curso a distância recebeu conceito 1. Todos os 34 com conceito 1 são presenciais;, aponta Fernanda Marsaro.

Resultados nacionais por curso

;A gente observa uma crescente no desempenho dos cursos a distância, mesmo esse resultado não sendo tão significativo quando a gente olha para o valor porque, entre os 8.520 cursos avaliados, apenas 563 são oferta a distância;, acrescenta. ;Mas, se a gente joga para o percentual, o comportamento deles (com o ensino presencial) é muito parecido.; Outro destaque vai para o setor particular. Fernanda anuncia que todas as 61 faculdades que tiveram cursos conceito 5 são particulares.

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Também apareceram nessa faixa 36 universidades e 49 centros universitários. Ela ressaltou ainda a crescente de universidades públicas com bom desempenho, apresentando notas 4 e 5. No entanto, a representatividade é menor, pois há muito mais instituições particulares do que públicas no ensino superior. Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, entidade que representa mantenedoras de faculdades particulares, comemora o avanço do setor.

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;Pelo que dá para observar nos últimos anos, temos tido uma evolução constante em relação a esses indicadores. No começo dele, muitas instituições particulares ainda tinham notas 1 e 2, que eram insatisfatórias. Hoje, são bem poucas;, diz. ;Muitas foram para o 3, que passou a ser uma média, uma zona de conforto que congrega a maioria. E ainda tem a evolução de muitas instituições passando para o nível 4;, completa.

;Isso mostra uma evolução constante da rede privada que, à medida que vai investindo nas questões que envolvem esses indicadores, vai melhorando.; Rodrigo também comenta o avanço da modalidade não presencial. ;É um bom sinal. A única ressalva é que o ensino a distância é muito novo e tem um crescimento maior nas matrículas que ainda não se reflete nesses indicadores, pois ainda são poucos os concluintes. Então, ainda não dá para tirar conclusão definitiva desse resultado;, pondera.

Para entender os números

Os 27 cursos avaliados na edição 2018 do Enade e que entram no CPC são:

Bacharelado:

  • Administração
  • Administração pública
  • Ciências contábeis
  • Ciências econômicas
  • Design
  • Direito
  • Jornalismo
  • Psicologia
  • Publicidade e propaganda
  • Relações internacionais
  • Secretariado executivo
  • Serviço social
  • Teologia
  • Turismo

Cursos superiores de tecnologia (tecnólogo):

  • Comércio exterior
  • Design de interiores
  • Design de moda
  • Design gráfico
  • Gastronomia
  • Gestão comercial
  • Gestão da qualidade
  • Gestão de recursos humanos
  • Gestão financeira
  • Gestão pública
  • Logística
  • Tecnologia em marketing
  • Processos gerenciais
Nota da Universidade de Brasília caiu de 5 para 4, e reitoria pretende entrar com recurso. No DF, nenhuma instituição conseguiu a nota máxima

Cursos reprovados?

Camilo Mussi, do Inep, ressalta a importância de não fazer comparações equivocadas a partir dos números divulgados. A média é 3, e todos os cursos com conceito 1 e 2 estão abaixo da média. No entanto, isso só permite comparações dentro de uma mesma graduação. ;Os cursos com nota 1 e 2 estão abaixo da média daquele curso, mas isso não quer dizer que sejam ruins;, alerta. O que acontece com as formações abaixo da média fica a cargo do MEC, informa Camilo.

Nesta edição do CPC, foram avaliados 8.520 cursos, sendo 2.398 tecnológicos (28%) e 6.122 bacharelados (72%). Do total, 301 não tiveram conceito divulgado porque não atingiram o mínimo de dois estudantes concluintes participando do Enade 2018. ;Não ter conceito divulgado não quer dizer que o curso está ruim, quer dizer que não atingiu esse padrão mínimo. Quando a gente tem só um estudante e a gente divulga essa nota, a gente não preserva a identidade desse estudante;, esclarece Fernanda Marsaro.

Indicadores em risco?

Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, faz ressalvas com relação aos indicadores, mas defende a continuidade deles. Segundo ele, há conversas no sentido de acabar com o CPC e o IGC, no entanto, apesar de eles terem falhas, isso traria mais prejuízos que benefícios. ;É preciso ter um debate não no sentido de acabar com esses indicadores, mas de incluir outros;, argumenta. ;Se o indicador for só o Enade, há mais chances ainda de distorções. Por isso, é melhor juntar outras variáveis, como quantidade de professores, e ainda outros que poderiam ser acrescentados: iniciação científica, percentual de alunos que conclui o curso, taxa de empregabilidade, entre outros.;

Representantes do Inep comentaram resultados em conversa com jornalistas

O porta-voz do Semesp analisa que retirar o IGC e o CPC seria problemático para a população e o próprio ensino superior brasileiro, pois tiraria das pessoas uma fonte de informação e consulta sobre as faculdades e os cursos e acabaria com a chance de as próprias instituições de ensino tentarem melhorar a partir dos resultados. ;Todos os indicadores têm defeitos. No caso desse, a metodologia de cálculo pode ser um dos problemas: na distribuição normal, a grande parte das notas ficará na média;, observa. Ou seja, a média varia de acordo com o resultado de cada curso. Não há um pré-requisito de pontos para ser aprovado ou para ser considerado acima da média.

O que gera problemas nos dois extremos. ;Se numa área, só tenho cursos de altíssima qualidade, com essa metodologia, em torno de 60% deles ficarão com nota 3; 20%, com notas 1 e 2. Mas não quer dizer que nenhum deles seja ruim, mas, pela metodologia, serão visualizados assim;, exemplifica. ;Se numa área, todos os cursos forem ruins, os menos ruins ficarão com nota 3. Na beira de cima, ficarão alguns com notas 4 e 5, mas isso não quer dizer que eles sejam excelentes;, continua. ;Qualquer indicador sempre vai ter suas imperfeições. Ms como reduz essas imperfeições? Colocando mais indicadores para medir de forma multidimensional.;

Critérios avaliativos

Moaci Alves Carneiro, diretor de Avaliação da Educação Superior do Inep, pondera que o Enade é a culminância de um processo de avaliação que se estende ao longo do ano e não pode ser considerado isoladamente. ;Nenhum país do mundo cuida da avaliação simplesmente com foco no rendimento escolar do aluno na sala de aula. Quando isso acontece, a gente perde a visão da educação como processo sistêmico articulado;, afirma. O que decorre do Enade, define Moaci, ;nada mais é do que um grande painel, uma grande fotografia, uma radiografia imensa das instituições que a cada ano estão incluídas nessa pauta para que se aprimore cada vez mais o processo de aprendizagem dos alunos;.

É importante observar que, além da nota do Enade, compõem o CPC e o IGC vários outros indicadores, elaborados por técnicos especializados. Assim, 35% do CPC é composto pelo IDD (Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado ; feito comparando a média do Enem e do Enade de cada aluno); 30% pelo corpo docente (quantidade de mestres e doutores em regime de trabalho); 20% pelo desempenho dos estudantes no Enade; e 15% pela percepção dos universitários sobre sua formação a partir de questionário do Enade.

;Quase 50% do CPC é composto pelo desempenho do estudante;, aponta Fernanda Marsaro, coordenadora-geral de Controle de Qualidade da Educação Superior do Inep. O conceito do Enade 2018 e o IDD já haviam sido divulgados pelo MEC em 4 de outubro. As notas do Enade 2019 só saem no fim de 2020. O CPC e o IGC são as novidades divulgadas pelo Inep nesta quinta-feira (12/12). O IGC leva em conta não apenas os 27 cursos que entram no CPC deste ano, mas todos os avaliados no triênio 2016-2018.

Confira apresentação do Inep sobre o IGC e o CPC 2018.

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