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Não há possibilidade de volta às aulas presenciais em 2020 na UnB

A universidade trabalha agora para planejar e dar condições para alunos e professores para a retomada remota, informa a reitora Márcia Abrahão

Ana Paula Lisboa
postado em 27/06/2020 21:37
Terminou na sexta-feira (26/6) o prazo para estudantes, professores e servidores técnicos da Universidade de Brasília (UnB) responderem ao questionário social que será usado pela Reitoria para planejar a volta às aulas a distância. A pesquisa mapeia a situação socioeconômica, de saúde e de acesso tecnológico.
Além de questionário à comunidade, universidade discute com unidades acadêmicas e treina professores
Não há data definida para retomada do calendário. Um possível prazo para retorno não presencial será definido com o apoio do Comitê de Coordenação de Acompanhamento das Ações de Recuperação (CCAR), criado para guiar os passos da universidade durante a pandemia. Apesar de não haver datas definidas, já é certo que as aulas voltarão, primeiramente, em modo remoto.
Em entrevista ao Eu, Estudante, a reitora da UnB, Márcia Abrahão, afirma que não há possibilidade de retorno físico em 2020. ;Nós chegamos a um ponto da pandemia em que fica claro que a situação não vai melhorar no curto prazo, a gente não tem perspectiva de volta presencial este ano.; Ela observa que a prioridade agora é salvar vidas. ;Três meses de aula você recupera. O que você não recupera é vida perdida;, diz.
A reitoria Márcia Abrahão: a prioridade no momento é salvar vidasPara além disso, ela chama a atenção para o fato de que, apesar de sem aulas, a universidade não está parada. ;A universidade está funcionando remotamente e estamos trabalhando com várias pesquisas para o combate ao coronavírus, que é um grande trabalho para a sociedade;, destaca.


Instituição faz planejamento sem excluir

Além da pesquisa social com a comunidade acadêmica, a graduada, mestre e doutora em geologia informa que há várias outras ações em andamento para planejar a volta às aulas a distância, algo que não acontecerá enquanto não houver garantia de que nenhum aluno ficará para trás, por exemplo, por não ter computador ou internet.
;Estamos nos organizando internamente e, há dois meses, estamos fazendo e fizemos cursos para formação dos nossos professores em educação a distância. Afinal, não é simplesmente desligar um botão e ligar outro e dizer: agora, professor, você vai dar aula remotamente;, pondera a reitora. ;Apesar de termos um centro de ensino a distância antigo, muitos professores não têm formação em dar aula não presencial.;
[SAIBAMAIS]Até o momento, quase 600 docentes da UnB se inscreveram e estão passando por capacitação para se adaptar. Outro passo em andamento é a consulta e o diálogo com as unidades acadêmicas. ;Precisávamos discutir com as faculdades e os institutos porque há várias áreas de estudo com suas especificidades. A minha área, a geologia, tem muita prática. Não dá para só jogar a prática fora e dar aula teórica. Então, é preciso discutir o que fazer;, explica a reitora.
Muitos questionam por que a universidade não passou a ter aulas on-line mais rapidamente. Márcia explica que há muita preocupação com a qualidade e com a inclusão. ;Para a gente, é impensável voltar sem incluir todos os estudantes, sem dar condições para os professores estarem preparados para dar aula a distância.; Para nortear as ações, a reitora afirma que tudo tem sido feito com democracia e transparência.

MEC estuda ajudar alunos com dificuldade de acesso tecnológico

O Ministério da Educação (MEC) trabalha num acordo com a Rede Nacional de Pesquisa (RNP) para contratar empresas de telefonia e fornecer internet para estudantes de instituições federais com até 1,5 salário mínimo per capita. Márcia Abrahão tem grande expectativa para esse fornecimento, importantíssimo para ;não deixar ninguém para trás;, como ela frisa.

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