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Correio Braziliense

O desafio emocional de retornar às aulas após o tiroteio na Flórida

A escola de Parkland fez uma sessão de orientação com professores e funcionários, que trabalharão para o retorno dos alunos na quarta-feira (28/2)


postado em 26/02/2018 10:35 / atualizado em 26/02/2018 15:24

 

Miami, Estados Unidos -
Estudantes e professores começaram a retornar nesse domingo (25/2) à escola de Parkland, na Flórida, cenário de um massacre que deixou 17 mortos, com tentativas de consolo e o pedido de medidas enérgicas para acabar com os ataques com armas de fogo.

A escola realizou na véspera uma sessão de orientação. Os professores e funcionários trabalharão nesta segunda (26/2) e terça-feira (27/2) para o retorno das aulas na quarta-feira (28/2), uma perspectiva considerado "assustadora" e "intimidante". 

O aluno Cameron Kasky tuitou uma foto de várias pessoas no campus e a frase: "É bom estar em casa". 

"Imagina que você estava em um acidente de avião e tem que embarcar no avião todos os dias e ir para algum lugar", afirmou ao canal ABC David Hogg, um dos sobreviventes do tiroteio de 14 de fevereiro na escola do Ensino Médio de Parkland, executado por Nikolas Cruz, de 19 anos. 

Hogg e vários estudantes da escola pediram nos últimos dias aos políticos americanos que enfrentem a questão da violência armada.

Uma professora que já havia retornado à escola contou à rádio NPR que o choque de voltar à sala de aula, que estava do mesmo jeito do dia do ataque, com os cadernos nas mesas e o calendário ainda marcando 14 de fevereiro, foi tão intenso que ela teve que deixar o local.

Delaney Tarr, outra jovem sobrevivente do massacre, afirmou que voltar "é assustador, porque não sei se vou estar segura lá. Mas eu sei que tenho que ir".

A escola do ensino médio Marjory Stoneman Douglas também recebeu o apoio de ex-alunos, que prepararam cartazes. 

"Tenho muitos amigos aqui, comigo, e isto faz com que eu não me sinta sozinha nesta situação", disse Michelle Dittmeier ao canal ABC. 

Vigília e protesto

Na cidade de Fort Lauderdale, líderes religiosos realizaram uma noite de vigília, durante a qual deixaram 17 cadeiras vazias, em memória às vítimas. 

Mais cedo, manifestantes se reuniram diante das instalações da fabricante de armas Kalashnikov USA na vizinha Pompano Beach.

Eles pediram uma reforma na lei sobre o porte de armas e um cartaz pedia o fechamento da "fábrica de morte".

Diante das demandas dos estudantes para a adoção de medidas de controle para o porte de armas, o presidente americano, Donald Trump, defendeu na sexta-feira em Washington sua proposta de armar alguns professores, enquanto o governador da Flórida, Rick Scott, anunciou um plano de ação contra os tiroteios nas escolas que inclui a presença de oficiais armados em centros de ensino.

Em um jantar com governadores antes de uma reunião nesta segunda-feira com os líderes dos 50 estados, Trump disse que a segurança nas escolas será a prioridade no encontro.


NRA culpa autoridades

Uma pesquisa do canal CNN uma semana depois do tiroteio mostrou uma tendência crescente dos americanos a favor de uma regulamentação rígida sobre a venda de armas e a proibição de armas semiautomáticas como o fuzil AR-15, com o qual Nikolas Cruz executou o massacre.

Um total de 70% dos entrevistados entre 20 e 23 de fevereiro se manifestaram a favor de controles mais estritos da venda de armas, contra 52% em uma pesquisa de outubro, após um massacre em Las Vegas que deixou 58 mortos.

Em uma entrevista à Fox News, o governador Scott, membro da National Rifle Association (NRA), afirmou que sabe que "provavelmente teremos algumas divergências sobre as propostas. Mas quero que meu estado esteja a salvo".

A porta-voz da NRA, Dana Loesch, disse à rede ABC que as autoridades locais já haviam sido alertadas em várias ocasiões nos últimos meses do risco que Cruz representava e que o policial que supostamente deveria proteger os alunos não atuou no dia da tragédia.

Loesch acusou o gabinete do xerife local de "descumprimento da responsabilidade" por não ter prendido Cruz antes.

Ao ser perguntado sobre essa questão na emissora CNN, o xerife Scott Israel defendeu o trabalho de seus colegas, indicando que, das 23 chamadas que a Polícia recebeu sobre o comportamento errático, ou ameaçador de Cruz, quase todas foram tratadas corretamente. Outras foram alvo de uma investigação interna.

Já a presidente da Federação Americana de Professores, Randi Weingarten, classificou a proposta de Trump de armar os professores de "uma ideia muito ruim e ponto".

Os alunos, seus pais e os professores "querem que as escolas sejam santuários de segurança para o ensino e o aprendizado, não fortalezas armadas", frisou.
 
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(foto: JOE RAEDLE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP )

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