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Ataque a bases americanas é 'uma bofetada' nos EUA, diz aiatolá Khamenei

Na madrugada, o Irã disparou vários mísseis contra duas bases do Iraque onde há tropas dos EUA estacionadas

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 08/01/2020 06:46
Na madrugada, o Irã disparou vários mísseis contra duas bases do Iraque onde há tropas dos EUA estacionadasO líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que o ataque com mísseis contra bases americanas no Iraque foi uma "bofetada na cara" dos Estados Unidos. O discurso foi divulgado pela televisão estatal do país nesta quarta-feira (8/11).

Na madrugada, o Irã disparou vários mísseis contra duas bases do Iraque onde há tropas dos EUA estacionadas, relataram autoridades em Teerã e em Washington. "O que importa é que a presença corrupta dos Estados Unidos nesta região tem que terminar", frisou.

Khamenei já havia pedido uma "vingança severa" pela morte de Qassem Soleimani, general morto em 3 de janeiro em um ataque americano perto do aeroporto de Bagdá. Segundo o Exército do Iraque, os 22 mísseis disparados contra as bases não causaram "vítimas entre as forças iraquianas".


Comoção e mortes em funeral

Horas antes dos ataques do Irã às duas bases dos Estados Unidos no Iraque, o clima de comoção em Kerman (sudeste do Irã) e as declarações de autoridades iranianas tinham elevado o suspense ante uma provável resposta do país à execução do comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária. Na cidade natal do general Qasem Soleimani, um tumulto em circunstâncias ainda não esclarecidas deixou ontem 56 mortos ; 35 homens e 21 mulheres ; e 213 feridos.

Enquanto o funeral ocorria, o chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, advertia que o ;assassinato (...) abriu os portões para um repulsivo curso de ação que poderá assombrar todo o planeta;. O ministro previu que os EUA receberão uma ;resposta definitiva e decisiva;.

Em Washington, o governo de Donald Trump justificava a morte de Soleimani. O governo do republicano anunciou que o ;monstro; preparava um ;grande ataque iminente; contra interesses americanos, admitiu que aguardava uma retaliação e reafirmava a permanência das tropas no Iraque. ;Não foi tomada uma decisão de deixar o Iraque. Ponto;, garantiu Mark Esper, secretário de Defesa dos Estados Unidos.

O aumento da tensão no Oriente Médio mudou os planos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que suspendeu o treinamento de soldados iraquianos no combate ao Estado Islâmico. O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Shamkhani, disse que os militares do país discutiram 13 cenários de vingança. Ele assegurou que mesmo o mais fraco representaria um ;pesadelo histórico; para os norte-americanos. Também ontem, os 233 membros do Parlamento iraniano aprovaram, por unanimidade, uma moção que qualifica de ;organização terrorista; as forças dos EUA baseadas no oeste da Ásia.

O chefe do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, Hossein Salami, discursou em Kerman e avisou: ;Nossa vingança será dura, forte, decisiva e final. Vamos incendiar o lugar que eles (os norte-americanos) adoram, e eles sabem onde é;. ;As sementes do ódio pelos EUA foram plantadas no coração dos muçulmanos;, acrescentou, ao reforçar que o processo de expulsão dos Estados Unidos do Oriente Médio começou.

Ciberataques

Professora de direito internacional e comparado da Universidade de São Paulo (USP), Maristela Basso lembrou à reportagem que, apesar das ameaças, Teeerã não tem poderio militar para se contrapor a Washington. ;O uso da internet aparece como a opção mais tentadora para uma retaliação. Ataques cibernéticos podem provocar danos sérios às estruturas de gás, de óleo e de eletricidade, bem como aos sistemas financeiros, de informação e de inteligência dos Estados Unidos e países aliados;, explicou.

Oficiais do governo norte-americano defenderam a decisão de Trump de ordenar o bombardeio da comitiva de Soleimani, na sexta-feira, em uma estrada anexa ao Aeroporto Internacional de Bagdá. Sem fornecer detalhes, o presidente republicano declarou à imprensa, no Salão Oval da Casa Branca, que a eliminação do general ;salvou muitas vidas; e que o iraniano planejava ;um grande ataque;.

Também retirou a ameaça de bombardear sítios históricos e culturais do Irã. ;Pensem: matam nossa gente, explodem nossa gente e, em seguida, devemos ser muito gentis com suas instituições culturais. Mas estou de acordo com isso;, disse Trump. ;Saibam que, se essa é a lei, eu gosto de obedecer a lei;, destacou.

Para Karen Greenberg, diretora do Centro de Segurança Nacional da Fordham University School of Law (em Nova York), os EUA cruzaram uma linha de proibição de assassinatos. ;O direito internacional prescreve uma definição muito restrita de assassinatos permitidos em tempos de guerra. O governo Trump não reconheceu uma guerra e classificou a ação de ;legítima defesa;. A Casa Branca quer ver isso como uma estratégia ligada ao contraterrorismo. É algo complicado, pois o general Soleimani era uma figura importante de um Estado soberano;, afirmou ao Correio.

Richard Falk, professor de direito internacional da Universidade de Princeton, concorda que as circunstâncias do assassinato de Soleimani parecem estabelecer um ;claro caso de conduta ilegal;.

Ele sustenta não haver indícios de envolvimento do general em um complô que representasse risco iminente para soldados e diplomatas dos EUA. ;Tudo o que sabemos sugere o uso internacional de força em violação à soberania do Iraque. Isso constitui um crime de guerra.;

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