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Libaneses contam experiência após explosão em Beirute: ''Prédios tremendo''

Impactos das explosões foram sentidos em diversos pontos da capital libanesa e ouvidos até em países vizinhos

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 04/08/2020 15:54
Prédio destruído após explosão em Beirute, no LíbanoMoradores de Beirute, no Líbano, relataram os impactos da duas fortes explosões sucessivas que atingiram a cidade nesta terça-feira (4/8). As explosões, que, de acordo com o ministro da Saúde, Hamad Hassan, deixaram aomenos 50 mortos e 2.750 feridos, foram sentidas em diversos pontos da capital libanesa e ouvidas até em países vizinhos.

"Os prédios estão tremendo", tuitou um morador da cidade, dizendo que "todas as janelas do (seu) apartamento explodiram". "Senti como se fosse um terremoto e depois uma enorme explosão que quebrou todos os vidros. Senti que foi mais forte do que a explosão do assassinato de Rafic Hariri" em 2005, provocada por uma caminhonete carregada de explosivos, declarou à Agência France-Presse uma libanesa no centro de Beirute.
O libanês José Carlos, de 40 anos, que atua como guia turístico em Beirute há sete anos, relatou ao Correio um cenário catastrófico na capital, após a imensa cortina de fumaça se dissipar. Segundo o morador, por volta das 18h ; 12h no horário de Brasília ;, ele sentiu o prédio em que estava tremer. ;Houve uma enorme explosão. Eu senti no meu peito enquanto a casa tremia por toda a parte. De repetente, logo após a primeira, houve uma segunda explosão;, disse.

Janelas e vitrines de muitos prédios e lojas quebraram nos arredores. Vídeos postados nas redes sociais mostram uma primeira explosão seguida de uma outra que provoca uma gigantesca nuvem de fumaça.
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As explosões ocorreram na área portuária e, conforme uma autoridade de segurança libanesa, podem estar ligadas a "materiais explosivos" confiscados e armazenados em um armazém "por anos".

Georges Kettaneh, presidente da Cruz Vermelha Libanesa, se referiu a "centenas de feridos" em um comunicado na televisão libanesa LBC. "Estamos sobrecarregados pelos telefonemas", disse ele.
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A área portuária foi isolada pelas forças de segurança, que só permitem a passagem de agentes da defesa civil, o balé de ambulâncias com suas sirenes e caminhões de bombeiros.

Nas proximidades do distrito portuário, os danos e a destruição são enormes. A mídia local transmitiu imagens de pessoas presas em escombros, algumas cobertas de sangue.

De acordo com os correspondentes da AFP, muitos residentes feridos andam nas ruas em direção a hospitais. No bairro de Achrafieh, os feridos correm para o Hôtel Dieu. Em frente ao centro médico de Clémenceau, dezenas de feridos, incluindo crianças, às vezes cobertas de sangue, esperavam para serem admitidos.
O grupo Hezzbollah negou qualquer participação nas explosões. O incidente ocorre .

Brasil

No Brasil, o cônsul honorário do Líbano em Goiás, Hanna Mtanios, . "A insegurança é geral", avalia.
A comunidade libanesa no Brasil é maior que a população do Líbano. Os intensos processos migratórios fixaram de 7 a 11 milhões de libaneses e descendentes no Brasil. Já no Líbano, a população é de 6,8 milhões de pessoas. Só no estado de Goiás, o consulado estima a presença de cerca de 300 mil em diversos municípios do estado, inclusivo no Entorno, além do Distrito Federal.
Segundo o Itamaraty, .

Rafik Hariri

Em 14 de fevereiro de 2005, um atentado com uma caminhonete carregada de explosivos atingiu o comboio de Rafik Hariri, matando-o com outras 21 pessoas e ferindo mais de 200.

A explosão causou chamas de vários metros de altura, quebrando as janelas dos prédios em um raio de meio quilômetro.
Com informações da Agência France-Presse

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