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Correio Braziliense

Polícia tem dificuldades para investigar tiros em caravana de Lula

Por conta da falta de testemunhas, a Polícia Civil do Paraná encontra dificuldades em saber o local exato da rodovia onde tiros foram disparados contra a caravana de Lula, na quarta-feira. Perícia deve ficar pronta nesta semana


postado em 01/04/2018 08:00 / atualizado em 01/04/2018 09:25

Policiais civis do Paraná percorrem a PR-473 em busca de pistas para ajudar a esclarecer o caso do ataque à caravana de Lula(foto: Reprodução)
Policiais civis do Paraná percorrem a PR-473 em busca de pistas para ajudar a esclarecer o caso do ataque à caravana de Lula (foto: Reprodução)

Trafegar pela Rodovia PR-473 exige atenção redobrada. A pista simples ladeada em sua maior parte por mato alto e árvores está por vezes ocupada por indígenas da Aldeia Rio das Cobras. Muitos são os jovens da etnia Guarani e Kaingang que usam as margens e o asfalto para brincadeiras e como ponto de encontro para bate-papos; alguns pedem esmola, outros vendem artesanato.

Na terça-feira, no entanto, a chuva, que desde o fim de semana, era ininterrupta, fizera a maioria deles se abrigar na aldeia. Ninguém viu, no fim da tarde, a longa caravana passar por ali em uma velocidade maior do que a costumeira. Estava atrasada.

Cerca de 70km, com duas cidades no meio, separam Quedas do Iguaçu de Laranjeiras do Sul. E foi nesse trajeto — mesmo que a polícia nem ninguém saiba exatamente em que altura — que foram disparados ao menos três tiros contra a caravana de Lula. É também a ausência da informação sobre o ponto específico em que os disparos aconteceram, além da falta de testemunhas, que dificulta a investigação policial. Até agora, ninguém foi preso.

Na quinta-feira, equipes da Delegacia de Laranjeiras, onde foi instaurado o inquérito para apurar o caso, estiveram na PR-473. Na altura da ponte sobre o Rio Despedida, tentaram encontrar algum rastro do crime, mas saíram de mãos vazias. As buscas se concentraram onde os passageiros de um dos ônibus atingidos estimaram que o ataque havia acontecido: cerca de 10 minutos depois que o comboio deixou Quedas do Iguaçu.

O estampido baixo se assemelhava ao choque de uma pedra contra a lataria, coisa que a caravana já havia enfrentado pelo trajeto. A polícia pediu ainda as imagens do pedágio situado na BR-277, onde também trafegou a caravana. E ainda espera o resultado da perícia, prevista para sair nesta semana.

Tanto moradores de Quedas quanto de Laranjeiras definem as cidades em que vivem como pacíficas. A polícia confirma: os chamados para a 2.ª Companhia, do 16.º Batalhão da PM, em Laranjeiras, são mais comuns para briga entre vizinhos por causa de som alto e para casos da Lei Maria da Penha.

No ano, aconteceu um homicídio, que os investigadores suspeitam ter sido um latrocínio. Os flagrantes de tráfico de drogas são feitos mais frequentemente pela Polícia Rodoviária Federal, que prende na estrada e encaminha para as celas da delegacia, que tem uma centena de detentos, a maioria por tráfico.

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Na sexta-feira, Pedro Campos, de 61 anos, passeava com um amigo na praça da cidade. Para ele, o ataque à caravana não representa o sentimento predominante na população local. “Lamento o que aconteceu porque aqui há muita gente que gosta dele”, disse, para ser complementado pelo amigo, o aposentado Jorge Freitas, de 75: “Foi o melhor presidente. Deus ajude para que eu possa votar nele de novo, e vou votar de consciência tranquila.”

A região abriga grandes assentamentos de sem-terra, como o Celso Furtado, onde 1.098 famílias ganharam o título de propriedade em 2004. Quem está à frente dele é o vereador pelo PT Claudelei Lima, de 39 anos, que se tornou conhecido ao ser empossado no interior da Penitenciária Industrial de Cascavel. Ele é investigado pela Operação Castra, da Polícia Civil, sob acusação de furto, roubo, invasão de propriedade, cárcere privado e porte ilegal de arma na invasão de uma fazenda.

Ele foi solto em maio e responde ao processo em liberdade. Na varanda de casa, na entrada do assentamento, ele tem um panfleto de campanha onde se lê “Tô com Lula”. Para Lima, os tiros contra os ônibus foram fruto da “raiva desesperada diante do sucesso da caravana”.

70km:

Distância que separa as cidades de Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul. Os disparos contra a caravana de Lula ocorreram num dos trechos da PR-473



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