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Correio Braziliense

Entenda como é a cirurgia de emergência no intestino de Jair Bolsonaro

O Correio conversou com especialistas para entender o procedimento e explicar o que pode ter causado essa obstrução


postado em 13/09/2018 19:12 / atualizado em 13/09/2018 19:22

(foto: Reprodução/ Twitter)
(foto: Reprodução/ Twitter)

Uma semana depois de levar uma facada durante campanha em MG, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), internado no Hospital Israelita Albert Einstein, ainda não tem previsão de alta. Na noite de quarta-feira (12/9), o candidato passou por uma cirurgia emergencial de obstrução intestinal, e voltou para a Unidade Intensiva de Tratamento (UTI). 
 
O Correio conversou com especialistas para entender o procedimento e explicar o que pode ter causado essa obstrução. 

Na terça-feira (11/9), Bolsonaro foi liberado para comer alimentos sólidos, mas com a distensão abdominal, e o “extravasamento de secreção intestinal”, a alimentação oral foi interrompida.   
 
De acordo com o gastroenterologista clínico do Hospital Santa Lúcia, Hermes Aguiar Júnior, a obstrução pode ter sido causada por uma fístula — uma patologia causada pela comunicação de uma parte do intestino com outro local. "Quando o intestino começou a funcionar (durante a alimentação oral), ele apresentou a fístula. Até então, não se sabia que ela existia, mas isso pode acontecer por causa de complicações da cirurgia. Quando o alimentaram, então a fístula apareceu", explicou. 
 
Apesar de não ter sido a alimentação oral a causa da obstrução intestinal, foi ela que revelou o problema no intestino. Logo após ter recebido pão e suco para comer, Bolsonaro voltou a ter náuseas e vômitos. "Agora, você tem que deixar o intestino descansar. Você interrompe a alimentação oral porque esse órgão tem a função de absorver os alimentos, e faz por outros meios", disse.  
 
Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Alexandre Chartuni, da Rede D'Or Brasil, apesar de não ser comum, a obstrução intestinal pode acontecer. "Quando fazemos uma cirurgia de grande porte de emergência, sempre existe maior chance de haver complicações no pós-operatório. As complicações possíveis são diversas, mas uma das mais comuns é essa que ele apresentou", afirmou. 
 

Extravasamento 

 
Além desse problema, o hospital informou que houve um "extravasamento de secreção entérica", ou seja, a abertura de uma das suturas. Segundo Chartuni, a obstrução levou a retenção do líquido intestinal e essa pressão causou a abertura dos “pontos” do intestino delgado. "A obstrução foi, provavelmente, uma aderência. E isso levou ao represamento do líquido, que, por sua vez, causou uma ruptura nas suturas, e vazou uma quantidade de líquido", explicou. 
 
Para o médico gastrocirurgião do Hospital Sírio Libanês e professor da Santa Casa, Marcos Belotto, quando se opera o abdômen, o intestino também é envolvido. "No caso do Bolsonaro, a gente soube que teve que costurar essa abertura do intestino. Mas, agora, tem que ficar em repouso porque os primeiros três a cinco dias são primordiais para essa sutura cicatrizar e, dessa forma, ele continuar tendo uma evolução favorável", afirmou. 
 
Belotto também explicou que, se não tratado, o rompimento do intestino poderia ser "potencialmente fatal", e, por isso, a necessidade de uma cirurgia emergencial. Sobre a alimentação, a expectativa é que seja feito a reintrodução de forma lenta. "Conforme ele for dando sinais de recuperação, como, por exemplo, o intestino se mexer, soltar gases e o paciente sentir fome, então há a reintrodução da dieta paliativa", disse. Por isso, primeiros serão os líquidos, pastosos e, por último, os sólidos.

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