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Ex-mulher acusou Bolsonaro de furtar cofre e omitir patrimônio, diz revista

Segundo reportagem da revista Veja, no processo de separação com Jair Bolsonaro, Ana Cristina Valle também afirmou que o presidenciável agia com 'desmedida agressividade'. Hoje, ela nega as acusações


Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), acusou, em 2008, o presidenciável de furtar um cofre de banco, ocultar patrimônio, receber pagamentos não declarados e agir com "desmedida agressividade" no processo de separação do casal, que está na 1; Vara de Família do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
O documento foi obtido pela revista Veja, que traz em sua mais recente edição uma reportagem sobre o caso, já disponibilizada na internet. À publicação, Ana Cristina ; que hoje utiliza o nome Cristina Bolsonaro na campanha a deputada federal pelo Podemos ; nega as acusações: "Quando você está magoado, fala coisas que não deveria", disse à reportagem. Bolsonaro também foi procurado, mas não quis se pronunciar.

Segundo a matéria, após mais de 10 anos juntos, a separação do casal foi parar na Justiça porque Ana Cristina alegava que Bolsonaro resistia a fazer uma partilha justa dos bens. O casal também disputava a guarda do filho, hoje com 20 anos. A Veja informa que, no processo, com mais de 500 páginas, há uma série de incriminações mútuas que fazem parte do universo privado, mas existem dados que dizem respeito ao interesse público, "porque contradizem a imagem que Bolsonaro construiu sobre si mesmo na campanha presidencial".


Patrimônio omitido

Segundo as acusações de Ana Critina à época, Bolsonaro teria omitido patrimônio durante a disputa para deputado federal nas eleições de 2006. À Justiça Eleitoral, o deputado declarou que tinha um terreno, uma sala comercial, três carros e duas aplicações financeiras, que somavam, na época, R$ 433 934. A ex-mulher, no entanto, anexou ao processo uma relação de bens e a declaração do imposto de renda do ex-marido segundo a qual o patrimônio incluiria ainda três casas, um apartamento, uma sala comercial e cinco lotes. Os bens hoje somariam cerca de 7,8 milhões de reais.

Ana Cristina também acusou Bolsonaro de ter uma "próspera condição financeira" que não correspondia com os salários de deputado e de militar da reserva. Segundo a ex-mulher, o candidato à Presidência tinha uma renda mensal de R$ 100 mil. Na época, oficialmente, Bolsonaro recebia R$ 26,7 mil como deputado e R$ 8,6 mil como militar da reserva. Para chegar aos R$ 100 mil, Ana Cristina alegou que Bolsonaro recebia "outros proventos", que ela não identifica.

Ainda segundo a versão de Ana Cristina à época, Bolsonaro furtou um cofre de uma agência do Banco do Brasil onde ela guardava joias avaliadas em R$ 600 mil, US$ 30 mil e mais R$ 200 mil em dinheiro vivo. O conteúdo, se verdadeiro, é incompatível com as rendas conhecidas do então casal.
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Outra acusação que consta, diz a revista, é que Bolsonaro era um marido com um ;comportamento explosivo; e de ;desmedida agressividade;. Essa seria a razão para Ana Cristina querer se separar.

Apesar de, agora, Ana Cristina negar as acusações que fez à época, a revista afirma que uma consulta ao processo e suas adjacências mostra que ela não estava mentindo. O furto do cofre, por exemplo, realmente ocorreu, afirma a Veja, e gerou boletim de ocorrência sobre o furto na 5; Delegacia da Polícia Civil.

Durante o processo, Ana Cristina foi com o filho para Oslo, na Noruega. Bolsonaro chegou a pedir ajuda da Polícia Federal e do Itamaraty para localizá-los. Na semana passada, o Correio Braziliense divulgou telegramas do Itamaraty nos quais Ana Cristina, em conversa com um vice-cônsul brasileiro, dizia que fora para a Noruega depois de ser ameaçada de morte pelo ex-marido. Como fez agora, com Veja, ela negou que tenha dito isso ao vice-cônsul.


Repercussão na internet

A denúncia apresentada pela Revista Veja está entre os assuntos mais comentados na internet, nesta sexta-feira (28/9). ;Bolsonaro na cadeia; e ;Veja comunista; está nos trendig tropics do Twitter. Outra corrente espalha na rede social que a revista recebeu R$ 600 mil para fazer as acusações contra Bolsonaro.