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PF vê movimentações financeiras suspeitas em contas dos supostos hackers

Casal foi preso acusado de invadir celular do ministro Sérgio Moro. Investigação encontrou valores incompatíveis com a renda

A Justiça Federal de Brasília derrubou, nesta quarta-feira (24/7), o sigilo da operação que prendeu, nessa terça-feira (23/7), quatro suspeitos de terem hackeado o telefone do ministro da Justiça, Sérgio Moro, e de mais membros do judiciário brasileiro. Na decisão, consta que a Polícia Federal encontrou movimentações financeiras suspeitas nas contas do casal acusado de praticar o crime.

De acordo com a PF, Gustavo Henrique Elias Santos e a companheira, Suelen Priscila de Oliveira, movimentaram valores incompatíveis com a renda mensal do casal. O suspeito movimentou mais de R$ 400 mil, entre abril e junho, mas no banco consta que ele tem renda de pouco mais de R$ 2,8 mil. Enquanto que Suelen movimentou mais de R$ 200 mil, entre março e maio, tendo renda de R$ 2,1 mil.

Na decisão, o juiz Vallisney de Souza Oliveira afirma que ;diante da incompatibilidade entre as movimentações financeiras e a renda mensal, faz-se necessário realizar o rastreamento dos recursos recebidos ou movimentados pelos investigados e de averiguar eventuais patrocinadores das invasões ilegais;.

Na decisão, foram bloqueados valores acima de R$ 1 mil dos suspeitos. O Ministério Público pediu bloqueio de R$ 10 mil. O magistrado também ordena que os suspeitos sejam soltos após serem ouvidos, caso não haja motivo pela prorrogação. Todos os suspeitos foram transferidos para a Brasília após a prisão. O casal ainda não foi ouvido após pedido da defesa.

Organização criminosa

Também na decisão, o juiz Vallisney de Souza Oliveira diz enxergar ;fortes indícios de que os investigados integram organização criminosa;. De acordo com ele, a PF apresentou ;um histórico de possíveis crimes que os investigados praticaram em conjunto; para ;violar o sigilo telefônico de diversas autoridades públicas brasileiras via invasão do aplicativo Telegram;. Também foram presos na operação Walter Delgatti Neto e Danilo Cristiano Marques.

O magistrado defende que as prisões dos investigados são essenciais para a obtenção de provas. ;Sendo o caso, provas contra outros [possíveis] membros da organização;. Ele também autorizou a quebra do sigilo das mensagens eletrônicas dos investigados, determinando às empresas Apple, Google, Uol/Bol e Microsoft que forneçam os dados cadastrais, os registros IP de acesso e todos os dados e arquivos em nuvem relativos às contas de e-mail dos suspeitos que tenham sido armazenados nos últimos seis meses.