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Correio Braziliense

Bolsonaro: militares não mataram Santa Cruz, mas grupo de esquerda

Em transmissão ao vivo no Facebook, Bolsonaro diz que informações que obteve em conversas dão conta de que desaparecimento do pai presidente da OAB foi obra da Ação Popular


postado em 29/07/2019 17:21 / atualizado em 29/07/2019 18:03

Declaração foi dada durante uma transmissão ao vivo no Facebook, enquanto tinha o cabelo cortado(foto: Reprodução/Facebook)
Declaração foi dada durante uma transmissão ao vivo no Facebook, enquanto tinha o cabelo cortado (foto: Reprodução/Facebook)
O presidente Jair Bolsonaro voltou a falar, na tarde desta segunda-feira (29/7), sobre o desaparecimento, durante a ditadura militar, do advogado Fernando Santa Cruz, pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz. E, segundo ele, relatos que ouviu na época davam conta de que foram membros da própria Ação Popular, movimento contrário ao regime militar e do qual Fernando fazia parte, que "resolveram sumir com ele".

Assim, na versão do chefe do Executivo, os militares não são os responsáveis pela morte. Ao fazer as contextualizações, sustentou que o mandatário da OAB está “equivocado” em “acreditar em uma versão apenas do fato”. "Não foram os militares que mataram ele não, tá?", disse Bolsonaro (assista abaixo).

Mais cedo, ao fazer críticas à OAB, Bolsonaro disse que poderia contar a Felipe Santa Cruz como o pai dele havia morrido. A fala levou o presidente da OAB e emitir nota na qual diz que o presidente agiu com "crueldade". Já o PT anunciou a intenção de entrar com ação na Procuradoria Geral da república contra Bolsonaro.

Cortando o cabelo

As novas declarações foram feitas durante uma transmissão ao vivo em uma rede social, enquanto tinha o cabelo cortado. Ao culpar a imprensa por relatar apenas “fragmentos”, voltou a comentar o tema, expondo as versões dele sobre a morte do pai de Santa Cruz. Voltou a dizer que o pai era integrante da Ação Popular, organização contrária ao regime. Segundo Bolsonaro, era o “grupo terrorista mais sanguinário que tinha”.

O grupo, de acordo com o presidente, tinha “ramificações” pelo Brasil. “E tinha uma grande (ramificação) no Rio de Janeiro. E o pai dele, bastante jovem ainda, veio para o Rio de Janeiro”, comentou. De acordo Bolsonaro, teria sido esse núcleo o responsável pela morte. “O pessoal da AP (Ação Popular) do Rio de Janeiro ficou, primeiro, ficavam estupefatos: ‘Como pode esse cara vir do Recife se encontrar conosco aqui?’. O contato não seria com ele, seria com a cúpula da Ação Popular de Recife. E eles resolveram sumir (com) o pai do Santa Cruz. Essa é a informação que eu tive na época sobre esse episódio", disse. 

As informações foram obtidas, segundo Bolsonaro, em conversas. "De onde eu obtive essas informações? Com que eu conversei na época, oras bolas. Conversava com muita gente, estive na fronteira... Conversava. (...) Essa é a informação que tive na época, sobre esse episódio. Porque qual é a tendência: 'Se ele sabe, nós não podemos ser descobertos'. Existia essa guerra naquele momento. Foi isso que aconteceu."

"Equivocado"

Ao contextualizar a versão dita por ele, o presidente defendeu os militares, sustentando não serem eles os responsáveis pelo desaparecimento do pai de Santa Cruz. "Não foram os militares que mataram ele não, tá? É muito fácil culpar os militares por tudo o que acontece. Isso mudou. Mudou através do livro A verdade sufocada, o depoimento do (Carlos Alberto) Brilhante Ustra, entre outras pessoas. Mostrou que uma guerra naquele momento lá era realmente um lado contra o outro", declarou. 

Mesmo negando a intenção de polemizar, Bolsonaro sugeriu que o presidente da OAB está equivocado em acreditar na “versão” de que o pai foi morto pelos militares. "Não quero mexer com os sentimentos do senhor Santa Cruz, pois não tenho nada de pessoal no tocante a ele. Eu acho que ele está equivocado em acreditar em uma versão apenas do fato, mas ele tem todo direito de me criticar etc. etc. Mas essa é a versão minha do contato que tive de quem participou ativamente do nosso lado naquele momento para evitar que o Brasil se transformasse em uma Cuba”, sustentou. 


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