Politica

Bolsonaro segue em pé de guerra com Macron e questiona ajuda à Amazônia

O presidente desdenhou a ajuda oferecida pelo mandatário francês, questionando os objetivos em relação ao auxílio ambiental

Rodolfo Costa
postado em 26/08/2019 11:03
Macron e Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro abaixou o tom no discurso radical acerca da ajuda mundial à Amazônia, mas se mantém em pé de guerra com o presidente da França, Emmanuel Macron. Nesta segunda-feira (26/8), mesmo sem responder questionamentos da imprensa, ele desdenhou a ajuda oferecida pelo mandatário francês, questionando os objetivos em relação ao auxílio ambiental.

Ao lado do presidente do Chile, Sebastián Piñera, Macron anunciou nesta segunda. Pouco depois do anúncio, Bolsonaro falava com a imprensa, na saída do Palácio da Alvorada. ;Macron promete ajuda de países ricos à Amazônia. Será que alguém ajuda alguém, a não ser a pessoa pobre, né, sem retorno (financeiro)? O que está de olho na Amazônia, o que eles querem lá há tanto tempo?;, declarou.

Em outra ocasião, Bolsonaro afirmou ter trabalhado ;24h; durante o fim de semana, conversando com líderes e chefes de Estado de ;vários; países. ;Pessoas, líderes excepcionais, que querem, realmente, colaborar com o Brasil;, disse. Sem citar Macron, alfinetou o presidente francês, quando informou não ter dialogado com outros que desejam a ;tutela; do Brasil. ;Não conversei com aqueles outros, que querem continuar nos tutelando;, afirmou.

Apesar do embate com Macron, Bolsonaro amenizou no discurso radical. No domingo (25/8), no Twitter, agradeceu a ;chefes de Estado; que o ouviram e ajudaram o governo a ;superar uma crise que só interessava aos que querem enfraquecer o Brasil;. Os presidente de Israel, Benjamin Netahyahu, dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Chile, Piñera, são alguns chefes de Estado com quem o capitão reformado conversou entre sexta-feira e ontem.
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Depois do contato com a imprensa, Bolsonaro comunicou no Twitter ter conversado com o presidente da Colômbia, Iván Duque. ;Falamos da necessidade de termos um plano conjunto, entre a maioria dos países que integram a Amazônia, na garantia de nossa soberania e riquezas naturais;, afirmou. Na mesma rede social, contudo, voltou a criticar Macron. ;Não podemos aceitar que um presidente, Macron, dispare ataques descabidos e gratuitos à Amazônia, nem que disfarce suas intenções atrás da ideia de uma ;aliança; dos países do G-7 para ;salvar; a Amazônia, como se fôssemos uma colônia ou uma terra de ninguém;, declarou.

;;Solidariedade;;

Ainda no Twitter, Bolsonaro ponderou que ;outros chefes de estado se solidarizaram com o Brasil;. ;Afinal, respeito à soberania de qualquer país é o mínimo que se pode esperar num mundo civilizado;, disse. Não é a primeira vez que Bolsonaro questiona o interesse de ajuda ambiental à região Amazônica. Há cerca de duas semanas, quando Alemanha e Noruega anunciaram bloqueios de verbas ao Fundo Amazônia, ele engatou uma narrativa que, frisou, defende desde 1991, sobre o interesse de grandes nações européias na região norte do país.
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Desde então, ele não se mostra preocupado com os impactos que suas declarações possam trazer, sugerindo que negativa era a imagem ;péssima; de ;subserviência; do Brasil às potências mundiais. A retórica de Bolsonaro é que grandes nações, como a França, desejam a riqueza encontrada na região Amazônica. ;Isso eu falo na Câmara (quando era deputado) desde 1991. Nós temos na Amazônia algo que o mundo não tem mais. E o pessoal tá de olho nisso agora;, declarou em 15 de agosto, ao responder a questionamentos sobre a suspensão de verbas de Noruega e Alemanha.
Enquanto Bolsonaro falava na saída do Palácio da Alvorada, Emmanuel Macron criticava os comentários "extraordinariamente desrespeitosos" de Bolsonaro sobre a esposa, Brigitte, dizendo-se triste por ele e pelos brasileiros. "O que eu posso dizer a vocês? É triste, é triste, mas é em primeiro lugar triste para ele e para os brasileiros", afirmou, acrescentando que espera que os brasileiros "tenham um presidente que se comporte à altura" do cargo.

Bronca

O presidente se recusou a responder questionamentos da imprensa após os jornais impressos não terem publicado matérias referentes a uma sugestão dele, de que o jornalista Merval Pereira teria recebido R$ 375 mil por palestras no Senac-RJ. ;R$ 25 mil cada palestra;, criticou o presidente. Ele citou outros comunicadores que receberam recursos públicos por palestras ministradas que superariam os R$ 200 mil.

No caso de Merval, o jornalista negou o valor informado e explicou que as palestras eram abertas a representantes do ;comércio, da indústria, da educação, políticos locais, estudantes; e que ;cada palestra teve a respectiva nota fiscal, incluindo os impostos devidos;, e foi declarada no Imposto de Renda dele.

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