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Correio Braziliense

Delegado Waldir nega negociações de saída do PSL e critica operação da PF

O líder do PSL na Câmara afirmou ainda que alguns parlamentares da legenda ''sofrerão punições internas''


postado em 15/10/2019 20:36

(foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)
(foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)
O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir, falou com a imprensa por cerca de 13 minutos e mandou recados à ala rebelde do partido e ao presidente da República, Jair Bolsonaro. Afirmou que não há negociação e ninguém sairá do partido. Quem sair, perderá o mandato. Chamou de “circo” a operação da Polícia Federal contra o presidente da legenda, Luciano Bivar, suspeito de montar um esquema de laranjas para reutilizar a verba eleitoral, e garantiu que a sigla continuará a votar pelos projetos do governo.

O líder tentou mostrar um senso de unicidade dentro do PSL. Uma unidade, a despeito do que outros integrantes possam pensar. “O PSL não vai expulsar nenhum parlamentar. Se algum parlamentar quer receber isso de presente, não vai acontecer. O PSL é um partido uno. Continuamos defendendo o governo. Somos Bolsonaro. Somos Luciano Bivar. Somos PSL. O Brasil não pode pautar, todo dia uma picuinha. O país tem preocupação com segurança pública, 13 milhões de desempregados. Temos que olhar pra frente”, determinou.

Delegado Waldir disse que Luciano Bivar está “extremamente tranquilo”. “Vamos aguardar os resultados da operação da PF e mostrar que ninguém é diferente. Nós tivemos operação contra o ministro Marcelo, o líder do governo, Bezerra, agora em relação ao presidente Luciano Bivar, que venha outras operações contra outras pessoas que estão sendo investigadas. É uma questão de igualdade. Mas o presidente Bivar tem o total apoio da bancada do PSL”, garantiu. 

Sobre a mudança de parlamentares em cargos do partido e comissões, o deputado minimizou a retirada do líder do governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO), da Comissão Especial da Previdência dos Militares. “É uma questão de adequação de membros. É de livre arbítrio de líder do partido fazer as indicações. Havia uma posição. Eu como discípulo do presidente Bolsonaro, ele sempre defendeu a base da Marinha e do Exército, não poderia deixar de, na comissão, de fazer essa defesa que, até então, o PSL não fazia. Trouxemos esse apoio para que essa readequação das forças armadas contemplem não apenas os generais. Que merecem. Mas para soldados, cabos, sargentos. Mas foi necessário fazer uma readequação nessa comissão, como em outras comissões”, justificou.

A respeito do pedido de afastamento do presidente por parte de alguns parlamentares, o pesselista disse que não existe essa possibilidade e que não existe divisão no partido. “Na verdade, foi criada uma tempestade. Não fui eu e nem o partido. Existem alguns parlamentares que tomaram uma determinada posição, mas o PSL reuniu a maior parte da sua bancada, somos todos bolsonaristas, entregamos 98% de fidelidade. Se nenhum ministro foi convocado nos últimos meses, é ação de todos os bolsonaristas. Quem sobe em plenário para defender o presidente Bolsonaro, são todos os deputados. Ninguém é mais bonito, é mais bolsonarista. Todos são. Nós somos de direita, conservadores, fomos eleitos com a mesma pauta. Mas, nesse momento, a pauta tem que ser geração de emprego, redução da pobreza. Eu penso que reforma da previdência, tributária, administrativa é isso que nós queremos discutir”, disse.

Ele disse, ainda, que punirá parlamentares. “O partido não vai aplicar nenhuma penalidade. O líder, na sua livre disposição de alterar membros vai fazer isso. Existem algumas pessoas, se vocês pegarem as redes sociais, eu sou delegado, eu junto um conjunto de provas, tenho vídeos, imagens de alguns parlamentares que atacaram a mim, atacaram o presidente Bivar, atacaram o PSL. Essas pessoas, com certeza, sofrerão punições internas no partido. Não posso deixar essa pessoa como vice-líder sem a minha confiança. Eu tenho que colocar vice-líderes de confiança”, explicou. 

De acordo com o líder do PSL, Bivar chega amanhã ao DF e se reunirá com os parlamentares do partido. As alas dentro da legenda, militar, ideológica e pragmática, também sofreram mudanças com a crise interna. “Algumas alas se dividiram. Alguns que eram da ala militar já não são mais. Alguns que eram olavistas já não são tão olavistas, e outros já não são tão pragmáticos. Mas somos todos governo e defendemos o governo.”

Questionado sobre a possibilidade de deputados do PSL abrirem mão da verba partidária para deixarem a legenda, o líder foi taxativo. “Não tem negociação de saída, não tem janela. Não tem nenhuma negociação. Ninguém do partido, o presidente Luciano Bivar, ninguém tratou de nenhuma negociação. Se alguém falou de negociação, se houve respostas, estão falando ao vento. Isso não existe”, garantiu. Sobre os que quiserem brigar na Justiça para sair, garantiu. “Vamos pedir o mandato. Existem centenas de suplentes em busca de um mandato de algum parlamentar. Aquele que sair, com certeza o partido vai pedir o mandato”, avisou.

De acordo com Delegado Waldir, a operação da PF meses após o início das investigações é estranha. Ele também disse estranhar que “algumas pessoas” soubessem da ação semanas antes. “Eu diria é muito estranho que a operação, me parece que algumas pessoas já sabiam uma semana antes, né? Quem tem que responder é a PF ou quem concedeu a medida”, comentou.

“Eu sou delegado. Vamos deixar algo muito claro. Se eu estou montando um conjunto de provas, sou delegado por 20 anos e sou bom no que fiz, se você está montando um conjunto de provas, e você tem situações suspeitas, você não faz busca e apreensão 10 meses após iniciada a investigação. Aí é circo. Você faz uma busca e apreensão no começo da investigação quando você tem argumento, depoimento. Você tem um conjunto comprobatório, você pede busca e consegue provas. Agora, 10 meses, você quer encontrar o que? Não encontraria nada com o presidente, mas quer encontrar o que?”, completou.

Levantada a possibilidade de a operação se tratar de uma retaliação contra Bivar e o partido, o parlamentar evitou falar diretamente sobre o tema. “Vamos aguardar e vocês verão os próximos capítulos. Quem tem que responder isso é quem cunpriu a ordem. Quem determinou, quem pediu. Em alguns momentos, a lei de abuso de autoridade foi muito bem votada e vai ter aplicação pra muita gente que quer fazer circo”, disse. 

Sobre o pedido de abertura de contas, Delegado Waldir foi duro nos comentários. “O Bivar, o (Antônio) Rueda, vão abrir todas as contas. E eu vou protocolar, nos próximos dias, um projeto de minha autoria, porque nós somos um país transparente, de combate a corrupção, temos doutor Sérgio Moro como Ministro da Justiça, e (o que) vocês acham, também, de todos os brasileiros saberem dos gastos dos cartões corporativos de todo mundo? Do presidente da Câmara, dos Senado, da república, governadores, ministro do STF. Isso é bom ou ruim? Temos que ser mais transparentes. Transparência total de todos os cartões corporativos”, disparou.

“O PSL, para quem não sabe, tem todas as suas contas prestadas anualmente e nunca chegou um pedido formal de prestar contas, mas se alguém tiver curiosidade é só entrar no TSE. Está lá pra todo mundo assistir e ver. Inclusive a última do presidente da República. Não sei o que querem mais. Querem criar um teatro para que parlamentares ganhem seus mandatos. Isso não vai acontecer. O controle do partido não sairá das mãos do presidente Luciano Bivar. O partido não está a venda. Ninguém vai tomar o partido na mão grande. Ninguém. Quem quiser uma casa tem que construir com tijolos. Eu posso ceder a casa de aluguel, para morar, mas querer invadir uma casa e querer tomar essa casa  a força, para se apropriar dos móveis e dos trejeitos dessa casa, isso não vai acontecer”, avisou Delegado Waldir.

"Não falo com Bolsonaro desde a eleição dele. Não tem necessidade. Ele tem muita preocupação. Desemprego, violência, eu não posso levar preocupação para o meu presidente. Estamos entregando o produto, os votos, a fidelidade, a lealdade. Estamos entregando isso ao presidente. E continuaremos entregando" explicou o deputado. 

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