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Correio Braziliense

Bolsonaro critica áudios vazados por deputado federal: ''Desonestidade''

Na quarta-feira (16/10), diálogos do presidente com um parlamentar do PSL mostram o chefe do Executivo articulando para trocar liderança do partido na Câmara


postado em 17/10/2019 12:12

(foto: Mauro Pimentel/AFP)
(foto: Mauro Pimentel/AFP)
Após a divulgação de áudios nos quais tenta convencer deputados federais a assinar uma lista para destituir Delegado Waldir (PSL-GO) do cargo de líder do PSL na Câmara, o presidente Jair Bolsonaro classificou o vazamento como “desonestidade”. No entanto, em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (17/10), um dia após os diálogos terem sido revelados, ele não teceu comentários sobre o conteúdo dos áudios.

“Eu falei com alguns parlamentares. Me gravaram? Deram uma de jornalista? Eu converso com deputados. Eu não trato publicamente desse assunto. Converso individualmente. Se alguém grampeou o telefone... Primeiro, é uma desonestidade”, comentou o presidente, ao deixar o Palácio da Alvorada nesta manhã.

Em um dos áudios, Bolsonaro reclama que “o humor desse cara muda (Delegado Waldir), de uma hora para outra, muda”. “Ou a gente reage agora, numa boa, porque é uma medida legal. Precisa de lista pra... Eu nunca fui favorável a lista não, pra deixar bem claro. Sou favorável à eleição direta. Mas, no momento, você não tem outra alternativa, só tem a lista”, comentou o chefe do Palácio do Planalto na conversa.

Eduardo Bolsonaro na liderança 

O vazamento dos áudios, na noite de quarta-feira (16/10), coincidiu com o protocolamento à Secretaria Geral da Mesa da Câmara de um requerimento do líder do governo na Casa, Major Vitor Hugo (PSL-GO), com a assinatura de 27 deputados para que Delegado Waldir fosse retirado da liderança do PSL. No seu lugar, assumiu Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República.

Eduardo até se manifestou após a decisão. “Inicialmente, eu não queria ser líder, mas é o nome em que tem a maior convergência dentre os deputados e, dessa maneira, o meu compromisso aqui é ficar até dezembro, oportunidade em que, em princípio, nós teremos eleições no partido para escolher o líder a partir do ano que vem”, disse o deputado.

No entanto, também na quarta-feira, Delegado Waldir apresentou outro requerimento à Secretaria Geral da Mesa da Câmara, este com 32 assinaturas, pedindo a sua permanência no posto. A Casa ainda recebeu um terceiro documento, formalizado pela deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e firmado por 27 deputados, reafirmando a indicação de Eduardo para a liderança do PSL na Câmara

Pelas regras do parlamento, vale o último requerimento protocolado. No entanto, o martelo será batido apenas após conferência de assinaturas: as firmas de apoio da maioria da bancada terão de ser confirmadas pela Câmara.

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