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Correio Braziliense

Podemos expulsa Feliciano por causa de tratamento dentário de R$ 157 mil

A saída forçada de Feliciano acontece dentro da estratégia do Podemos de se afastar do ''bolsonarismo'' e se firmar como a sigla da Lava-Jato


postado em 10/12/2019 09:33 / atualizado em 10/12/2019 11:12

(foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados )
(foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados )
O Podemos expulsou o deputado Marco Feliciano (SP). A decisão foi tomada pelo comando da legenda em São Paulo por oito votos a zero e foi comunicada ao parlamentar pelo presidente estadual do Podemos, Mario Covas Neto. A denúncia que originou a expulsão de Feliciano cita uma série de acusações. Entre elas, estão os gastos de R$ 157 mil referentes a um tratamento odontológico reembolsados pela Câmara, caso revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

 

"Parece-nos importante destacar que entendemos por desproporcional e pouco recomendado que em pleno ano de 2019 um parlamentar ainda se utilize de recursos públicos para fins particulares, vide o caríssimo tratamento (dentário) feito pelo representado e pago com dinheiro do povo", diz parecer do Conselho de Ética do partido.

 

O deputado terá três dias para recorrer à Executiva Nacional do partido se quiser reverter a decisão. A expectativa entre dirigentes da sigla, no entanto, é que ele aceite sair da legenda. Como foi expulso por decisão do Podemos, Feliciano não perde o mandato, a menos que haja uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que não deve acontecer.

 

A saída forçada de Feliciano acontece dentro da estratégia do Podemos de se afastar do "bolsonarismo" e se firmar como a sigla da Lava-Jato. O partido tem atraído parlamentares da centro-direita descontentes com o governo e, só no Senado, passou de cinco para dez parlamentares nos últimos meses — a segunda maior bancada. 

 

Feliciano é um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro na Câmara. Além de apoiar a eleição de Bolsonaro, contra o candidato do seu partido, o senador Álvaro Dias, ele costuma acompanhar o presidente em compromissos oficiais. 

 

Alguns deputados e senadores, citam fontes da legenda, condicionam a negociação de migração para a legenda à saída do deputado dos quadros do Podemos. Além do apoio a Bolsonaro, acusações de assédio sexual, recebimento de propina e pagamento a supostos funcionários foram citados como justificativas para a expulsão.

 

Outro lado

Veja a nota do deputado:

Em relação à minha expulsão do Podemos, assim me manifesto:


1 - Ser expulso de um partido por apoiar o presidente Bolsonaro é para mim motivo de orgulho.  Por isso aceito a decisão. 


2 - Contudo, saliento que se tratou de um processo de exceção, onde sequer fui intimado a me defender.


3 - Os motivos elencados pelo partido para me expulsar são todos mentirosos.  Afinal, se fossem verdade, teriam que expulsar quase todos os deputados federais, pois como eu pediram à Câmara ressarcimento de gastos em saúde. 


4 - Nesse sentido, afirmo que jamais cometi qualquer irregularidade na minha vida pública, e quem disser ao contrário será devidamente processado civil e criminalmente. 


5 - Por fim, deixo claro que tudo isso é uma trama do presidente estadual do Podemos, Mário Covas Neto, que colocou o partido a reboque dos interesses de seu parente Bruno Covas. 


Dacar, Senegal, em 9/12/2019.


Deputado Marco Feliciano.

Vice-líder do Governo no Congresso Nacional.

 

 

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