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Correio Braziliense

Bolsonaro diz que mensagens trocadas no WhatsApp são de ''cunho pessoal''

Presidente disparou do celular pessoal, via aplicativo WhatsApp, vídeo convocando apoiadores a irem às ruas rm 15 de março para defendê-lo


postado em 26/02/2020 11:28 / atualizado em 26/02/2020 12:09

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
O presidente da República Jair Bolsonaro escreveu, nesta quarta-feira (26/2), no Twitter que as mensagens que troca com "algumas dezenas de amigos" por meio do aplicativo de mensagem WhatsApp são de "cunho pessoal". A informação veio após o presidente compartilhar, na última terça-feira (25/2), um vídeo sobre ato contra o Congresso Nacional, marcado para 15 de março. 

 

O conteúdo, revelado pela jornalista Vera Magalhães, do jornal O Estado de S. Paulo, mostra imagens do presidente após ser esfaqueado durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG), em 2018. Não há menção ao Congresso Nacional durante o vídeo, que traz uma série de afirmações de que o presidente agora precisa do apoio da população nas ruas, mostrando imagens de protestos dos últimos anos. "Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil", diz. 

 

Na última semana, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Helenofoi gravado reclamando de "chantagem" sofrida pelo Executivo em relação ao Congresso. O áudio foi captado em uma transmissão ao vivo feita na conta oficial do presidente de uma cerimônia no Palácio da Alvorada. "Rapaz, nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente. F***-se", disse o ministro. A afirmação feita é relativa a um embate entre Executivo e Legislativo quanto ao controle do orçamento de 2020.

 

Em outubro do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro se envolveu em polêmica após publicar um vídeo criticando partidos, o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras organizações brasileiras. Nas imagens, ele se comparou com um leão sendo perseguido por hienas, que são identificadas como partidos políticos (PT, PCdoB, PSL, PSDB, PDT), o STF, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e veículos da imprensa. Depois de grande polêmica, ele classificou a publicação como um "erro".

 

"Tenho 35 milhões de seguidores em minhas mídias sociais (Facebook, Instagram, YouTube e Twitter) onde mantenho uma intensa agenda de notícias não divulgadas por parte da imprensa tradicional. Já no Whatsapp tenho algumas poucas dezenas de amigos onde, de forma reservada, trocamos mensagens de cunho pessoal. Qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República", disse o presidente.

 

 

Reações políticas

A convocação feita por Bolsonaro para as manifestações contra o Congresso gerou reações no mundo político e nas redes sociais na terça-feira (25/2). "Estamos com uma crise institucional de consequências gravíssimas", afirmou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no Twitter.

 

O Partido Socialismo e Liberdade (PSol) publicou nota, na manhã desta quarta-feira (26)/2, repudiando a participação do presidente Jair Bolsonaro na convocação de manifestações contra o Congresso, ao que o PSol chamou de "caráter golpista que pedem o fechamento do Congresso Nacional". 

 

"Ao envolver-se diretamente na convocação de manifestações pelo fechamento do Congresso Nacional, Bolsonaro comete crime de responsabilidade e crime de improbidade. É preciso uma resposta dura. O silêncio dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal precisa ser rompido urgentemente e medidas precisam ser tomadas inclusive pelo STF", pontuou.

 

O secretário-geral da CNBB,  Dom Joel Portella Amado, também comentou a convocação para manifestações do presidente. “Se queremos defender a vida, precisamos defender o diálogo e a democracia. Ainda que haja inúmeros caminhos para isso, não podemos abrir mão do equilíbrio sadio entre os três poderes”, disse.

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